PROCURE PELO LÍDER RELIGIOSO CERTO

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A grande maioria dos cristãos tem algum líder religioso na sua vida. Normalmente, trata-se do pastor ou pastora da igreja que a pessoa frequenta. Mas, também pode ser um/a professor/a de escola dominical ou outra pessoa com ministério de atendimento.

Um líder religioso bom – fiel aos ensinamentos da Bíblia e comprometido com o Reino de Deus – pode ser uma enorme bênção. Mas um mau líder pode causar enorme estrago espiritual na vida das pessoas. Daí a enorme importância de saber escolher bem, de encontrar a pessoa certa para influir na sua vida espiritual. E o Novo Testamento tem a muito a ensinar a esse respeito.

O povo judeu, na época de Jesus, tinha muitos líderes religiosos diferentes, que acreditavam e lutavam por coisas diferentes. Olhando de fora, todos pareciam querer a mesma coisa – servir a Deus e o bem do povo judeu -, mas na prática a situação era bem diferente. 

O primeiro grupo de líderes religiosos era formado pelos principais sacerdotes, também conhecidos como saduceus. Havia um acordo tácito entre esse grupo e o governo romano, mediante o qual os saduceus ajudavam a manter a ordem e garantiam a colaboração do povo judeu e, em troca, os romanos respeitavam seu status social e lhes garantiam liberdade para conduzir seus negócios. E os principais sacerdotes enriqueciam, por exemplo, com a venda de animais para os sacrifícios realizados no Templo de Jerusalém. 

E os saduceus justificavam seu acordo com os romanos alegando estar protegendo o povo judeu da violência dos conquistadores. Entendiam estar ajudando a manter a paz e a estabilidade, em benefício de todos. 

Existem vários líderes religiosos hoje em dia que agem com os saduceus. Eles negociam seu apoio a políticos, durante os períodos de eleição, em troca de vantagens futuras (indicação de protegidos para cargos, participação em contratos governamentais e outras coisas assim). Esses líderes acalmam suas consciências exatamente como os saduceus faziam, alegando estar promovendo políticos comprometidos com causas cristãs e ajudando a promover a paz e a estabilidade. 

Outro grupo de líderes religiosos no tempo de Jesus era formado pelos fariseus. Esses homens seguiam a religião judaica de forma muito estrita e legalista. Eles eram grandes conhecedores das leis contidas na Torá (os cincos primeiros livros do Velho Testamento) e daí vinha seu prestígio junto às pessoas comuns.

Mas, os fariseus queriam impor sua forma de religião aos outros e isso era fonte permanente de atrito com quem pensava de forma diferente deles.  Eles queriam que as pessoas se comportassem exatamente da forma como entendiam ser a certa, taxando quem vivia de forma diferente de pecador/a. Por isso Jesus teve vários embates teológicos com os fariseus, pois Ele se recusou a aceitar a religião legalista que os fariseus defendiam. 

Há vários líderes cristãos que agem como os fariseus. Eles até prestam bons serviços à obra de Deus – e daí vem seu prestígio entre o povo cristão – mas tentam impor suas ideias legalistas, exigindo das demais pessoas que se comportem exatamente da forma como pensam ser a certa. E quem vive de forma diferente é imediatamente ameaçado/a com o Inferno.  

O líder cristão do tipo “fariseu” comete o grave erro de distorcer o espírito do cristianismo, que é uma religião libertadora, tornando-a uma prática opressora. E acabam incentivando a hipocrisia, mesmo sem perceber – as pessoas procuram ficar bem seu líder cultivando uma imagem exterior comportada, enquanto são bem diferentes no seu interior. 

O terceiro tipo de líder religioso no tempo de Jesus era o zelota. Essa liderança não aceitava a dominação romana e defendia o uso de qualquer meio, inclusive a violência, para tentar mudar a situação. Por pensar assim, acabaram por agir sem medir as consequências para o povo judeu – eles promoveram duas revoltas armadas contra os romanos, duramente reprimidas, que causaram grande mortandade, levaram a destruição do Templo de Jerusalém e eventualmente ao exílio dos judeus da Palestina.

Os zelotas atualmente são aqueles líderes que trazer mudanças para o meio cristão, até pelos motivos certos, mas fazem isso sem medir as consequências. Não se preocupam em preservar o que existe, pois a tradição parece ser um erro. E aí mudam as interpretações teológicas tradicionais, que deram origem à identidade dos grupos religiosos que lideram, sem medir consequências. Destroem sem qualquer preocupação as estruturas existentes e até colocam as pessoas que discordem das suas ideias para fora das comunidades que dirigem, tudo bem com a justificação de estar fazendo as mudanças necessárias.

Eles acabam deixando no seu rastro pessoas espiritualmente feridas e igrejas divididas – um cenário desolador. Lembro do caso de um pastor que se tornou o dirigente maior de certa denominação evangélica carismática. Ele chegou à conclusão, não sei bem por qual razão, que as mulheres não deviam ser ordenadas pastoras, coisa que até então permitida naquela denominação.

Ora, havia muitas mulheres ordenadas dentro daquele grupo religioso e o sofrimento causado a essas pastoras foi enorme. Penso que essa denominação nunca se recuperou totalmente do trauma causado naquela época e hoje é uma sombra daquilo que já foi.

O quarto grupo e último grupo de líderes religiosos na época de Jesus era os essênios. Esses homens eram contra tudo e todos. Por causa disso resolveram se afastar da sociedade e passaram a viver em isolamento, em comunidades como a de Quram, onde foram encontrados os famosos manuscritos do Mar Morto.

Os essênios eram pacíficos e nunca criaram grandes problemas, mas sua recusa em se envolver nos problemas diários do povo judeu, tornou-os inúteis. Nada produziram de positivo.

O líder religioso do tipo “essênio” hoje em dia é aquele que vê a sociedade  imersa no pecado e nada quer ter com ela. Não aceita que seus seguidores vejam televisão, ouçam música secular ou socializem com as demais pessoas. Ficam quietos no seu canto, por ser mais confortável, mas não produzem mudanças. 

Ora, Jesus ensinou que os cristãos deveriam ser o sal da terra, ou seja, precisariam mudar o gosto da “comida”. Alterar a realidade da sociedade onde estiverem inseridos. E esse ensinamento entra em choque com a postura “essênia”, de distanciamento das coisas do mundo.

Jesus trouxe uma liderança religiosa diferente desses quatro tipos. Não fez acordos com os poderosos para facilitar sua própria vida, como os saduceus – por isso acabou morto numa cruz. Não procurou impor às pessoas uma religião legalista, como faziam os fariseus, pois pregou o perdão e a misericórdia para os pecadores. Foi um pacifista e pregou a mudança da sociedade por uma revolução no interior das pessoas – a conversão verdadeira -, nunca pela violência física, como desejavam os zelotas. Mas, também não se isolou do mundo, como faziam os essênios. Ele participou ativamente da sociedade à sua volta, tanto assim que seu primeiro milagre foi feito numa festa de casamento.

Inspire-se do modelo de Jesus para procurar seu líder religioso. Claro que ninguém será perfeito como Ele foi, mas você deve notar no seu líder um esforço verdadeiro para se aproximar desse modelo. 

Com carinho

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