PROVANDO A EXISTÊNCIA DE UM DEUS CRIADOR

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Imagine que você foi convocado para ser jurado num julgamento criminal que irá definir se é possível condenar alguém por um crime. Você sabe que precisará analisar as provas juntadas pela acusação e ver se elas são convincentes – se forem, você votará pela condenação, caso contrário irá absolver o acusado.

Agora, imagine que esse julgamento objetive definir se há provas suficientes para estabelecer que alguém criou o universo e tudo que nele há. Ou seja, trata-se de dar um veredito para definir se foi Deus mesmo o responsável pela criação do Universo, incluindo a vida.

Os ateus insistem que não há provas disso – basta ler os livros de Richard Dawkins, o mais famoso dentre eles, para ser bombardeado com uma série de declarações estabelecendo que acreditar em Deus é bobagem pura e simples.

Infelizmente muitos cristãos, por falta de conhecimento, acabam aceitando a tese de que não é possível provar a existência de Deus. Na verdade, aceitar essa premissa é fazer o jogo dos ateus, pois não é verdade que a existência de Deus não possa ser provada.

A existência de Deus pode ser sim estabelecida, desde que mantenhamos as expectativas corretas de como isso pode ser feito. É claro que não podemos esperar ter testemunhas oculares da criação do universo ou da vida – não será possível buscar isso. É preciso tomar outro caminho. Mas isso não significa que se trata de tarefa impossível.

Provas diretas ou circunstanciais? 

Vou começar, lembrando que existem dois tipos de provas que podem ser usadas num julgamento criminal: diretas e circunstanciais. O primeiro tipo é composto pelas evidencias que atestam diretamente o que aconteceu. Por exemplo, um testemunho ocular confiável sobre quem cometeu o crime, o DNA do suspeito no corpo da vítima, etc.

É claro que nem sempre é possível ter esse tipo de prova por isso os promotores recorrem a outro tipo: provas circunstanciais. Trata-se daquela prova através da qual se infere a autoria do crime, por ser a explicação mais viável para a situação.

Agora, provas circunstanciais só funcionam bem de forma cumulativa – quantas mais delas forem acumuladas, mais forte fica o caso contra o acusado.

Uma única prova direta – por exemplo, o DNA no corpo da vítima – pode ser suficiente para provar que determinada pessoa é culpada. Mas serão necessárias muitas provas circunstanciais para construir um argumento forte para condenar alguém.

Por exemplo, vamos imaginar que haja uma testemunha de do crime que consiga apenas dar uma descrição aproximada do assassino – por exemplo, alto, moreno, forte e com cabelo curto. Assim, se um suspeito não bater com tal descrição, já se sabe que essa pessoa é inocente. Mas se o suspeito for parecido com a descrição da testemunha, isso não provará definitivamente sua culpa, mas somará alguns pontos nesse sentido.

Álibi é outra prova circunstancial: se a pessoa tem álibi adequado, fica claro que é inocente. Se não tem um bom álibi, isso não prova que é culpada, mas tal lacuna soma mais pontos na direção da culpabilidade.

Vamos imaginar ainda que o suspeito tem um carro igual ao que foi visto no local do crime.  Trata-se de mais um ponto a favor da culpabilidade. Digamos também que se conhece outro detalhe importante: o criminoso calçava botas de couro verde. E vamos imaginar que uma busca na casa do suspeito encontre botas desse tipo. Essa prova soma mais pontos em direção à culpabilidade.

Juntando tudo: o suspeito não tem álibi, sua descrição bate com a do assassino, dirige um carro igual ao visto no local e tem botas iguais às percebidas nos pés do assassino. Aí as coisas começam a ficar complicadas para o suspeito. Mais algumas provas circunstanciais desse tipo e os(as) jurados(as) terão condições de condenar o acusado sem medo de cometer uma injustiça.

Provas circunstancias, portanto, funcionam por acumulação – nenhuma prova sozinha consegue provar a culpa do acusado, mas o conjunto delas apontando numa mesma direção pode sim comprovar a autoria do crime e levar à condenação. E esse tipo de abordagem é amplamente usado no julgamento de crimes.

E é assim que a existência de um deus criador pode ser provada. Ninguém estava presente quando o universo foi criado ou quando a vida começou a existir, portanto, não há provas diretas da existência de Deus. Precisamos recorrer a provas circunstanciais.

As provas de que Deus criou o mundo

Será que há provas circunstanciais suficientes para provar que Deus criou o mundo? Sim e as provas são bem convincentes.

Num debate ocorrido na Universidade Purdue, nos Estados Unidos, cerca de dois anos atrás, o filósofo William Craig Lane apresentou 8 diferentes provas circunstanciais fortes de que Deus criou o universo e a vida. Não é pouca coisa.

