VOCÊ PODE PERDER A SALVAÇÃO?

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Uma pessoa que aceitou Jesus, e foi salva, pode perder sua salvação? Há diferentes respostas para essa importante questão, cada uma delas defendida por pessoas sérias e estudiosas da Bíblia. Ou seja, não existe consenso entre os estudiosos sobre essa questão. 

E há coisas na Bíblia que vão gerar debate até o final dos tempos e esse tema é uma dentre elas. Somente vamos ter certeza absoluta sobre quem está certo ou errado quando do julgamento final. 

Existem quatro formas diferentes de responder a essa pergunta, conforme discuto a seguir:

Universalismo
Essa linha de pensamento defende que um Deus amoroso não poderia punir ninguém com o inferno e, portanto, todos acabarão salvos, de uma forma ou de outra. Para os universalistas, a pergunta que abre este texto – você pode perder sua salvação? – não tem significado, pois não se pode perder o que todos vão ganhar.
Mas, gostemos ou não, a Bíblia é muito clara quanto à existência do inferno e à existência de pessoas salvas e condenadas (Mateus capítulo 25, versículos 31 a 46). E, antes que alguém saia por aí acusando Deus de insensível, é preciso entender que quem se coloca no inferno é a própria pessoa, quando deliberadamente escolhe se afastar de Deus e não aceitar Jesus como salvador. Deus apenas respeita essa decisão e se afasta e é por isso que alguns teólogos afirmam que as portas do inferno estão trancadas por dentro. 
Tudo depende das obras realizadas 
A base da salvação é a fé no sacrifício de Jesus (veja mais). Mas, em Tiago capítulo 2, versículos 17 a 24, aparece a seguinte afirmação: 

Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem obras e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé…Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente …”    

Há quem interprete esse texto afirmando que as obras têm papel importante na salvação. Ou seja, a pessoa seria salva tanto por conta daquilo que acredita (sua fé) como também por aquilo que faz (suas obras). Essa é essencialmente a doutrina seguida pela igreja católica.  

Mas, penso que isso está errado por duas razões. Primeiro, porque a Bíblia é clara quanto ao fato que a salvação se deve apenas à fé da pessoa e à atuação da graça de Deus (por exemplo, Efésios capítulo 2, versículos 8 e 9).

Segundo, se as obras pesassem na salvação, ninguém poderia ter certeza dela. Afinal, quais e quantas obras seriam necessárias para satisfazer os requisitos de Deus? A Bíblia nada fala a esse respeito. Portanto, para uma pessoa que crê assim, nunca haverá segurança quanto à salvação. E a pergunta que abre este texto – você pode perder sua salvação? -, não faz sentido, pois não se pode perder o que ainda não se ganhou.

Acho que essa linha de pensamento parte de uma interpretação errada do que Tiago quis dizer. O que ele disse de fato é que as obras são como um “medidor” da fé pessoal: se você tem dentro de si a fé que realmente traz a salvação, essa mesma fé vai criar em você o desejo de realizar obras. A fé que salva não é estéril, ela necessariamente gera mudanças na vida da pessoa e resultados práticos. Portanto, as obras simplesmente dão testemunho da fé existente. 

Deus pré-estabelece quem vai ser salvo 
Essa linha de pensamento é defendida pelos seguidores de Calvino (como os presbiterianos). Ela afirma que Deus já pré-definiu (predestinou) aqueles que serão salvos. Afinal, o poder de Deus é incontestável e se Ele resolveu criar uma pessoa para ser salva, ninguém pode questionar isso.  
Ainda na mesma linha de pensamento, a graça de Deus é irresistível, ou seja, ninguém pode deixar de aceitá-la plenamente. Portanto, quem foi escolhido para ser salvo nunca pode perder sua salvação.

Penso que o problema com essa linha de pensamento é a outra face da moeda: se há também quem seja predestinado para ser salvo, também há quem seja predestinado para o inferno.  E não importa o que essas pessoas pensem ou façam, elas vão acabar condenadas.

Acho que é muito difícil reconciliar essa visão com a ideia de um Deus que ama incondicionalmente suas criaturas. Não discuto que Deus tenha poder para predestinar as pessoas conforme deseje, mas questiono se Ele age mesmo dessa forma. 

E, além disso, se Deus já fez tal escolha antes mesmo das pessoas nascerem, parece-me que toda a discussão bíblica sobre convencer o pecador dos seus erros, levá-lo ao arrependimento e assim por diante, não faz qualquer sentido. É vazia.

Finalmente, nunca vi qualquer um dos defensores dessa abordagem reconhecerem-se como predestinados para o inferno. Todos sempre escrevem ou pregam do ponto de vista de quem já está salvo. E aí fica muito fácil defender esse ponto de vista. 

Salvação se ganha e se perde
Essa é a posição com a qual simpatizo. Ela alerta que a salvação pode ser ganha, quando a pessoa abraça a fé verdadeira. E perdida, quando a pessoa deixa essa fé morrer.
Salvação é o nosso bem mais precioso, mas ela é como uma planta que precisa de cuidado, carinho e atenção. Deixada por sua própria conta, essa planta pode morrer. Na parábola do semeador (Mateus capítulo 13, versículos 1 a 23), Jesus falou de sementes que chegavam a frutificar, mas as plantas acabavam morrendo porque as raízes não eram suficientemente profundas (a prática de vida delas as afastou de Deus) ou foram abafadas pelos espinhos (as preocupações com o mundo secular acabaram por predominar).
E lembro que olhar para as obras –  como a pessoa vive e o que ela faz de fato – é uma boa forma de “medir” a saúde da fé. Obras abundantes e efetivas apontam para uma fé viva e atuante. Obras inexistentes são um grande sinal de alerta.

Com carinho

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