QUAIS NORMAS SOCIAIS VOCÊ SEGUE?

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Você obedece uma série de normas sociais das quais talvez nem se dê conta. Por exemplo, quando entra no elevador, normalmente sempre fica sempre de frente para a porta pois é considerado pouco educado ficar encarando as outras pessoas. Quando vai numa festa, cumprimenta todas as pessoas que conhece, pois seria deselegante entrar e sair sem fazer isso. E assim por diante.

As normas sociais variam de país para país e é por isso que às vezes se torna tão difícil adaptar-se à vida num país estranho. Aqui no Brasil, se você for convidado/a para uma festa às oito da noite, calibrará sua chegada para mais ou menos meia hora depois. Nos Estados Unidos ou na Alemanha, esse atraso seria considerado falta de educação. Os donos da festa esperam que você seja pontual.

Essas normas controlam nossas vidas em todos os campos: família, trabalho e até na igreja. Elas estão presentes em todos os momentos. E, muitas delas, mesmo quando não são tão boas assim (como o brasileiro aceitar certa impontualidade), não geram grabes consequências. Mas, há casos em que normas sociais inadequadas têm potencialidade de casuar estragos significativos.

Por exemplo, cerca de 55 anos atrás, alguns jovens da igreja metodista do Catete, no Rio de Janeiro, quiseram introduzir guitarras e bateria no louvor, durante os cultos. Até então, a música na igreja estava restrita ao tradicional órgão. A troca de instrumentos  era uma quebra das normas sociais em vigor e as pessoas mais conservadoras reagiram fortemente.

Os jovens foram muito criticados e não acabaram indo embora da igreja, o que teria sido um desastre, porque alguns dirigentes, mais flexíveis, instituíram o “culto jovem”, onde a mocidade passou a ter espaço para tocar música no seu estilo. É interessante observar que hoje quase toda a música nas igrejas evangélicas usa guitarras e bateria e o órgão ficou restrito a ocasiões bem especiais. As normas sociais a esse respeito mudaram totalmente.

Agora, há hoje uma norma social muito seguida pelo público evangélico e que eu acho muito ruim. Ela diz que “evangélicos devem dar preferência para outros evangélicos”. Assim, evangélico deve votar em candidato evangélico porque tal candidato vai defender no governo as causas que são importantes para os crentes. E não importa para muitos que boa parte dos políticos evangélicos eleitos tenha comportamento muito pouco ético no trato dos interesses públicos.

A mesma norma diz que evangélico só deve fazer terapia com profissional cristão para ter garantia que seu pensamento não vai ser subvertido. E essa norma não leva em conta que há vários terapeutas evangélicos mal formados, que frequentaram cursos simples de aconselhamento cristão sem grande base científica e conduzem terapias totalmente inadequadas. Já vi isso acontecer. 

Mais recentemente, essa norma foi levada ao ponto de dizer que evangélico deve comprar roupa de loja evangélica, porque ali são fabricadas roupas apropriadas para mulheres e jovens cristãs. Nunca esquecendo que esse tipo de loja costuma fazer patrocínio de conjuntos de música gospel e de ações de evangelização. Agora, tempos atrás, o programa Profissão Repórter, da Globo, fez uma corajosa denúncia sobre trabalho escravo no ramo de confecção. E na denúncia apareceu uma das mais importantes lojas de roupas evangélicas, revendendo tranquilamente produtos que tinham sido fabricados com base nesse tipo de trabalho. Questionados, os donos da tal grife negaram saber que seus fornecedores cometiam esse crime, portanto, ou eram completamente desavisados ou estavam lucrando de forma incompatível com os ensinamentos cristãos.

Acho que já ficou claro para você que essa norma pode causar grande estrago e nunca pode ser seguida cegamente. Nós, como cristãos, devemos sempre buscar pessoas sérias e competentes e, se forem evangélicas, melhor ainda. Mas, ser evangélico, por si só, não deve dar caminho livre para ninguém, pois há muita hipocrisia no mundo. 

Há outras normas “furadas” operando nas igrejas. Por exemplo, “ninguém deve tocar nos ungidos de Deus”  – leia-se pastores não podem ser criticados façam o que fizerem. Ora, o fato de alguém ter a formação teológica que o leva a ser consagrado pastor e/ou se arrogar esse título, não o torna automaticamente ungido por Deus. Todos sabemos que há pastores ruins e até desonestos, causando muito mal aos seus rebanhos. Pastores podem ser criticados sim, como os outros seres humanos, caso se afastem das normas de conduta que a Bíblia estabelece. Simples assim.

Um outro exemplo de norma evangélica “furada” é aquela que aceita o rótulo “gospel” como uma coisa meio santificada e boa. Assim, a música gospel é boa e a música secular não. A literatura, se for gospel, serve para a juventude cristã, o outro tipo de literatura deve ser evitado. E tome de “balada gospel”, “carnaval gospel” e talvez venhamos chegar a ter “inferno gospel”, como bem me alertou um amigo meu outro dia. 

Nunca se esqueçam que rotular alguma atividade ou coisa de “gospel” é frequentemente um simples recurso de marketing, visando chamar atenção do público evangélico. A ideia que o “gospel” é bom e apropriado para o consumo dos crentes precisa ser olhada com cuidado.

Portanto, tome cuidado com as normas sociais que regem sua vida, especialmente aquelas que controlam o exercício da sua vida espiritual.

Com carinho. 

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