UMA BOA CAUSA JUSTIFICA QUALQUER COISA?

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Será que uma boa causa justifica fazer qualquer coisa para conseguir torná-la realidade? Acredito que não. Mas, infelizmente há muita gente que pensa assim.

Cerca de 69 anos atrás, os Estados Unidos jogaram a primeira bomba atômica na cidade de Hiroshima (Japão). O mundo da época assistiu, em estado de choque, à morte quase instantânea de dezenas de milhares de pessoas. E os efeitos posteriores da radiação ainda estão presentes até hoje. Dias depois, foi lançada uma segunda bomba atômica, na cidade de Nagasaki, com resultados semelhantes.

A lógica usada pelo governo norte-americano, para justificar o uso das duas bombas, foi forçar a rendição do Japão, acabando de vez com a guerra e poupando milhares de vidas. Essa ainda é a posição oficial dos Estados Unidos hoje em dia. Portanto, uma boa causa (acabar com a guerra, poupando milhares de vidas) justificou o uso de duas bombas atômicas (sacrificando também milhares de vidas). É claro que essa conta só faz sentido porque que as vidas sacrificadas eram japonesas e as vidas poupadas, em boa parte, eram de soldados americanos. 

Outro exemplo histórico é a conversão forçada dos judeus e árabes ao cristianismo, na Europa, durante a Idade Média. Acreditando estar fazendo o bem – dando acesso a essas pessoas á salvação – os governos e os líderes religiosos cristãos cometeram muitas atrocidades. Uma boa causa justificou atitudes terríveis, que mancharam a memória do cristianismo para sempre.

Outro exemplo interessante é a implantação a ferro e fogo das ideias de justiça social defendidas pelo comunismo. Isso levou a enormes abusos dos direitos humanos na União Soviética, na China e em Cuba, dentre outros países. Para forçar a igualdade social, propriedades foram confiscadas, pessoas presas e muito sofrimento foi gerado. 

O Brasil passou pela experiência de implantar uma boa causa a qualquer custo. Não importa o preço. Essas ideias ficaram evidentes durante as últimas eleições presidenciais. Sem dúvida essas eleições foram as mais polarizadas da história e assumiram dimensão de “guerra santa”. Para cada um dos lados, os adversários eram os inimigos a ser esmagado. Muitas vezes os adversários eram comparados a Satanás e sua legião de demônios.

A boa causa (eleger o candidato preferido, aquele que iria “salvar” o Brasil) justificou qualquer coisa. Valeu divulgar fake news e calúnias, fazer agressões verbais e até físicas. Por causa disso amizades foram perdidas, famílias ficaram fraturadas, houve brigas dentre de igrejas e teve gente que até perdeu o emprego. Uma tristeza. 

A tolerância – a capacidade de aceitar e conviver com as diferenças de opinião – e o respeito ao próximo foram pelo ralo. Tudo em nome de conseguir uma vitória redentora.

Ora, o ensinamento da Bíblia é o amor ao próximo. Isso significa que você deve fazer com as outras pessoas aquilo que gostaria fosse feito com você mesmo/a. E ninguém quer passar por violência ou constrangimento de qualquer natureza, seja físico ou moral. Portanto, fazer isso com outra pessoa, qualquer seja a justificativa – mesmo uma boa causa – é um grande erro. Um verdadeiro pecado. 

Portanto, tenha em mente que nenhuma causa, mesmo aquela que pareça ser a melhor, justifica o uso de meios errados para conseguir sucesso. E isso vale até para a conversão de pessoas ou para tirá-las do mau caminho. 

Os fins que estão sendo buscados são importantes. Mas são igualmente importantes os meios usados para chegar até eles. 

Com carinho 

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