SEM DEUS, NÃO HÁ LIMITE

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O cristianismo é sempre muito criticado pelos intelectuais e pela mídia por tentar colocar um limite nas ações humana. Por isso é visto como uma religião intolerante, defensora de idéias estreitas e antiquadas. Ouço ou leio isso a toda hora.

Essa discussão está aprofundada numa series de estudos e áudios publicados aqui mesmo neste site  (veja aqui). 

A principal causa do desencontro entre a fé cristã e uma parte importante da intelectualidade e da mídia é que o cristianismo prega e defende valores absolutos. Para nós, cristãos, Deus estabeleceu o que é certo ou errado de fazer. Deus definiu o limite para nossa atuação. E precisamos seguir aquilo que Ele determinou.

Por exemplo, os famosos Dez Mandamentos resumem uma boa parte daquilo que Deus nos ordenou fazer e do limite a ser respeitado. E não há como pensar em eliminar um ou dois deles, por serem incômodos, ou ainda, acrescentar um mandamento novo, mais palatável para a sociedade atual.

Podemos sim discutir a interpretação e a aplicação prática desses dez mandamentos e estudar sua correlação com as questões atuais. Mas, essa discussão sempre precisa ser balizada e limitada pelos ensinamentos da própria Bíblia e não por modismos ou ideias que são agradáveis à sociedade.

O que vemos na sociedade em geral é a relativização dos conceitos de “certo” e “errado”. A ideia que o limite da atuação depende da própria vontade e opinião das pessoas. A tese adotada por muitos é: “cada pessoa tem seu ponto de vista e todas as opiniões devem ter o mesmo peso“. E isso parece ser muito simpático e tolerante, encontrando cada vez mais apoio na sociedade.

Mas, o cristianismo pensa de forma diferente: o certo é aquilo que Deus estabeleceu. Mesmo quando isso incomode e traga desconforto, o certo estabelecido  precisa ser seguido. E daí vem as críticas que o cristianismo sofre.

O que as pessoas não percebem é que há um enorme risco embutido na relativização dos conceitos de “certo” e “errado”. E isso fica evidente numa notícia que li anos atrás. Ela falava que, na Bélgica, passou-se a admitir a eutanásia (o morte provocada com a assistência de  médicos) mesmo no caso de crianças. Durante algum tempo, só adultos, conscientes da sua própria realidade,  podiam solicitar a eutanásia para si mesmos. Mas, a partir de certo momento, esse direito foi entendido a terceiros, como parentes e esposos. E, agora, até o governo pode solicitar que essa prática seja aplicada, visando poupar recursos da sociedade, quando há pessoas portadoras de doenças incapacitantes, sem esperança de tratamento. E isso hoje se aplica até a crianças, o que é um grande absurdo.

O argumento tradicional para justificar a eutanásia é que a pessoa tem direito de escolher se quer ou não continuar a viver, pois a vida seria uma propriedade sua. Mais recentemente, deu-se um perigoso passo adicional, ao qual acabei de me referir: esse “direito” foi estendido até ao governo, em alguns casos, mesmo para crianças. E nada garante que tal direito não virá a ser usado por alguma sociedade para eliminar totalmente pessoas com deficiências físicas ou mentais, ou mesmo, privilegiar certas características físicas das pessoas, em detrimento de outras.

Repare que a falta de um limite moral absoluto, definido por alguém que seja superior à sociedade, deixa todo mundo vulnerável. As escolhas morais vão se sucedendo, numa direção extremamente perigosa, usando argumentos que parecem lógicos e justificáveis à primeira vista. E fica muito difícil fechar a porta depois de aberta. O risco é enorme.

Décadas atrás, a Suprema Corte dos Estados Unidos  decidiu flexibilizar as regras para o aborto, usando como justificativa que o corpo da mulher seria sua propriedade individual e caberia a ela decidir o que quer fazer com o feto. Como resultado dessa decisão, já foram praticados naquele país muitas dezenas de milhões de abortos. Órgãos retirados de fetos foram explorados comercialmente. E a lista de horrores decorrentes dessa decisão da Suprema Corte americana é crescente.

E vemos isso acontecendo em diversos outros campos da moral, como a manipulação genética durante a concepção humana, a disseminação de armas de destruição em massa e assim por diante.

O grande escritor russo Fiódor Dostoiévski, num trecho do seu famoso livro “Os irmãos Karamazov”, advertiu a sociedade contra esse problema, quando afirmou:

Se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido. 

O escritor russo advertiu contra os princípios do ateísmo: Deus não existe e alma humana é mortal (tudo acaba com a morte). Se isso é verdade, tudo se torna permitido, pois por que alguém deveria se privar de determinada coisa? A decisão do quê de seve ou não fazer ficaria totalmente balizada pela opinião individual.

O povo cristão acredita que nem tudo é permitido, não importa o quão rica, culta e desenvolvida a sociedade se torne. Há coisas contra as quais sempre precisaremos nos opor, mesmo sendo criticados por isso.

Os cristão seguem alguns princípios fundamentais. Por exemplo, a vida humana é uma dádiva de Deus e não pertence aos próprios seres humanos. E por causa disso, cada pessoa (nascida ou ainda em gestação) tem direitos e dignidade intrínseca, que precisam ser respeitados e preservados.

Acho que, com o passar do tempo, o cristianismo será cada vez mais criticado. E esse será o preço que precisaremos pagar para sermos obedientes à voz de Deus.

Com carinho

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Deus deu o livre arbítrio
A pessoa tem o direito de escolher se
Vai viver ou não
A mulher ela e dona do próprio corpo sim