PAI OU JUIZ: QUAL A MELHOR FORMA DE ENTENDER DEUS?

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É mais correto entendermos Deus como um Pai ou um Juiz? Qual será a visão mais correta? Vamos analisar essa questão mais de perto.

O Deus que me ensinaram a conhecer na infância era muito diferente da da forma como Ele é normalmente visto nos dias de hoje. 60 anos atrás, Deus era tido uma figura severa, que tudo via e julgava. Era como se as pessoas vivessem na casa do “Big Brother”, ou seja vigiadas o tempo todo. Deus era visto primordialmente como um Juiz e o medo do Juízo Final – a condenação ao inferno – era uma realidade bem presente. E não era por acaso que os sermões dominicais dos pastores falavam muito sobre isso. 

Mas houve uma grande mudança na forma de ver Deus e acredito para melhor, desde que deixemos alguns exageros de lado. O que prevalece hoje em dia é a figura de Deus como Pai. E os ensinamentos teológicos procuram aproximar as pessoas desse Pai e incentivar um relacionamento amoroso e agradável das pessoas com Ele. 

Basta ver os hinos que cantamos hoje em comparação com aqueles que cantávamos muito tempo atrás. Antigamente sempre apontavam para a distância que há entre Deus e os homens. Um hino famoso da época diz assim: “Santo, Santo, Santo, Deus onipotente Deus soberano, Excelso Criador“.

Onipotência, santidade absoluta, excelência e outros atributos ressaltados nesse hino não estão ao alcance dos seres humanos. Somos muito limitados em relação a esses padrões. A distância entre Deus e nós é gigantesca.

Já a maioria dos hinos atuais falam da relação das pessoas com Deus e da necessidade que elas têm da presença d´Ele. Em outras palavras, esses hinos procuram ressaltar aquilo que nos aproxima de Deus: seu amor, sua graça, etc. Um exemplo típico é o conhecido hino: “Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai…” Repare como o tom é bem diferente.

Acho que isso é um avanço e por duas razões. Primeiro porque é muito mais fácil se aproximar e amar um Deus que é Pai. Ou seja, o cristianismo hoje chega de forma positiva aos corações e mentes das pessoas. Não age em cima do medo da condenação divina, mas apela para a alegria e a realização de ter a vida preenchida pela relação estreita com um Ser magnífico. 

Não há dúvida que as pessoas hoje se comportam de forma bem mais relaxada nas igrejas. E eu gosto de ver isso. Gosto de ver as pessoas rindo e brincando e se comportando como se estivessem na sua própria casa. Afinal, é isso mesmo que a igreja deve ser: o lar da família que está em Cristo. 

A segunda razão que me faz gostar dessa mudança é a percepção que existe um Pai a quem posso recorrer. Saber que existe um “colo” onde posso me recolher quando inseguro. E ter certeza que há alguém que se alegra com as minhas alegrias e se entristece com minhas derrotas.

Mas existe um problema com essa abordagem mais “light” de Deus: a falta de  percepção da sua Majestade e Glória. Embora seja um Pai especial, Deus também é o criador de tudo que existe. E é um Ser sagrado e puro, que não suporta o pecado.

E a perda da percepção da nossa pequenez diante de um Ser tão fabuloso gera excessiva informalidade no trato com Ele. E também a percepção errada que Deus vai atender tudo que pedimos, como se fosse nosso auxiliar de luxo. Também perdoar sempre qualquer erro nosso, não importa o que viermos a fazer. 

E Deus definitivamente não funciona assim. Portanto, olhar para Deus dessa forma gera um relacionamento desequilibrado. Deus é Pai sim, mas um ser sagrado, puro e que não tolera o pecado. E pune o pecador que se recusa a mudar seu comportamento. Essa é uma visão mais equilibrada de Deus.

Com carinho 

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