VOCÊ DEVE CONFESSAR SUAS FRAQUEZAS?

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Você às vezes se expõe demais”. Foi isso que um amigo me falou certa vez, referindo-se a algumas confissões pessoais que faço aqui no blog, quando dou exemplo das minhas próprias dificuldades na caminhada cristã.

Esse diálogo me levou a refletir sobre a questão da transparência na vida espiritual. Devemos falar para quem nos rodeia sobre nossas fraquezas e dificuldades? A resposta é: sim.

E essa resposta está baseado no que o apóstolo Paulo falou em Romanos capítulo 7, versículo 19: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço“. Você consegue imaginar um politico ou líder religioso importante se expondo dessa forma? Mas se o apóstolo Paulo agiu assim, esse é o exemplo que devo seguir. E você também.

Em outras palavras, é preciso ser transparente e sincero sobre as próprias dificuldades espirituais. E a Bíblia dá um grande exemplo de transparência: não esconde os pecados e as dificuldades mesmo dos(as) heróis(heroínas) da fé. Por exemplo, a Bíblia conta que Abraão vendeu sua mulher para o faraó do Egito (e auferiu um belo lucro), os irmãos de José o venderam como escravo, Jacó mentia bastante, Moisés teve medo, Pedro traiu Jesus e Paulo brigou com Barnabé por uma bobagem.

A vantagem da transparência 
Há grandes vantagens em ser transparente sobre as próprias dificuldades. Vejamos algumas delas:

1)  Diminui o esforço 
As expectativas crescem em proporção ao “brilho” da imagem da pessoa. Quanto mais “brilhante” for essa imagem, maior as expectativas dos que estiverem em torno. E maior será o esforço necessário para conseguir preservá-la.

Tentar manter uma imagem positiva a qualquer custo cobra preço muito alto. Basta lembrar o sofrimento, que chega a ser dramático, das artistas lindas e charmosas, depois que passam dos 35 anos, quando se sentem ameaçadas por mulheres mais jovens. Algumas tentam resolver o problema se escondendo (p. ex. Greta Garbo), outras fazem questão de mostrar o estrago do tempo (Cassia Kiss), mas a esmagadora maioria sofre muito, ao lutar uma batalha que não vão conseguir vencer.

Vale lembrar também o exemplo de alguns líderes religiosos que tentam aparentar viver uma vida sem pecados e acabam falhando fragorosamente. Admitir de público a própria fraqueza, como fez o apóstolo Paulo, tira dos ombros da pessoa uma enorme carga.

E a experiência mostra que as pessoas estão em torno aceitam bem uma confissão de fraqueza e até se identificam melhor com quem se mostra, digamos assim, humano. Sei disso por experiência própria.

2)  Elimina a hipocrisia
Uma passagem na Bíblia demonstra muito bem a dificuldade de lutar contra a hipocrisia. O impacto da presença de Deus em Moisés foi tão grande que o rosto do profeta passou a brilhar, como reflexo da glória divina. E para não atrapalhar seu contato com as pessoas (que ficavam impressionadas com esse brilho), Moisés passou a usar um véu. Com o tempo, o brilho desapareceu, mas Moisés continuou a usar o véu para que as pessoas achassem que continuava lá, pois isso o fazia mais importante aos olhos das demais pessoas.

Ora, se isso aconteceu com Moisés, um homem que falava com Deus face a face, imagina quem, como nós, tem desenvolvimento espiritual menor.

A hipocrisia é um perigo que sempre nos ronda. E a “luz do sol” – a transparência – talvez seja o único remédio efetivo contra ela.

3)  Reduz o auto-engano
Frequentemente as pessoas não são transparentes nem consigo mesmas. Negam ou minimizam as próprias falhas e acabam por encontrar todo tipo de justificativa para fazer isso. E repetem essas justificativas tantas vezes que acabam acreditando nelas – isto é, enganam a si mesmas.

Há quem chegue até a assumir um “pecado de estimação”, sobre o qual adoram falar, para desviar o foco do(s) pecado(s) que quer(em) de fato esconder.

Lembro de uma pessoa que chegava sempre atrasada nas atividades da nossa igreja. E falava da sua luta para conseguir se manter no horário e até pedia orações para superar essa dificuldade. Um dia me dei conta que aquela pessoa não tinha chegado atrasada no próprio casamento, quando fez vestibular, nem nas suas atividades profissionais: o problema só aparecia em relação à igreja. Na verdade, o problema real era outro: falta de comprometimento com as coisas de Deus.

Transparência real quanto às próprias dificuldades é um excelente remédio contra o auto-engano. Contra a possibilidade de continuar a fazer o que é errado, mas se mantendo numa situação de conforto. De satisfação consigo mesmo(a).

Como confessar
A confissão é uma recomendação de Tiago, irmão de Jesus (capítulo 5, versículo 16). Isso significa que as pessoas não são obrigadas a confessar apenas para sacerdotes (padres ou pastores). Podem fazer isso para qualquer outra pessoa – um(a) amigo(a), um(a) professor(a), a mãe, o pai, um(a) irmão(irmã).

Pode ter certeza que lhe fará bem confessar em voz alta suas dificuldades – ajudará você reconhecê-las e a encontrar meios e modos de lidar melhor com elas. Agora, tome dois cuidados.

Primeiro, escolha a pessoa certa como confessor(a), pois nem todo mundo é confiável. Já vi pessoas divulgarem aquilo que ouviram em confiança, acabando por destruir a imagem de quem confiou nelas.

Depois, cuidado para não cair no extremo oposto: tentar ter transparência demais. Algumas pessoas se sentem tão bem em falar de si, que acabam se tornando inconvenientes, confessando a qualquer hora e em em qualquer lugar. E acabam revelando detalhes embaraçosos da sua vida que são desnecessários ou expõem desnecessariamente a intimidade  de outras pessoas envolvidas – como, por exemplo, quando a esposa fala abertamente da sua vida sexual.

No caso da transparência, como em tanto outros, a virtude está numa posição equilibrada. Transparência de menos faz mal, mas em excesso, também gera muitos problemas.

Com carinho

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