POR QUE MATARAM JESUS?

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Você sabe porque mataram Jesus? Isto é, porque os poderosos daquela época resolveram matar de forma tão horrível alguém que nunca fez mal aos outros? Para explicar isso, vamos começar lendo um texto do Evangelho de Marcos:

Chegando a Jerusalém, Jesus entrou no templo e ali começou a expulsar os que estavam comprando e vendendo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas e não permitia que ninguém carregasse mercadorias pelo templo. E os ensinava, dizendo: “Não está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? Mas vocês fizeram dela um covil de ladrões”. Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei ouviram essas palavras e começaram a procurar uma forma de matá-lo, pois o temiam, visto que toda a multidão estava maravilhada com o seu ensino. Marcos capítulo 11, versículos 15 a 18

Encontrar a razão pela qual mataram Jesus é muito importante porque nos permite entender melhor o que aconteceu durante a Semana Santa, ou seja, o período de tempo que vai do Domingo de Ramos, quando Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém, até sua crucificação, na Sexta-Feira Santa. Um período de tempo que mudou a história da humanidade para sempre.

A resposta que buscamos está na elite religiosa judaica no tempo de Jesus, que foi o principal agente da sua morte. Esse grupo de pessoas era formado pelo sumo-sacerdote e outros sacerdotes importantes, bem como pelos intérpretes da Lei Mosaica que os assessoravam. Eles tiravam seu grande poder do controle que tinham sobre o Templo de Jerusalém, centro da religião judaica.

Todas as grandes comemorações religiosas – por exemplo, do Dia do Perdão, ou Yom Kippur – tinham como centro o Templo de Jerusalém. Além disso, eram exclusivamente ali que os sacrifícios de animais previstos na Lei Mosaica podiam ser realizados. Portanto, quem controlava o Templo, também controlava a religião judaica. Simples assim. 

E o controle do Templo também proporcionava lucros enormes. Primeiro, porque todo judeu tinha que pagar uma taxa para o Templo. E os líderes  religiosos estabeleceram que essa taxa precisava ser paga numa moeda pouco usada – a didracma de Tiro. Como as pessoas comuns não tinham acesso a tal moeda, elas iam até Jerusalém levando a quantia devida na moeda corrente onde viviam e faziam ali o câmbio para a moeda aceita pelos sacerdotes. Por isso existiam mesas de cambistas no pátio do Templo.

E quem dominava essas mesas de câmbio? Tenho certeza que você adivinhou a resposta certa: a liderança religiosa. E os sacerdotes auferiam enorme lucro com isso.

Além disso, somente podiam ser usados nos sacrifícios feitos no Templo animais considerados apropriados (sem defeitos, sem manchas, etc). E eram os sacerdotes que estabeleciam quais animais eram ou não adequados.

Como as pessoas não queriam correr o risco de ir até o Templo – muitas vezes vindas de locais distantes -, levando um animal que poderia ser rejeitado, consideravam mais prático levar o dinheiro necessário e comprar em Jerusalém os animais certificados com o “selo de aprovação” dos sacerdotes. E quem vendia esses animais “certificados”? Você acertou de novo: os líderes religiosos, que enriqueciam com isso.

O Templo de Jerusalém, portanto, era a fonte de poder político e de lucro da elite religiosa judaica, que não se constrangia em explorar seu povo para enriquecer. 

feita essa explicação, podemos voltar aos fatos da Semana Santa. No Domingo de Ramos, Jesus entrou em Jerusalém, saudado pelo povo judeu (Marcos capítulo 11, versículos 1 a 11). Ele comprovou ali ser muito popular e, portanto, o que Ele dizia e fazia atraia a atenção de todos. 

No dia seguinte ao Domingo de Ramos, Jesus foi até o Templo e viu no pátio inúmeros cambistas de moedas e vendedores de animais fazendo seu comércio vergonhoso – a expressão que Ele usou para falar sobre aquela situação foi que o Templo tinha se tornado um “covil de salteadores”.

E Jesus fez um gesto de enorme importância simbólica: expulsou aqueles comerciantes e purificou o Templo. Essa ação foi apenas simbólica pois o pátio era enorme e milhares de pessoas transitavam por ali todos os dias – seria fisicamente impossível Jesus ter expulsado todos os comerciantes presentes.

Esse protesto teve grande peso porque colocou o dedo na “ferida”: apontou para um pecado enorme da liderança religiosa, que já era conhecido por todo o povo judeu. Jesus teve coragem e falou abertamente em público aquilo que quase todos criticavam nos bastidores.

Seu ato, de certa forma, significou uma declaração de guerra à liderança religiosa judaica. E isso fica bem claro no final do texto que citei acima, onde está dito que, a partir desse evento, a liderança religiosa decidiu matar Jesus.

Foi por causa do que Jesus fez naquele dia, no pátio do Templo, que uma sentença de morte foi estabelecida sobre Ele. Essa foi a razão pela qual mataram Jesus. E essa sentença cumprida quatro dias depois. Afinal, os principais sacerdotes contavam com o poder e o relacionamento político (com o governador romano, Pôncio Pilates) necessários para conseguir que Jesus fosse pendurado numa cruz.

É razoável concluir também que Jesus sabia disso. Não havia como Ele deixar de ter consciência das consequências dos seus atos. E isso também fica claro na Bíblia: em várias passagens Jesus indicou ter certeza que sua morte estava próxima. Por exemplo, quando foi ungido por uma mulher, na cidade de Betânia, na casa de Simão, o leproso, Jesus afirmou que ela tinha feito aquilo para antecipar sua morte (Marcos capítulo 14, versículo 8).

Essa foi a razão porque mataram Jesus, um homem que não tinha pecados e amou a todos a quem encontrou pelo caminho. Bastou um bando de pessoas poderosas, querendo proteger sua fonte de poder e lucros, para a morte de Jesus ser decretada e executada. 

Com carinho

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