SUA VIDA ESPIRITUAL É BOA OU RUIM?

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Tempos atrás precisei renovar meu passaporte. Na data marcada para o atendimento, o sistema da Polícia Federal estava fora do ar e me pediram para voltar outro dia, o que foi muito desagradável. Quando voltei, fui atendido muito bem – a atendente foi gentil e pontual e o sistema para identificação das pessoas pareceu moderno e eficiente.                                                                                           
O atendimento foi bom ou ruim? O que dizer dessa experiência? Se eu me concentrar mais no primeiro momento, direi que o atendimento foi muito ruim, enquanto que se olhar para o segundo momento, concluirei que foi muito bom e se fizer uma “média”, irei afirmar que foi mais ou menos. A resposta vai depender da base de comparação que tiver sido estabelecida. 
 
Esse mesmo tipo de dilema aparece em muitas outras situações. Por exemplo, a situação social brasileira hoje é boa ou ruim? A resposta vai depender da referencia usada para fazer a avaliação. Se o Brasil de hoje for comparado com o de 50 anos atrás, sem dúvida houve muito progresso: há menos analfabetismo, menos pobreza, a renda per capita é razoável, etcMas se compararmos a realidade do Brasil com a dos países mais desenvolvidos do mundo, nossa situação atual pode ser considerada ruim – serviços público precários, violência urbana elevada, corrupção disseminada e assim por diante.
 
Em outras palavras, o país evoluiu muito mas ainda está longe daquilo que seria desejável. Isso é bom ou ruim? Depende de como se olha.

 

E como fica a vida espiritual?

O mesmo tipo de dilema também se faz presente na vida espiritual das pessoas. Digamos que uma pessoa vai à igreja regularmente (aos domingos), dá dízimo e ofertas, mas não se envolve muito na obra de Deus. Concorda com os ensinamentos cristãos, mas não teve sua vida de fato modificada por eles, embora seja uma boa pessoa – ela não rouba, não mata, não adultera, trata todo mundo bem e assim por diante.                                                                                                                                                                     
Ora, essa pessoa estaria bem na foto quando comparada a boa parte da população.  Por esse ponto de vista, está tudo bem. Agora, se a mesma pessoa for comparada com o apóstolo Paulo, Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá ou Nelson Mandela, gente que verdadeiramente viveu o cristianismo de forma plena e grandiosa, certamente a avaliação seria bem pior.
 
Acho que a maioria dos(as) cristãos(ãs) se enquadra nesse exemplo – são boas pessoas, por um lado, mas ficam muito abaixo do seu potencial espiritual, daquilo que poderiam de fato fazer. Ficam no meio do caminho. São espiritualmente “mornas”, isto é nem “frias” e nem “quentes”. 
 
E veja o que a Bíblia fala sobre esse tipo de situação:
Conheço as tuas obras, que nem és frio e nem quente…Assim, porque és morno, e não és nem frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.                                                Apocalipse capítulo 3, versículos 15 e 16 
É um julgamento muito duro. Mas o fato é que Deus não gosta de pessoa “morna”. Simples assim. Não lhe interessa muito quem fica com um “pé em cada barco”, quem tenta ter o melhor dos dois mundos, sem se comprometer de fato com nenhum deles.
Isso não quer dizer que Deus espera de nós a perfeição. Mesmo os grandes homens e mulheres da fé cometeram pecados e alguns muito sérios. Ele espera de nós progresso, caminhada no sentido certo.
 
Imagine uma artista linda que tire muitas fotos – centenas delas. Evidentemente ela estará bonita na maioria das fotos, mas haverá casos onde sua expressão estará fechada, a testa franzida, etc. É inevitável. No conjunto da obra, na esmagadora maioria dos casos, ela estará linda, mas existirão fotos onde parecerá outra pessoa.
 
O pecado é como a foto feia do exemplo anterior – é inevitável. Cedo ou tarde, pois mais desenvolvida espiritualmente que a pessoa for, ela vai pecar. Aí, é preciso aparecer o arrependimento e um esforço sincero para mudar. 
 
Deus olha para o conjunto da nossa obra – como a pessoa vive sua vida espiritual e se vem fazendo progresso. Se vem corrigindo seus erros e vai caminhando na direção que Deus estabeleceu.
 
A pessoa “morna” não muda. Não melhora. Pode ficar trinta anos numa igreja e sempre fará o mesmo. Cometerá os mesmos erros. Repetirá os mesmos pecados. E até ficará se lamentando, dizendo não conseguir mudar.
 
Quem é “quente” espiritualmente também vai cometer pecados, mas vai lutar contra eles e mudar. Vai usar os ensinamentos da Bíblia para passar a se comportar de forma diferente. Enfim, vai progredir.
 
Não me canso de repetir que o cristianismo é uma caminhada na direção de Deus – há momentos em que a pessoa cai, depois se levanta e continua a andar. Pode ser até que ande para trás, perdendo terreno, mas depois recupera e volta a avançar na direção certa.
 
Não fique parado(a) na sua caminhada espiritual. Conformando-se em repetir aquilo que sempre fez. Primeiro, não se conforme com seus erros, pequenos ou grandes. Reconheça-os e lute para não repeti-los. 
 
Depois, ouse mais. Experimente fazer o novo: participe de uma obra na igreja da qual nunca participou, faça jejum (se não tem esse hábito), ore de outras formas, junte-se a um grupo de estudo bíblico (se já não participa de um), comece a louvar (se não tem esse hábito). Enfim, faça alguma coisa.
 
Com carinho

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