QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA…

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Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado. Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis,e, vendo, vereis, mas não percebereis.
Mateus capítulo 13, versículos 9 a 14

Essa conversa entre Jesus e seus discípulos aconteceu logo após Ele ter contado uma parábola muito conhecida, aquela que fala do semeador. O tema da discussão é sobre ouvir de fato aquilo que Jesus ensina. 

Ele começa advertindo: quem tem ouvidos, é bom que ouça. Em outras palavras, é melhor a pessoa prestar atenção naquilo que Jesus ensina e seguir essas orientações. 

Agora, por que alguém não ouviria aquilo que Jesus ensinou? Penso que há duas possibilidades. A primeira delas é não ter compreendido o que ouviu. E não compreendeu porque o Evangelho não lhe foi pregado da forma certa.

Por exemplo, imagine que uma pessoa não entenda inglês e um excelente pregador norte-americano, que só fale essa língua, venha falar com ela sem ter um tradutor à mão. Não vai dar certo.

Da mesma forma, se vou falar de Jesus para uma pessoa analfabeta não poderei usar as mesmas palavras e tipo de raciocínio que usaria para pregar o Evangelho para alguém que tivesse muito estudo. E vice versa. Também não posso usar com adolescentes o mesmo tipo de argumentação que uso com os adultos – cada tipo de público requer uma linguagem apropriada.

A pessoa que ouviu o Evangelho precisa ter condições de entender aquilo que lhe foi falado para reagir de forma positiva aos ensinamentos de Jesus. Por isso mesmo, o próprio Jesus sempre conversou com o povo judeu, formado basicamente por pessoas simples e com pouca cultura, usando exemplos tirados da vida deles, como a a estória da mulher que perdeu a moeda dentro de casa, do semeador que saiu a semear, do rei de que deu tarefas para seus servos e assim por diante.

Mas não basta usar a forma adequada, é preciso também que o conteúdo da mensagem esteja certo. Para isso, quem fala do Evangelho precisa conhecer suficientemente daquilo da doutrina cristã. Será que uma professora conseguiria ensinar português mesmo sem conhecer a gramática dessa língua? É claro que não.

Da mesma forma, ninguém vai conseguir ensinar o Evangelho de Jesus sem conhecer um mínimo de teologia cristã. 

Essas coisas que acabei de falar – usar a didática certa, ter conhecimento daquilo que se ensina, etc – parecem óbvias mas é impressionante como não são respeitadas na prática. Cansei de ver aulas de Escola Bíblica sendo ministradas com didática muito ruim. 

Há também quem pense que basta ter o chamado para pregar o Evangelho que tudo vai dar certo. Que não será preciso conhecer a Bíblia e a doutrina cristã. Que tendo boa vontade, será possível sair em campo que o Espírito Santo vai ensinar o que deve falar – já vi isso acontecer muitas vezes.

Já ouvi também quem tenha se justificado, por agir assim, dizendo que os apóstolos eram homens sem estudo e ainda assim converteram muita gente, fazendo a igreja cristã crescer. Quem diz isso se esquece que esses homens viveram com Jesus por três anos. Fizeram um “curso” intensivo, dia e noite e com o melhor mestre possível. 

Não basta apenas ter boa vontade para falar do Evangelho e deixar o restante do trabalho para o Espírito Santo. As coisas no Reino de Deus não funcionam assim: É preciso fazer um trabalho adequado. De qualidade.

A outra possível razão para a pessoa não ouvir de fato o que Jesus ensinou é a falta de vontade de segui-lo. De mudar a própria vida. De abandonar hábitos e prioridades erradas e passar a agir de forma diferente.

Quando eu era garoto e estava brincando com algo que me prendia a atenção e minha mãe me chamava para jantar, eu não ouvia o chamado. Minha atenção estava em outra coisa. Isso se chama “surdez” seletiva: a gente não ouve o que não quer de fato ouvir. É por isso que o bebê chora e a mãe acorda e o pai continua a dormir como se nada tivesse acontecido. 

A mesma coisa acontece com a pregação do Evangelho: as pessoas não ouvem de fato por causa da “surdez” seletiva. Sabem que, se vierem de fato “ouvir”, vão precisar mudar sua vida. Abandonar hábitos errados, mas de que gostam. Se re-educar, passando a gostar de fazer coisas para as quais não davam importância antes e deixar de ter prazer naquilo que está errado aos olhos de Deus. Simples assim.

Como não querem mudar de fato, fazem que não ouvem e ficam encontrando desculpas para si mesmas para não fazer o que Jesus mandou. Se recusam a entender, porque não gostam das consequências de passar a viver uma vida cristã.

No texto que abre este post, é exatamente dessas pessoas que Jesus estava falando. E por isso o alerta que Ele deu foi bem apropriado: quem tem ouvidos, é melhor que ouça o que o Espírito Santo diz. 

Com carinho

  

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