UM POUCO DE CIÊNCIA PARA MOSTRAR QUE DEUS EXISTE

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Muitos afirmam que não é possível provar a existência de Deus. Mas essa afirmativa vem sendo cada vez mais desafiada por conta de uma série de argumentos filosóficos e científicos.

A existência de Deus não pode ser provada da mesma forma como provamos um teorema matemático. A prova da existência de Deus é feita da mesma forma como um investigador criminal e um promotor demonstram que alguém cometeu um crime de morte para o qual não houve testemunhas. Eles(as) vão juntando evidencias que de forma cumulativa acabam apontando para o culpado: impressões digitais, vestígios de DNA, falta de álibi, etc. E muita gente já foi condenada com base nesse tipo de investigação.

E um dos argumentos mais fortes para a existência de Deus é aquele que leva em conta o início do universo. Ele é chamado na literatura de “argumento cosmológico kalam”. A palavra “cosmológico” aponta para o cosmos (universo). E a palavra “kalam” vem do árabe e quer dizer “teologia medieval” – ela homenageia filósofos árabes que foram os primeiros a propor esse tipo de argumento.

O desenvolvimento do argumento 
Ele tem três partes: duas premissas e uma conclusão que decorre delas – se as premissas forem verdadeiras, a conclusão automaticamente decorre delas, ou seja ela é obrigatoriamente verdadeira. 

O argumento como um todo é o seguinte:
Premissa (1) Tudo que tem início precisa de uma causa como origem.
Premissa (2) O universo teve início.

E aí a conclusão – (3) o universo teve uma causa – decorre automaticamente das premissas.

Do nada, nada pode surgir
A primeira premissa – tudo que tem início precisa de uma causa como origem – parece lógica, afinal se alguma coisa surgiu é preciso ter havido uma causa para isso, porque coisas não podem surgir do nada, sem mais nem menos. 

Alguns cientistas tentam sair pela tangente afirmando que coisas podem surgir de um “vácuo quântico”, que seria como o “nada” – um livro recente do físico Stephen Hawkins defende exatamente essa posição. Mas, um “vácuo quântico”, seja lá o que isso significa,  não é “nada”. Afinal, tal vácuo tem propriedades físicas e o “nada” simplesmente não pode ter qualquer tipo de propriedade. 

Até porque, se fosse possível às coisas surgirem do nada, veríamos isso acontecendo de vez em quando: por exemplo, uma vaca apareceria de repente em algum lugar. E isso não acontece na prática. Portanto, a primeira premissa pode ser considerada como verdadeira. 

O universo teve início – a evidência da Termodinâmica
A segunda premissa – o universo teve início – gera muito mais discussões. Aqueles que acham que Deus não existe defendem a tese que o universo sempre existiu – ele é eterno e, portanto, sua duração é infinita. Assim, não é preciso encontrar uma causa para ele.

Ocorre que a própria ciência vem desmentindo essa posição. Vou citar três fatos que apontam nessa direção. O primeiro deles decorre da Segunda Lei da Termodinâmica, a qual comprovou que a energia de um sistema fechado se esgota com o tempo. 

E, para que isso não venha a ocorrer, é preciso que o sistema possa receber contribuições do ambiente externo, em outras palavras, seja aberto para o exterior. Por exemplo, se o ser humano fosse um sistema fechado e não pudesse ser alimentado com nutrientes externos, ele consumiria toda a energia acumulada nos seus tecidos e depois morreria. E assim é com todos os demais sistemas – por exemplo, um carro precisa receber combustível senão para de funcionar. 

Mas o universo é um sistema fechado por definição, pois nada existe fora dele. Portanto, a energia do universo vai acabar com o passar do tempo, pois ele não pode ser “alimentado” de fora. E se o universo não tivesse tido um início (ou seja, se sua duração fosse infinita), como defendem alguns, essa energia já deveria ter acabado, o que não é verdade. Assim, a Segunda Lei da Termodinâmica demonstra cientificamente que o universo precisa ter tido um início.

O universo teve início – as evidência do “Big Bang” e da expansão do universo
A outra evidencia é a chamada Teoria do Big Bang – o universo começou na expansão de um “ovo” cósmico de matéria muito densa -, que já foi comprovada cientificamente. Não tenho espaço aqui para apresentar todas as evidencias disso, mas elas são contundentes. Portanto, o Big Bang também aponta para um início físico do universo.
A terceira evidencia é a expansão do próprio universo, que tem sido contínua, a partir do tal “ovo” inicial, conforme também já provado cientificamente. Ora, três importantes físicos – Arvind Borde, Alan Guth e Alexander Vilenkin – provaram matematicamente que qualquer universo que esteja sempre em expansão obrigatoriamente teve um início (seria como “rodar” o filme da vida do universo ao contrário). 
Qual foi a causa para o universo?
O que podemos dizer sobre as características (propriedades) da causa que deu origem ao universo? Primeiro, essa causa precisa ser eterna, ou seja não pode ter sido causada por outra coisa qualquer. Essa propriedade responde a uma objeção comum à existência de um Criador – quem teria criado o Criador? A resposta é simples: Ele não precisa ter sido criado se for eterno. 
Em segundo lugar, essa causa não pode ser um mecanismo automático, como uma lei física, que nunca possa ser “desligada”. Isso porque, como essa causa é eterna, caso ela funcionasse de forma automática, o universo também seria eterno, o que sabemos não ser o caso. Essa causa precisa ter uma vontade própria, ou seja, trata-se de um ser.
Esse ser precisa estar fora do tempo. Isso porque o tempo começou junto com o início do universo. E também precisa estar fora do espaço físico, pelas mesmas razões. 
Essa Ser também precisa ter um poder além de qualquer imaginação, senão não seria possível causar o início do universo. 

Conclusão
Em resumo, podemos concluir que o Criador é um Ser muito especial: é um espírito eterno, com vontade própria, imensamente poderoso e fora do tempo. Ora, tudo isso bate com a descrição que a Bíblia faz de Deus. Portanto, estamos no bom caminho – começa a emergir um retrato que aponta para Deus. 

É claro que é preciso comprovar também que esse Ser tem outros atributos – como perfeição e amor -, para podermos dizer que se trata de Deus. Mas, como disse antes, é preciso juntar um conjunto de evidencias para montar o caso completo. Neste post dei apenas um passo – apresentei o “argumento cosmológico “kalam” -, mas há muito mais para falar a respeito da comprovação da existência de Deus, o que fica para posts futuros.   

PS Quem estiver interessado em estudar essa questão com mais profundidade, sugiro o livro “Em guarda”, de William Lane Craig. O site desse autor – www.reasonablefaith.org – tem muitas informações adicionais e até um pequeno filme sobre tudo que discuti aqui, embora em inglês.

Com carinho    

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