VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO TEOLOGIA E NEM SABIA

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Você sabia que está estudando teologia quando lê um texto neste site, medita sobre ele e faz comentários ou perguntas? Talvez você nem tenha se dado conta disso. E não há como ser diferente, pois a teologia é parte da vida de qualquer cristão.

Tempos atrás, quando comecei a escrever o blog que deu origem a este site,  disse para um amigo que pretendia escrever textos que fariam a defesa da fé cristã contra as críticas de ateus e outras pessoas que não gostam do cristianismo. A parte da teologia que cuida de fazer essa defesa é chamada de “apologética”. Ela trata de coisas como as provas para a existência de Deus, as provas para a ressurreição de Jesus e assim por diante.

Quando meu amigo ficou sabendo dessa pretensão disse que eu estava meio maluco, pois ninguém iria querer ler sobre isso. Mas fui em frente e escrevi vários textos mesmo assim – veja alguns exemplos aqui e aqui. E alguns desses textos estão entre os mais lidos e comentados deste site.

Na verdade, às vezes precisamos enfrentar mitos que acabam sendo considerados como “verdades” absolutas. Por exemplo, existe o mito que o “povão” só gosta de programa de televisão ruim – com pouco conteúdo, com piadas de baixo nível, com mulheres seminuas e assim por diante. Por causa desse mito, toda vez que surgem programas bons e inovadores na televisão, eles acabam sendo jogados em horários muito tardios, dificultando que as pessoas trabalhadoras os assistam. E aí a audiência é baixa, “confirmando” o mito.

No meu caso, precisei enfrentar três mitos relacionados com o estudo da teologia:

Mito 1: As pessoas não gostam de estudar teologia 
Queiramos ou não, estamos sempre falando de teologia. Por exemplo, alguém vem e pergunta: Como você prova que Jesus ressuscitou dentre os mortos? Ou então: Divórcio é pecado?
Esses são exemplos de questões teológicas nas quais tropeçamos por aí. Perguntas desse tipo aparecem a toda hora e é preciso encontrar respostas para elas, inclusive para guiar as vidas dos cristãos. 
Ler a Bíblia e analisar o que ela ensina já é uma reflexão teológica. Portanto, só é possível encontrar as respostas para as perguntas cruzam nosso caminho através do estudo da teologia. Não há outro caminho.
Mito 2: Teologia é uma coisa muito teórica
Os três primeiros anos do meu curso de engenharia civil foi constituído de matérias teóricas, algumas delas bem chatas de estudar. Somente nos dois últimos anos do curso foi que apareceram as matérias que iríamos usar na prática, por exemplo, o cálculo de estruturas.
Mas as matérias básicas, aprendidas nos três primeiros anos, foram necessárias para entender os temas mais práticos, que vieram depois. Não seria possível estudar as matérias práticas sem entender a teoria.
E é exatamente assim que acontece com a teologia. Ela é uma disciplina teórica, mas sem uma boa teoria não conseguimos construir uma prática de vida saudável, dentro da vontade de Deus. 

Mito 3: Estudar teologia leva ao questionamento da Bíblia
Há quem diga que o estudo da teologia faz com que as pessoas comecem a questionar a Bíblia, encontrando erros e problemas nela.
Na verdade, o questionamento da Bíblia não nasce do estudo da teologia. As pessoas vão ter dúvidas sobre os ensinamentos da Bíblia quer estudem teologia de forma sistemática ou não. E é o estudo da teologia que ajuda a tirar essas dúvidas e deixa as pessoas mais seguras da sua fé. 
O casamento perfeito entre teoria e prática 
Teoria (teologia) ou prática espiritual? Qual das duas é a mais importante? Na verdade, as duas são igualmente importantes. Não há como viver sem uma delas. Sem a teoria trazida pela teologia, o cristão nunca saberá com certeza no que deve crer e pode acabar seguindo heresias. Por outro lado, sem a prática, a teologia fica engessada e vazia e pode se tornar legalista. Acaba atrapalhando muito e não serve para muita coisa. 
 
Portanto, defendo um casamento entre as duas coisas: teologia e prática espiritual. E há um excelente exemplo desse casamento na obra do grande escritor cristão C.S Lewis. Ele escreveu dois livros sobre o sofrimento humano. No primeiro deles, chamado “O problema da dor”, tratou dessa questão sob um ponto de vista teórico (teológico). Ele buscou na Bíblia os conceitos para dar suporte a uma doutrina cristã que ensinasse as pessoas a passar pelo sofrimento natural da vida. 
No outro livro, chamado de “Anatomia de uma dor”, C. S. Lewis descreveu a dor que sentiu ao perder a mulher da sua vida para o câncer e como lidou com ela. É um relato de cortar o coração e muito bonito. Esse relato ensina muito pois permite ver como um verdadeiro homem de Deus lidou com o sofrimento. 

Os dois livros são muito diferentes entre si e se complementam perfeitamente. O primeiro é teórico, racional e organizado, enquanto o segundo é um grito de desespero lançado ao espaço. Mas, precisamos dos dois relatos, se quisermos entender o sofrimento humano. Primeiro é bom ler o livro teórico e depois ver a aplicação da doutrina na prática. Se você se interessar por esses livros, ambos estão traduzidos para o português e não são caros – valem à pena ler. 
Palavras finais
A vida do cristão não pode ser uma disputa entre mais teologia ou mais prática espiritual. É preciso ambas e em igual dose. Não se trata de fazer uma coisa, esquecendo da outra, mas sim fazer ambas, de forma igual e enriquecer sua vida com o que elas têm a oferecer. 

Com carinho

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