PEDRO, UM EXEMPLO PARA NÓS

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Mateus capítulo 16, versículos 13 a 22 e
capítulo 26, versículos 31 a 35 e 69 a 75. Lucas capítulo 6, versículos 13 e 14.
João capítulo 1 versículos 35 a 44 e capítulo 21, versículos 15 a 18

Gosto muito da
figura do apóstolo Pedro. O que agrada nele é sua humanidade o que o torna muito
parecido comigo ou com você. Suas qualidades e defeitos são bem aparentes no
relato bíblico e não há qualquer intenção ali de “dourar a pílula”.

Pedro “pisou na
bola” muitas vezes – a falha mais conhecida foi ter negado Jesus por três vezes.
Mas não ficou só nisso: ele criou caso com Paulo (conforme o relato da carta
aos Gálatas, capítulo 2, versículos 11 a 16), arrumou confusão com outros
discípulos, queria brigar com os servos do sumo-sacerdote e assim por diante –
um rosário de erros.

Era impetuoso, vigoroso,
emotivo, presunçoso, sem discernimento e medroso. E dava importância demasiada
à opinião das outras pessoas. Mas suas qualidades também eram enormes:
generoso, comprometido e amoroso. E alguns fatos marcantes da sua vida comprovam
isso:

  • Foi o primeiro
    apóstolo a confessar Jesus como o Salvador. 
  • Explicou ao povo em
    Jerusalém o que tinha acontecido no evento do Pentecostes, quando o Espírito
    Santo chegou, dando início à vida da igreja (Atos capítulo 2, versículos 14 a
    36).
  • Abriu as portas da
    igreja para os gentios (não judeus), conforme relato de Atos capítulo 10,
    versículo 44 a capítulo 11, versículo 18.

E foi recompensado por
suas qualidades:

  • Jesus apareceu
    somente para ele, após sua ressurreição (1 Coríntios capítulo 15, versículo 5).
  • Tornou-se um dos mais importantes líderes da igreja cristã, com uma contribuição só comparável à de Paulo.

Conhecemos muitos
detalhes sobre a vida de Pedro. O apóstolo nasceu em Betsaida e se chamava
Simão (Simeão). Foi apelidado por Jesus de Pedro (ou Cefas, em aramaico). Era
casado (Lucas capítulo 4, versículo 38) e seu pai se chamava Jonas (João),
tanto assim que Jesus se referiu a ele como “Simão Barjonas” (a palavra “bar”,
em hebraico, significa “filho”).

O apóstolo foi pescador
no mar (lago) da Galileia, juntamente com o pai e o irmão André. Sua família
trabalhava em sociedade com Zebedeu e seus filhos Tiago e João (Lucas capítulo
5, versículo 10) – é interessante perceber que todos eles, Pedro, André, Tiago
e João tornaram-se apóstolos. 

Pedro morava em
Cafarnaum, à beira do lago da Galileia (Lucas capítulo 4, versículo 38), quando
foi chamado por Jesus para segui-lo. E daí não mais se afastou do Mestre, até
sua morte e ressurreição. Depois, seguiu em frente, já como um dos líderes da
igreja cristã em Jerusalém. Mais tarde mudou-se para Roma, onde morreu, segundo
a tradição, crucificado de cabeça para baixo, por volta de 67-68 da nossa era. Ele
foi bispo da igreja em Roma por cerca de 25 anos.

A figura de Pedro é
alvo de algumas controvérsias religiosas importantes, pois os Católicos Romanos
vêm nele o chefe da igreja cristã. Essa controvérsia nasce na interpretação
divergente da passagem de Mateus capítulo 16, versículos 15 a 19:

E Simão Pedro, respondendo [a Jesus],
disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo,
disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque foi carne e sangue que
te revelaram isso, mas meu Pai, que está nos céus.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a
minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei
as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos
céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus
.



Os Católicos Romanos
leem na frase que começa com “tu és
Pedro
” uma “nomeação” do apóstolo como chefe da Igreja cristã. Já a interpretação dos evangélicos, que eu
sigo, entende ser a tal “pedra”, sobre a
qual a Igreja foi edificada, a fé de Pedro, demonstrada nos versículos
anteriores, onde foi o primeiro a reconhecer Jesus como o Messias.

Por conta da frase
em que Jesus disse ter dado para ele as “chaves do reino dos céu”, os Católicos Romanos
entendem que ele receberá cada um(a) de nós nas portas do Paraíso. Mas isso é um erro pois a referência
de Jesus é claramente alegórica – afinal o céu não tem portas. Jesus se
referiu ao fato que a ação apostólica de Pedro, levando as pessoas à
conversão, seria a chave para a entrada delas no céu. Só isso.   

A transformação espiritual de Pedro

O que aconteceu com
Pedro – passar de pessoa comum, cheia de fraquezas, a herói da fé -, acredito, dá esperanças para
todos. Se ele conseguiu fazer essa transição, eu e você também podemos – essa
transformação está ao alcance de todos(as). Simples assim.

Essa transformação está relatada na Bíblia em muitos detalhes e conseguimos perceber
com clareza cinco fases diferentes. E há avanços e retrocessos, comprovando que o desenvolvimento espiritual das
pessoas não é linear:

  1. Foi chamado para
    ser discípulo e apóstolo e aceitou com entusiasmo.
  2. Discipulado ao longo de três anos de convivência diária com Jesus.
  3. Caiu quando negou
    a Jesus, por ter tido medo (João capítulo 20, versículo 19). E quase se perdeu.
  4. Arrependeu-se e foi recuperado
    pelo próprio Jesus, já depois da sua ressurreição, no episódio em que se
    encontraram numa praia do mar da Galileia (João capítulo 21).
  5. Chegou à maturidade espiritual. Assumiu papel de
    liderança na Igreja, a partir do discurso do Pentecoste. São dessa fase as inúmeras
    curas (Atos capítulo 5, versículos 14 e 15) e a abertura da igreja cristã para
    os gentios, assim como a direção da igreja em Roma – é interessante
    que, a partir de Atos capítulo 15, Pedro praticamente desaparece do relato
    bíblico.

Com carinho

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