OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

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Vamos falar hoje sobre os últimos dias da vida de Jesus, que conhecemos como semana santa.

Duas procissões entraram em Jerusalém no domingo que antecedeu à Páscoa dos judeus (hoje conhecido como Domingo de Ramos). Em uma delas, Jesus ia montado num burrico, saudado pelo povo (Marcos capítulo 11, versículos 1 a 11). Na outra, Pôncio Pilatos, Governador da Judeia, trazia tropas para reforçar a guarnição de Jerusalém durante o período de festas religiosas dos judeus. Os romanos tinham medo de possíveis desordens na cidade, pois a comemoração da Páscoa atraia centenas de milhares de peregrinos judeus a Jerusalém.

Pilatos foi recebido com frieza e antagonismo, pois representava o opressor. Já Jesus foi saudado com gritos de “hosana”, que significava, na língua hebraica, “salva-nos por favor”. Era um pedido de socorro dos judeus, oprimidos pelo jugo romano, esperando a intervenção de Deus.

E é preciso ainda lembrar que o nome de Jesus (Yehoshua) significava “Deus salva” e, certamente, fez conexão entre as duas palavras: o grito de socorro (hosana) e o nome de quem iria trazer o socorro (Yehoshua).

No dia seguinte à sua entrada triunfal em Jerusalém, uma segunda-feira, Jesus purificou simbolicamente o Templo de Jerusalém, expulsando comerciantes e cambistas que faziam comércio naquele lugar, desvirtuando seu sentido de casa de adoração (Marcos capítulo 11, versículos 15 a 19).

Na terça-feira, aconteceu uma grande batalha espiritual entre Jesus e as autoridades religiosas judaicas, por causa do que tinha se passado no domingo e segunda-feira. Aconteceram vários embates verbais, onde a liderança religiosa dos judeus sempre questionou a autoridade de Jesus (Marcos capítulo 12, versículos 13 a 17 e 27 a 34). Jesus, como sempre, deu respostas brilhantes àqueles que o questionavam.

Dois fatos marcaram a quarta-feira. O primeiro deles foi o pacto de traição que Judas fez com as autoridades religiosas (Marcos capítulo 14, versículos 1 a 11). Judas recebeu trinta moedas de prata para trair Jesus. E essa traição era imprescindível pois alguém precisaria identificar Jesus com toda certeza e também dizer onde Ele poderia ser encontrado, para que fosse possível prendê-lo longe dos olhos do povo. 

Ainda na quarta-feira, Jesus foi ungido por Maria, irmã de Lázaro (Marcos capítulo 14, versículos 3 a 9). Ela usou um perfume muito caro e recebeu críticas de alguns discípulos, especialmente de Judas, pois a fragrância usada nesse ato tinha custado o equivalente a 10 meses de trabalho de um operário. Apesar da murmuração, Jesus aprovou a ação de Maria, pois sabia que simbolicamente ela o estava ungindo em preparação para sua morte e sepultamento próximos.

A quinta-feira marcou o início do período da Páscoa (Marcos capítulo 14, versículos 12 a 16). Jesus orientou alguns discípulos que fossem à Jerusalém e conversassem com determinada pessoa, com quem Ele já havia acertado a cessão de uma casa para a realização da sua última ceia. O sigilo era importante, pois caso Judas soubesse antecipadamente sobre esse local, poderia precipitar a prisão de Jesus.

A ceia de Páscoa celebrava a saída do povo judeu do cativeiro do Egito (Êxodo 12) e era comemorada em família. Todos comiam um cordeiro, sacrificado de acordo com os ritos apropriados, recitando trechos do livro do Êxodo. Jesus expandiu o significado dessa cerimônia para abranger seu sacrifício. Foi aí que Ele instituiu a Santa Ceia, que tomamos até hoje, em memória dele. Nesse sacramento, o pão significa seu corpo e o vinho seu sangue (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26).

Ao terminar a ceia, Jesus e os onze discípulos restantes foram rumo ao Jardim que ficava no pé do monte das Oliveiras. Judas saíra antes, para cumprir seu papel diabólico. Ali, algum tempo depois, Jesus foi preso por soldados do Templo de Jerusalém, guiados por Judas. O traidor deu um beijo em Jesus, que era o sinal combinado para sua identificação.

Pedro, sabendo que Jesus tinha sido levado para a casa do sumo-sacerdote, seguiu-o até lá. Em dado momento, questionado por uma simples serva, se era um dos discípulos de Jesus, Pedro negou três vezes o seu mestre, pois teve medo (Marcos capítulo 14, versículos 66 a 72).

Na madrugada da sexta-feira, houve um simulacro de julgamento de Jesus (Marcos capítulo 14, versículos 53 a 65), onde os procedimentos legais não foram seguidos. Isso porque os líderes religiosos judeus tinham pressa de condená-lo, antes do começo do sábado (o que ocorreria ao cair do sol).

Por volta das 6 horas da manhã, Jesus foi levado a Pilatos, sob o pretexto que os líderes judeus não tinham poderes para condená-lo á morte. Isso era falso, pois poucos anos depois, Estevão foi apedrejado como herege (Atos dos Apóstolos capítulo 4, versículo 5 até capítulo 6, versículo 15). Na verdade, o sumo-sacerdote sabia que estava fazendo algo errado e queria dividir a culpa com os romanos. Queria esconder-se atrás do poder dos conquistadores.

Pilatos ficou diante de um dilema: devia seguir seu dever, libertando Jesus, pois não via crime nele? Ou seguir seu interesse, pois seria de boa política atender os líderes religiosos judeus? Acabou ficando com o seu interesse e entregou Jesus para ser crucificado (Marcos capítulo 15, versículos 1 a 15).

A crucificação era um suplício horrível, no qual a vítima morria lentamente, por asfixia. No caso de Jesus, ainda houve um componente de sofrimento adicional: a carga espiritual que pesou sobre Ele. Jesus tomou sobre si nossos pecados e se fez maldição por nós (Gálatas capítulo 3, versículo 13).

Jesus ficou mais ou menos 6 horas na cruz, entre 9:00 e 15:00 horas. Durante sua agonia, houve trevas sobre a terra (Marcos capítulo 15, versículos 33 a 41), caracterizando aquele como o mais terrível dia da história humana. E o véu do Templo de Jerusalém, que separava o Santo Lugar do Santíssimo Lugar (onde ninguém podia entrar), rompeu-se (Marcos capítulo 15, versículos 38 e 39). O significado disso é que, a partir daquele momento, o ser humano passou a poder chegar diretamente a Deus, sem intermediários, mediante o sacrifício de Jesus.

Depois que Jesus morreu, seus seguidores tiveram a difícil tarefa de conseguir realizar seu sepultamento em 3 horas apenas, pois após as 18:00 horas (o cair do sol) começaria o sábado e todas as atividades teriam que ser paralisadas. Se não tivessem sucesso,  o corpo de Jesus ficaria pendurado na cruz até o domingo, ao sabor das aves de rapina e dos cães vadios.

José de Arimatéia, membro do Sinédrio, e seguidor de Jesus, pediu a Pilatos a liberação do corpo e cedeu a sepultura da sua família, que ainda não tinha sido usada para depositar o corpo (Marcos capítulo 15, versículos 42 a 47). E Jesus foi enterrado no limite do tempo disponível e tanto foi assim que a preparação do corpo foi feita às pressas, sem seguir todos os ritos tradicionais.

E foi esse o túmulo encontrado vazio no domingo, o dia da ressurreição. Glórias a Deus por isso.

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