A VOZ DO POVO NÃO É A VOZ DE DEUS

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Vou falar sobre um ditado bem conhecido: A voz do povo é a voz de Deus. Muita gente aceita essa ideia como verdade absoluta, mas será que ela encontra suporte na Bíblia? Creio que não. 

A voz do povo
A voz do povo tem várias facetas. Uma delas é a chamada “sabedoria popular”, que abrange um monte de ensinamentos, alguns com pouca importância (por exemplo, dizia-se no passado ser perigoso comer manga com leite), já outros com a capacidade de moldar o comportamento da sociedade (por exemplo, o ditado “quem tem padrinho não morre pagão” ensina que a ajuda de familiares ou amigos é mais importante do que o mérito para o sucesso na vida).

Outra faceta da voz do povo é o chamado “clamor das ruas”: multidões se levantam para cobrar determinada medida do governo ou em protesto, como aconteceu no Brasil, em 1984, no famoso “Movimento das Diretas Já”.

Hoje em dia, conhecemos o “clamor das ruas”  através das passeatas e outras formas de protestos coletivos, mas também pelos ecos nas redes sociais. Através  das postagens no Facebook, Instagram, Twitter é fácil perceber quando determinada ideia ou política pública encontra suporte na população.

A voz de Deus
A voz de Deus chega até nós de diferentes formas.  Uma dessas formas é a Bíblia, que é a Palavra do próprio Deus. Ele fala também pela boca dos profetas, pessoas especialmente escolhidas por Deus para transmitir sua vontade, como, por exemplo, o profeta Jonas, enviado a Nínive pregar o arrependimento do povo, ou, mais recentemente, o pastor Martin Luther King, que liderou o movimento pelo fim da discriminação racial nos Estados Unidos, na década de 60 do século passado.

Finalmente, Deus também pode falar de forma direta e aberta, como, por exemplo, quando deu a Lei ao povo de Israel, no monte Sinai (Êxodo capítulo 20).

As duas vozes podem falar a mesma coisa?
Sim, é possível que as duas vozes falem a mesma coisa. Por exemplo, a Bíblia descreve a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos. Ela conta que o povo saiu atrás do Mestre, cantando e clamando salva-nos (significado de “hosana” em hebraico). Os fariseus estranharam e pediram que Jesus repreendesse as pessoas, para que se calassem. E Jesus lhes respondeu: “se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas capítulo 19, versículos 37 a 40). 
Naquela oportunidade, o povo falou exatamente o que Deus queria, mesmo sem entender ainda a missão  que Jesus estavam desempenhando. Falo isso porque os judeus esperavam outro tipo de Messias – queriam alguém que viesse libertá-los do jugo dos romanos. 
Mas, essa coincidência entre a voz de Deus e a voz do povo é pouco comum. A razão é que a voz do povo costuma conter erros – como ocorre muito no caso da dita sabedoria popular”. Muitas vezes, a voz do povo é simplesmente a voz da ignorância ou do medo, como, por exemplo, quando os judeus clamaram para que Jesus fosse crucificado e um bandido (Barrabás) fosse solto (Lucas capítulo 23, versículos 13 a 25).  
A voz do povo é imperfeita pois ela é simplesmente a soma das vozes de muitas pessoas, todas elas imperfeitas. Um bom exemplo de como a voz do povo pode errar é o que aconteceu no Rio de Janeiro, no começo do século passado. Naquela oportunidade, o médico sanitarista Oswaldo Cruz liderou uma campanha para a vacinação da população contra a febre amarela, doença que matava muita gente. O povo se revoltou porque achava que a vacina fazia mal e isso gerou uma situação política muito complicada. Só o tempo deu razão a Oswaldo Cruz.
Já a voz de Deus é sempre perfeita, amorosa e só fala a verdade. Portanto, frequentemente ela difere da voz do povo. E o que devemos fazer quando isso acontece? Simples, a Bíblia ensina que devemos prestar atenção na voz de Deus e esquecer o resto.
Quando a voz do povo defende o que é bom e certo – como liberdade e justiça para pessoas oprimidas – e concorda com o que a Bíblia fala, devemos sim nos juntar à voz do povo. Mas, quando a voz do povo contraria a vontade de Deus, devemos ficar contra a voz das ruas, por mais difícil que isso seja.
A Bíblia fala sobre isso na descrição de um evento no qual os apóstolos Pedro e João receberam ordem dos líderes judeus, falando em nome de todo o seu povo,  para que não mais pregassem o Evangelho. Veja o que os apóstolos responderam (Atos dos Apóstolos capítulo 5, versículo 29):

Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!

É isso aí. Procure sempre seguir a voz de Deus e tome cuidado com a voz do povo, pois muitas vezes ela não é boa conselheira.

Com carinho

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Fábio Macena

Em pleno século 21, afirmo que a voz do povo é a própria língua do demônio!

Gabriela

Muito bom, parabéns.

Murielle

Amando o site e suas postagens… Obrigada 🙂