Não tenho espaço aqui para discutir todas elas, assim vou me restringir a três, para dar uma ideia para você de como esse argumento pode ser construído:

  • O universo teve início (não é eterno) – esse é um fato comprovado pela ciência, com base na descoberta do Big Bang. Ora, o universo não pode ter surgido do nada, pois isso não é possível, nem lógico. Foi preciso haver uma força incomensurável para conseguir fazer isso. Os ateus não tem uma explicação para o surgimento do universo, mas nós temos: essa força é Deus (veja mais).
  • O funcionamento do universo é corretamente descrito através de equações matemáticas – por exemplo, o Boson de Higgs (a partícula de Deus), observado poucos anos atrás (veja mais), foi prevista muito tempo antes por um físico com base em fórmulas matemáticas por ele desenvolvidas. Ora, não seria razoável imaginar que um universo formado por mero acaso – como postulam os ateus – possa ter esse tipo de organização. Foi necessária uma mente muito sofisticada para estruturar tal organização. E que mente pode ter sido essa? Os cristãos têm a resposta: Deus.
  • A existência do código genético como o mapa para a vida – o DNA é formado por enorme quantidade de informações organizadas de maneira impecável. Depois que os cientistas conseguiram decifrar esse código, passaram a poder modificar organismos de todos os tipos. Os ateus creditam a formação do DNA ao simples acaso (com base na teoria da evolução descrita por Darwin). Mas informação nunca é organizada por acaso – é preciso sempre ter uma mente inteligente por trás. E no caso do DNA, foi necessária uma mente extremamente sofisticada. E a explicação cristã para isso é Deus.

Acho que já deu para você perceber que essas são provas circunstanciais fortes e cumulativamente apontam para Deus. É muito pouco razoável imaginar que o início do universo (via Big Bang), a existência do DNA regendo a vida e a organização “matemática” do universo possam ter ocorrido por simples acaso. A probabilidade disso tudo ter acontecido sem planejamento é simplesmente desprezível.

E a essas provas se juntam diversas outras, por exemplo a formação da consciência humana (que não pode ter vindo de compostos químicos, como querem os ateus) ou a organização do universo para permitir o desenvolvimento da vida na terra (o chamado princípio antrópico) (veja mais). Assim, é praticamente impossível deixar de reconhecer que há provas suficientes para apontar para um deus criador.

Com carinho

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Jorge

Boas! Para os seus leitores, que não conhecem o argumento cosmológico de Kalam, é o que William Craig Lane utiliza normalmente nos seus debates, em que no seu corolário a causa primeira é Deus, no caso cristão, não Hindu. No seu primeiro ponto recomendava a ver o debate com Lawrence Krauss, físico teórico, entre outros para se informar a respeito sobre “Foi preciso uma força incomensurável para conseguir fazer isso”. Quanto ao argumento cosmológico de Kalam no qual você não deu nome ao seu ponto “O universo teve início”, como acho que deve estar informado, esse silogismo sofre da falácia… Read more »

Vinicius Moura

Há várias coisas que posso comentar em relação às suas observações. mas vou me limitar a duas. Em primeiro lugar, o argumento Kalam. Acho que você não entendeu esse argumento. Ele diz que tudo que teve início precisou ter uma causa. Ora, se universo fosse eterno – portanto, não tivesse início – não seria preciso estabelecer uma causa para ele. É por isso que tantos ateus tentam defender a tese da eternidade do universo. Mas o universo teve início, conforme demonstra a teoria do Big Bang, portanto, é preciso procurar uma causa para ele. Não é possível, como dizem alguns… Read more »

Jorge

Caro Vinicius, eu estou “farto” de ver os debates de William Craig Lane e sei como ele desenvolve o seu caso cumulativo para a existência de um Deus criador através do argumento cosmológico de Kalam, no caso um Deus cristão, não um Deus Hindu. Mais uma vez reforço a contextualização da religião cristã e não de outra. Ponto muito importante, pois Craig não é um simples deísta, ele contextualiza-se na buracracia cristã para suportar os seus argumentos sobre a existência de Deus. Eu entendo muito bem o argumento cosmológico de Kalam. Ele simplesmente conclui que o Universo teve uma causa… Read more »

Jorge

Quando diz “Foi preciso uma direção geral para que o processo funcionasse” simplesmente está a provar o padrão comum dos humanos de definir/procurar respostas intuitivas para todas as questões difíceis. Newton, também, nos limites do seu conhecimento científico “injetou” Deus para preencher o vazio…

Vinicius Moura

A tese da eternidade do universo é ferozmente defendida por muitos ateus. Se você acompanhar o debate sobre a teoria dos universos múltiplos ("multiverse") verá essa ideia sendo defendida. O conceito, nunca provado por qualquer experimento científico, permanece vivo apenas porque encontra uma "solução" que compatibiliza o Big Bang com a eternidade do universo. A tese de que não faz sentido ter uma regressão ao infinito de causas e, portanto, é preciso haver uma "causa não causada" nada tem de intuitiva e nunca foi defendida por Newton. Muitos cientistas, mesmo ateus, aceitam esse conceito. A discussão então se transfere para… Read more »

Jorge

O multiverso que você refere é uma mera especulação/hipóstese científica. Não existe sequer um modelo matemático que o descreva por parte dos físicos como refere. Portanto os Ateus, ou melhor empregando o sujeito aos seus méritos, a forma como os físicos(Ateus/Teístas) teóricos especulam sobre a hipótese pode ser feroz mas não regula a previsibilidade de tudo o resto provado no conhecimento científico ou afazeres humanos sem que se prove o peso dos seus méritos. Já em outros campos de pseudo-conhecimento o mesmo princípio já não é tão válido, se é que me faço entender… Quanto à minha referência a Newton,… Read more »

Anônimo

Que Deus continue lhe usando! Muito bom!