OS FINS, OS MEIOS E O PROCESSO DO MENSALÂO

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O processo do “mensalão” vai chegando ao seu final, depois de despertar grande interesse do público e dos meios de comunicação. Mas meu tema aqui não é a questão do saneamento das práticas políticas brasileiras – embora eu torça muito para que isso aconteça. 

Vou falar de algo que me chamou atenção ao longo do processo judicial: pelo menos um dos réus – refiro-me a José Genoino – tem perfil diferente dos demais, levando vida modesta e tendo uma história de vida bonita, marcada pela luta a favor da democracia e da justiça social.

Então, como é possível que uma pessoa assim entre numa “roubada” dessas, participando de algo em desacordo com sua própria história de vida? Acho que esse é mais um caso de erro com base no princípio “os fins justificam os meios”. 

Penso que o que aconteceu nesse caso foi mais ou menos o seguinte: como o dinheiro ia ser usado para uma boa causa – manter no controle do Governo Federal um partido que Genoino acreditava privilegiar corretas -, era razoável ser “flexível” quanto à forma a ser usada para conseguir e distribuir esse dinheiro. Como a causa era nobre, não importava muito os meios usados para realizá-la com sucesso.  

Esse mesmo tipo de erro esteve presente muitas vezes na história do cristianismo. Por exemplo, na Idade Média, os cristãos acreditavam que aqueles que não eram batizados iam direto para o inferno. Daí era elogiável fazer qualquer esforço no sentido de batizar o maior número possível de pessoas, mesmo que fosse preciso empregar a força. E, por causa, índios, judeus, africanos e outras populações não cistãs sofreram graves perseguições e abusos.

Infelizmente também há muitos exemplos atuais para apresentar: agressão a pessoas consideradas “pecadoras” (por exemplo, gays e prostitutas), assassinato de médicos que realizaram abortos, invasão e destruição de terreiros de religião afro, etc. E a lógica é sempre a mesma: para combater um mal ou fazer um bem, vale qualquer coisa.

Ora, a Bíblia nos ensina postura totalmente diferente. Numa religião calcada no amor ao próximo, nunca deve ser possível esquecer a qualidade dos meios usadaos para se chegar a determinado fim. Fazer o bem ou evitar um mal não justifica desenvolver ações erradas aos olhos de Deus. Isso simplesmente contraria o cerne daquilo que Jesus ensinou e viveu. 

Nesse momento em que vemos diversos políticos sendo condenados pela justiça, alguns até com possibilidade de ir para a cadeia, ao invés de exultarmos com a desgraça dessas pessoas, melhor seria refletir sobre os erros cometidos por eles – como procurei fazer neste texto -, para não seguirmos também por caminhos errados. 

Com carinho

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