QUANDO ME SENTI ENVERGONHADO

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Lembro bem do dia em que me senti envergonhado. Tudo começou quando minha igreja desenvolveu um projeto de apoio a um grupo de pessoas que vivia numa comunidade carente próxima. Esse grupo estava sob ameaça de desapropriação do terreno onde mantinham seus barracos.

O projeto incluía pequenos cultos nos lares dessas pessoas, para entender melhor suas necessidades, estreitar o relacionamento e fornecer apoio técnico (jurídico, psicológico e outros). Sem nunca esquecer de falar sobre Jesus, a coisa principal.

Certo dia, nos reunimos em uma das casas daquelas pessoas, que ficava a 10 minutos de caminhada da nossa igreja. Lá viviam três adultos, dois adolescentes e duas crianças, sem contar um bebê a caminho. E tudo isso num espaço de apenas 20 m2. Não havia esgoto, as paredes eram de madeira compensada e a água entrava pelas frestas das paredes quando chovia.

Fiquei impressionado com a fé que encontramos ali. As pessoas criam sinceramente em Jesus. Oraram, cantaram conosco e ficaram com folhetos  para distribuir na comunidade, visando interessar outras pessoas na fé cristã.

Fiquei especialmente tocado por uma menina bonita e muito inteligente, que tinha cerca de 11 anos e vestia o uniforme da escola, provavelmente porque era a melhor roupa que tinha. Ficou perto de mim o tempo todo e pediu para não irmos embora, pois estava gostando da visita. Uma das irmãs dela  com apenas 17 anos, já tinha um filho e estava grávida de outro.

Quando cheguei em casa, rememorei tudo que tinha visto. Ocorreu-me logo que, se algo não fosse feito rapidamente por aquela menina, ela iria pelo mesmo caminho da irmã e acabaria sem qualquer perspectiva na vida, por ter uma penca de filhos.

Pensei também nas inúmeras vezes em que dei aula na Escola Dominical da minha igreja e falei do amor de Cristo, e depois fui para casa comer um almoço gostoso. E pessoas bastante carentes, que porventura tinham assistido à minha aula, voltaram para sua realidade triste, talvez se perguntado onde estava esse amor do qual eu havia falado.

Percebi como meus próprios problemas são pequenos, em relação à realidade daquelas pessoas, mas mesmo assim eles tomam quase todo o meu tempo e atenção. E me dei conta das inúmeras vezes em que me deixei vencer pelo comodismo e não ajudei os outros, quando poderia ter feito muito mais do que fiz.

Finalmente, recordei das palavras de Jesus, quando afirmou que, se déssemos até um copo de água para qualquer um dos pequeninos da vida, ou seja, aqueles desassistidos pela vida, estaríamos fazendo esse gesto para Ele.

Aí confesso que me emocionei muito e me senti envergonhado. Pela situação das pessoas que visitei e por perceber que fazia tão menos do que poderia. Foi isso que me fez sentir envergonhado. E me aprendi ali uma grande lição.

E convido você a fazer a mesma reflexão sobre sua vida.

Com carinho

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Francisco m Xavier

É desse jeito mesmo, precisamos mudar urgente, nossas atitudes com relação, ao ver o próximo como a nós mesmo.