PEÇA AJUDA SE PRECISAR

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A crise atual gerou sofrimento nas pessoas – percebo isso claramente nos testemunhos dos frequentadores desse site. O fato é que as pessoas costumam precisar de ajuda e muitas vezes não reconhecem e pedem apoio.

O interessante é que quando conversamos com pessoas que sabemos precisar de ajuda, muitas vezes elas nos dizem que “está tudo bem…”. Elas não se abrem e pedem ajuda.

Pedir e receber ajuda muitas vezes parece sinal de fraqueza, de fracasso na missão ou até mesmo de falta de fé. O orgulho muitas vezes também é um grande obstáculo, especialmente entre os homens.

A chamada “síndrome do Facebook” é uma realidade. Essa síndrome descreve bem o que acontece nas páginas dessa rede social: as pessoas só mostram seu lado bom, charmoso e de sucesso. Raramente elas mostram suas vulnerabilidades e deficiências. E sabemos que esse mundo “sanitizado”, expurgado de todos os problemas e sofrimentos, não existe de verdade. É pura ficção.

Todos os grandes homens e mulheres pediram e receberam ajuda e o mesmo pode ser dito dos heróis da fé cristã. E há muitos exemplos disso na Bíblia – vamos ver dois deles.

O primeiro é Paulo. E ninguém pode alegar que Paulo era um homem fraco, sem fé e dado a ficar se queixando por qualquer coisa. Basta lembrar da descrição que ele mesmo fez em das agruras pelas quais passou durante seu ministério – veja o depoimento em 2 Coríntios 11:23-27:

São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; prisões, muito mais; perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; perigos de rios, de salteadores, dos da minha nação, dos gentios, em perigo na cidade e no deserto, no mar, e entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, vigílias, muitas vezes, em fome e sede, jejum, muitas vezes, frio e nudez. 

Paulo pediu e recebeu ajuda muitas vezes. Vejamos dois exemplos. Um deles aconteceu no ano de 64, meses após o grande incêndio de Roma. O imperador Nero, falsamente, culpou os cristãos pelo incêndio que ele mesmo provocara. Como Paulo era o maior líder cristão em Roma, ele acabou preso.  E foi da prisão que Paulo escreveu aquela que é tida como sua última carta. 2 Timóteo foi dirigida por Paulo ao homem que ele considerava um verdadeiro filho e nesse texto, o apóstolo presta tributo a Onesífero, um amigo fiel (2 Timóteo 1:15-18):

Você sabe que todos os da província da Ásia me abandonaram, inclusive Fígelo e Hermógenes. O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes ele me reanimou e não se envergonhou por eu estar preso; pelo contrário, quando chegou a Roma procurou-me diligentemente até me encontrar. Conceda-lhe o Senhor que, naquele dia, encontre misericórdia da parte do Senhor! Você sabe muito bem quantos serviços ele me prestou em Éfeso.

A principal ajuda que Onesífero prestou a Paulo foi a de lhe fazer companhia, dar apoio emocional e espiritual num momento de muito infortúnio, quando Paulo se sentiu sozinho e abandonado.

E na mesma carta, Paulo relata outros pedidos de ajuda que fez e recebeu (2 Timóteo 4:9-13):

Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica… Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério… E quando você vier, traga a capa que deixei na casa de Carpo, em Trôade, e os meus livros, especialmente os pergaminhos.

O outro exemplo é o próprio Jesus. Não podemos nos esquecer que Ele convocou doze apóstolos para ajudá-lo no seu ministério (Jesus os chamou de “pescadores de homens”). Jesus sabia que seu ministério seria de curta duração e Ele iria precisar de quem desse continuidade ao desenvolvimento da igreja cristã.

Ele também pediu ajuda aos apóstolos mais próximos dele (Pedro, João e Tiago), quando estava no jardim do Getsêmani, na noite em que foi preso. Jesus estava profundamente angustiado e pediu a seus apóstolos que entrassem em comunhão espiritual com Ele (Mateus 26:36-41):

Então Jesus foi com seus discípulos para um lugar chamado Getsêmani e lhes disse: “Sentem-se aqui enquanto vou ali orar”. Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes então: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo”. Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”. Depois, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?”, perguntou ele a Pedro. “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.”

Infelizmente, os apóstolos não estiveram à altura do pedido de Jesus, mas essa é outra questão. O importante aqui é perceber que Jesus reconheceu a necessidade de ter ajuda espiritual e a pediu aos discípulos.

Concluindo, você está em sofrimento? Ou é alguém que você ama quem está sofrendo? Ore e peça ajuda a Deus e garanto que Ele vai responder. O mais provável é que essa ajuda se materialize na forma de alguém levantado por Ele, que se disponha a ouvir, caminhar junto com você, dar sugestões e conselhos, fazer coisas necessárias e assim por diante.

Não se acanhe de precisar dessa ajuda. Deixe o orgulho de lado. Esqueça da sensação de fracasso ou de falta de fé. Até Jesus e Paulo buscaram e receberam ajuda.

Precisar de ajuda? Por que você não pode?

Com carinho

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