SEM DEUS NÃO HÁ LIMITE PARA A AÇÃO HUMANA

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O cristianismo é sempre muito criticado pelos/as intelectuais e a mídia, sendo visto como uma religião intolerante, defensora de idéias estreitas e limites antiquados. Ouço isso a toda hora.

Por causa disso, até desenvolvemos (a pastora Carol e eu), na igreja onde frequentamos, uma série de aulas de Escola Bíblica Dominical, que trata exatamente da dificuldade que o povo cristão encontra hoje em dia para viver sua fé numa sociedade em boa parte hostil às suas convicções (veja aqui). 

A principal razão por trás desse desconforto é que o cristianismo prega e defende valores absolutos. Para nós, foi Deus quem estabeleceu o que é certo ou errado. E precisamos seguir aquilo que Ele determinou.

Os Dez Mandamentos são aqueles que a Bíblia transcreve e não há como pensar em eliminar um ou dois deles, ou mesmo acrescentar um mandamento novo, por exemplo, que trate de um tema atual, não diretamente contemplado na Bíblia.

Podemos sim discutir a interpretação e a aplicação prática desses mandamentos e ver sua correlação com as questões atuais, mas essa discussão é balizada e limitada pelos demais ensinamentos da própria Bíblia.

Agora, o que vemos na sociedade em geral é a relativização dos conceitos de “certo” e “errado”. A tese que “cada pessoa tem seu ponto de vista e todas as opiniões devem ter o mesmo peso” é muito simpática e encontra cada vez mais adeptos/as. Mas o cristianismo pensa de forma diferente: o que vale é aquilo que Deus determina. Mesmo quando isso incomode e traga desconforto, daí vem as críticas que sofremos.

O que as pessoas não percebem são os riscos enormes embutidos na relativização dos conceitos de “certo” e “errado”. E isso fica evidente uma notícia que li anos atrás. Ela falava que, na Bélgica, passou-se a admitir a eutanásia (o morte provocada com a assistência de  médicos visando evitar sofrimento humano desnecessário) mesmo no caso de crianças. Antes só adultos, conscientes da sua própria realidade,  podiam solicitar a eutanásia, mas, a partir de certo momento, esse direito foi estendido aos pais (ou responsáveis) de crianças com doenças sem esperança de cura ou tratamento.

O argumento tradicional para justificar a eutanásia é que a pessoa tem direito de escolher se quer ou não continuar a viver, pois a vida é uma propriedade sua. E, mais recentemente, deu-se o passo adicional ao qual acabei de me referir e ainda mais perigoso: esse “direito” foi estendido aos pais (ou responsáveis) das crianças, como se a vida delas lhes pertencesse. E nada garante que tal direito não será usado por alguns pais para terminar a vida de filhos/as com deficiências físicas ou mentais muito sérias, poupando-lhes despesa e trabalho – não há como se garantir contra isso.

Ou ainda que sejam dados novos passos para flexibilização dos princípios éticos aplicados nesse caso e o direito de optar pela eutanásia seja estendido ao Estado, para economizar os recursos públicos escassos que são gastos com doentes sem esperança de cura.

Repare que a falta de um limite moral absoluto, definido por alguém que seja superior à sociedade, deixa todo mundo vulnerável. As escolhas morais vão se sucedendo, numa direção extremamente perigosa, usando argumentos que parecem lógicos e justificáveis à primeira vista. Mas quando se abre uma concessão moral desse, fica muito difícil fechar a porta depois de aberta. O risco é enorme.

Décadas atrás, a Suprema Corte dos Estados Unidos deu uma decisão flexibilizando as regras para o aborto, usando como justificativa que o corpo da mulher é sua propriedade individual e cabe a ela decidir o que quer fazer com ele. Como resultado, já foram praticados naquele país centenas de milhões de abortos, órgãos de fetos foram explorados comercialmente e a lista de horrores decorrentes dessa decisão é crescente.

E vemos isso acontecendo em diversos outros campos da moral, como na manipulação genética durante a concepção humana, na disseminação de armas de destruição em massa, etc.

O grande escritor russo Fiódor Dostoiévski, num trecho do seu famoso livro “Os irmãos Karamazov”, advertiu a sociedade contra esse problema, quando afirmou:

Se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido. 

O povo cristão acredita que nem tudo é permitido, não importa o quão rica, culta e desenvolvida a sociedade se torne. Há coisas contra as quais sempre precisaremos nos opor, mesmo sendo criticados/as por isso.

Para nós, dentre outros princípios fundamentais, a vida humana é uma dádiva de Deus e não pertence aos próprios seres humanos. E por causa disso, cada pessoa (nascida ou não) tem direitos e dignidade intrínseca que precisam ser respeitados.

Acho que, com o passar do tempo, seremos cada vez mais criticados. E esse será o preço que precisaremos pagar para sermos obedientes à voz de Deus.

Com carinho

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