QUEM CONFIA MAIS NOS HOMENS DO QUE EM DEUS…

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Apenas 8% de todo o dinheiro do mundo existe fisicamente na forma de moedas ou notas que possam ser manuseadas. A maior parte existe apenas em registros eletrônicos existentes nas instituições financeiras de todo o mundo. Em outras palavras, 92% do dinheiro do mundo é virtual!

E se os programas de computador que fazem esses registros eletrônicos forem sabotados por “hackers”, o que aconteceria? O caos, pura e simplesmente.

Você não deve ter entrado em pânico ao ler o que acabei de escrever, como eu também não me desesperei ao tomar conhecimento dessa mesma informação pela mídia. E a razão para isso é simples: tano você, como eu, confiamos no sistema financeiro mundial. Acreditamos que as coisas estão sob controle e o tal caos não vai acontecer nunca.

A confiança em Deus

Ora, por que as pessoas são capazes de ter tanta confiança numa obra humana (o sistema financeiro mundial) mas têm tanta dificuldade de confiar na mesma medida em Deus? Afinal, Ele é perfeito, pode tudo e sabe tudo. Não há risco de Deus falhar.

A experiência mostra que há duas razões principais para a falta de confiança em Deus – claro que há outros motivos mas vou me concentrar nos que parecem mais importantes. 

A primeira razão tem a ver com o fato que as pessoas pensam não ter tanta importância assim para Deus. Elas imaginam que Ele teria coisas muito mais importantes para fazer (como sustentar o universo) do que cuidar delas. E a “prova” seria o estado do mundo, cheio de injustiça, violência e outros. Se Deus se importasse de fato, pensam elas, Ele já teria acabado dado um “jeito” no mundo pois tem poder para isso.

Tal pensamento não leva em conta uma coisa importante: o livre arbítrio do ser humano. Deus, num ato de amor, deu às pessoas o direito de escolher seus próprios caminhos. E na maioria dos casos, elas não fazem bom uso desse direito pois decidem fazer coisas erradas. E são essas escolhas ruins que geram o mal existente no mundo.

A única forma de impedir que as pessoas escolhessem errado seria Deus tirar delas o livre arbítrio, transformando-as em semi-robôs. Mas aí o mundo perderia coisas ainda mais importantes: o amor sincero, a criatividade artística, a capacidade de inventar coisas novas e assim por diante.

A existência do mal no mundo não prova o desinteresse de Deus pelas pessoas. Ela é fruto da existência do livre arbítrio que foi dado a elas. Portanto, esse não é motivo para deixar de confiar em Deus.

A segunda razão pela qual muitas pessoas não confiam em Deus tem a ver com o fato que elas não entendem a lógica seguida por Ele nas suas ações. Para elas, parece ser que Deus faz as coisas de forma errada e até injusta. Poderia dar diversos exemplos desse tipo de pensamento mas vou me limitar a dois deles.

Digamos que existam duas situações iguais – dois jovens sofrendo da mesma doença – e Deus intervem favoravelmente apenas numa delas e o jovem é curado. O outro jovem acaba morrendo. Parece muito injusto.

Na verdade, as pessoas veem igualdade onde ela de fato não existe. Para elas, a situação dos jovens é a mesma, mas para Deus, que sabe e vê tudo, não é assim. As circunstâncias que levaram os dois adolescentes a adoecerem foram diferentes. A vida espiritual dos dois jovens não era igual. Como também não o era a fé de quem intercedeu por eles em oração.

Deus percebe todas essas diferenças e as pessoas não. Isso porque Deus vê o interior das coisas e as pessoas se deixam levar pelas aparências. São olhares totalmente distintos.

Outro exemplo de um comportamento de Deus que as pessoas têm dificuldade de entender é a salvação com base na fé e não no que a pessoa faz (suas obras). Pareceria mais justo que essa decisão fosse tomada exclusivamente com base nos atos cometidos, como ocorre nos tribunais humanos.

Quem faz essa crítica se esquece que os padrões de julgamento de Deus são muito elevados – se Ele fosse julgar cada pessoa exclusivamente com base naquilo que ela fez, ninguém seria salvo. E a Bíblia é clara quanto a isso. Por isso a única alternativa viável para a salvação é a Graça de Deus, que se faz presente através da fé em Jesus.

E não se deve esquecer que se a salvação fosse por obras, ninguém nunca poderia ter certeza da sua própria salvação. A pessoa sempre teria dúvida de já ter feito o suficiente para ser aceito por Deus.

Sem dúvida, há uma distância entre o raciocínio humano e o de Deus. Afinal, o ser humano é muito diferente de um Ser infinito, onipotente e onisciente. Não seria mesmo razoável esperar que os dois pensassem da mesma forma. O problema está no fato de muitas pessoas pensarem que Deus é quem está errado por pensar de forma diferente delas.

No livro “A Reforma da Natureza”, o conhecido autor Monteiro Lobato – aquele que escreveu “O Sítio do Pica-pau Amarelo” – tocou exatamente nessa tema. A boneca Emília resolveu melhorar o “projeto” da natureza e saiu por aí fazendo mudanças – em dado momento, chegou a trocar as tetas das vacas por torneiras. E é claro que acabou dando a maior confusão, pois a complexidade da obra de Deus vai além da compreensão humana.

Resumindo o que acabei de dizer, as pessoas costumam não ter confiança em Deus por diversas razões, dentre as quais por pensar que Ele não se importa de fato com elas ou por não concordar como Deus age (seus critérios, suas escolhas, etc). Agora, é um enorme paradoxo que essas mesmas pessoas confiem cegamente em obras humanas, como o sistema financeiro.

Agora, muitas dessas pessoas que não confiam em Deus, voltam-se em desespero para Ele quando aparecem problemas sérios nas suas vidas, para os quais não encontram solução. Aí deixam a desconfiança de lado e oram incessantemente, vão à igreja e fazem promessas. Já vi isso acontecer muitas vezes. 

E Deus é tão bom, tão bom, que aceita essas pessoas sem qualquer restrição e cuida delas com todo atenção – esse fato sempre me impressiona.

Com carinho 

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