“SOLITÁRIO GEORGE”: UM GRITO DE SOCORRO

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No fim de semana passado, morreu “Solitário George”, a última tartaruga gigante da sua subespécie que vivia nas ilhas Galápagos. Sua geração se acabou porque o ser humano introduziu cabras nas ilhas, que comeram toda a vegetação da qual viviam as pobres e indefesas tartarugas. Capturado, George foi levado a um centro animal e tentaram fazê-lo cruzar com tartarugas aparentadas, mas sem sucesso. E ali ele viveu solitário, o último da sua linhagem, por mais de 40 anos.
 
De uma forma geral, os seres vivos, pelo menos aqueles gerados por reprodução entre dois sexos diferentes, não foram criados para viverem inteiramente solitários. Por exemplo, no relato da criação no Gênesis, Deus disse: não é bom que o homem esteja só (capítulo 2, versículo 18). E aí estava a mulher para encantar a vida do homem – menos nos dias de TPM, mas aí já é outra história. E com os animais não é diferente.

Tudo isso me fez refletir sobre a ação predatória dos próprios seres humanos, que já dizimou milhares de espécies e acabará por dizimar outras tantas. E o desequilíbrio do nosso ecossistema poderá causar, além de todo tipo de catástrofe natural, o próprio fim da humanidade.
 
E nem percebemos que estamos destruindo aquilo que Deus fez com tanta sabedoria e desejando o melhor para nós. É interessante observar que, depois de cada ato de criação relatado no Gênesis, o texto diz que Deus olhou para o que tinha sido feito e viu que tudo tinha excelência (capítulo 1, versículos 1 a 25).
 
Mas a sociedade humana nem parece se importar muito com isso, pois lá no fundo deve achar que sempre teve e sempre terá a natureza para ser explorada, o que não é verdade. 

É exatamente por isso que os avanços das políticas e práticas que preservam o meio ambiente é tão lento – basta ver os resultados limitadíssimos da Rio + 20, que se encerrou nos últimos dias. Mais uma vez tudo foi empurrado com a barriga para o futuro. A maior parte do esforço das autoridades presentes foi usado em parecer que estavam interessadas no assunto, para passar uma boa imagem para a opinião pública, sem se comprometer com algo de muito concreto, que viesse a dificultar o ato de governar.
 
Agora preocupo-me mais ainda quando o povo cristão também não dá muita importância para o assunto. E é fácil perceber isso: basta você se perguntar quantas pregações já ouviu sobre temas ecológicos ou qual foi o interesse que sua igreja demonstrou sobre a Rio+20. Provavelmente a resposta será decepcionante, com raras e honrosas exceções. Esse tema ainda não entrou no radar das igrejas cristãs para valer.
 
Nós, cristãos, precisamos assumir mais responsabilidades e interesse na preservação do nosso planeta. Afinal é nosso dever cuidar daquilo que Deus criou para nós. Se não fizermos isso, assistiremos de camarote a contínua deterioração da “casa” que foi feita especialmente para nós. 

E caso isso venha a ocorrer, daqui há algum tempo, pode aparecer outro “Solitário George”, dessa vez um homem alquebrado, vivendo sozinho num mundo desolado e que nem terá o consolo de contar sua história, pois não haverá ninguém para ler o que ele escreva…
 
Com carinho

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