OS ENSINAMENTOS DE JESUS DIFÍCEIS DE ACEITAR

0
468

Há ensinamentos de Jesus que são difíceis de aceitar. Alguns – como aquele que nos manda amar os nossos inimigos – eu sinceramente preferiria que Ele nem tivesse nos dado. 

Agora, Jesus deve ter tido bons motivos para nos dar cada um desses ensinamentos, pois Ele não fez nada de forma gratuita. Sendo assim, precisamos procurar entender seus, pois fica mais fácil obedecer suas orientações. 

Vou, então, tentar esclarecer a lógica que Jesus seguiu para nos dar cinco ensinamentos difíceis, todos bem conhecidos:

Ame seus inimigos 
(Mateus capítulo 6, versículos 43 a 45)

Eu já disse diversas vezes aqui no blog que vivemos sob a lei do amor – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (veja mais). Segundo o próprio Jesus, a lei do amor resume tudo o que a Bíblia ensina.

E o mandamento de amar os inimigos se encaixa dentro do amor ao próximo – faz sentido dentro do quadro geral da lei do amor. É evidente que se todos amassem seus inimigos, existiria muito menos violência e o mundo seria muito melhor e mais seguro. Acho que ninguém tem dúvidas quanto a isso.

Mas como fazer para amar um inimigo? Na verdade, o mandamento não se refere à construção de tal tipo de sentimento, pois ninguém pode dar ordens para o próprio coração. A ordenança é para agirmos, mesmo com nossos inimigos, como se tal amor existisse, em outras palavras tratar a todos como gostaríamos de ser tratados. 

Assim, nos cabe orar pelos nossos inimigos, não buscar vingança contra eles(as), ajudá-los(as) se estiver a nosso alcance, e assim por diante. E se fizermos tudo isso, em termos do resultado final, tudo terá se passado como se o amor existisse de fato.

Esse mandamento não significa que devemos nos colocar sem proteção nas mãos dos nossos inimigos, pois eles(as) podem não seguir o mesmo princípio de vida. É claro que precisamos ser prudentes e tomar as medidas de proteção necessárias.

Perdoe para que você seja perdoado(a) 
(Mateus capítulo 6, versículo 12)

A oração do “Pai Nosso” diz em certo trecho: “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoados os nossos devedores“.

Repetimos essa oração inúmeras vezes, quase sempre sem prestar atenção no que estamos declarando. E há duas coisas importantes sendo ditas aí: a primeira é a certeza de que Deus perdoa e a segunda, o pedido para sermos perdoados na mesma medida em que viermos a perdoar. 

Portanto, se você já fez a oração do “Pai Nosso”, você pediu a Deus: perdoe-me na medida em que eu vier a perdoar as outras pessoas. Em outras palavras, você afirmou: Deus, eu quero seu perdão e, portanto, estou disposto(a) a também perdoar. Simples assim.

Você deve perdoar até 70 x 7 vezes  
(Mateus capítulo 19, versículos 21 e 22)

No item anterior, eu mostrei que o perdão é algo que Deus nos dá e espera que venhamos a distribuir para quem nos ofender/prejudicar. 

Agora, quantas vezes devemos perdoar a mesma pessoa? E é razoável esperar voltar a perdoar quem repete o mesmo erro? Foi isso que os discípulos perguntaram para Jesus, pois lhes parecia – como parece para nós até hoje – que deveria haver um limite para o perdão. E aí Jesus surpreendeu a todos ao afirmar que devemos perdoar 70 x 7, uma metáfora para um número grande, muito maior do que achamos ser razoável.

E a razão para essa orientação é simples: Deus age exatamente assim conosco. Pense naquele pecado que você pratica habitualmente e tem dificuldade de se livrar: você luta diariamente contra ele, mas volta e meia o mesmo erro se faz presente na sua vida. Agora imagine se Deus lhe dissesse: “você só pode cometer esse pecado uma vez, porque vai esgotar sua cota de perdão. Assim como você quer continuar a receber o perdão de Deus, precisa estar disposto(a) a continuar a perdoar.

Mas aqui também se aplica a mesma cautela que recomendei acima: ter disposição para continuar a perdoar não significa ficar à mercê dos desmandos de quem quer que seja.

Por exemplo, uma mulher agredida fisicamente deve sair de casa e usar a lei para se proteger. Quem foi roubado por um filho, deve tomar suas precauções para não ser mais prejudicado. E assim por diante. O que Jesus disse tem a ver com a disposição de perdoar, não com o fato de ficar passivo, esperando ser atingido de novo.

Com a mesma medida que você julgar, será julgado(a)
(Mateus capítulo 7, versículos 1 a 5)

Qual é o critério que Deus vai usar para julgar nossos pecados no Juízo Final? Será o mesmo critério para todos? Ou Ele vai cobrar mais de uma pessoa (por exemplo, quem recebeu mais) do que de outra?

Essa discussão parece ser daquelas que gera um debate interminável, pois há todo tipo de circunstância e atenuante/agravante a ser considerado, na busca pela justiça absoluta.

Mas Deus, na sua incomensurável sabedoria, deu uma solução perfeita para essa questão: eu serei julgado com o mesmo critério que usar para julgar as outras pessoas

Assim, se você é mais compreensivo(a) do que eu, haverá maior compreensão com você do que comigo. Se você for mais misericordioso(a), receberá mais misericórdia. Simples e muito eficaz. Afinal, se foi a própria pessoa quem usou determinado critério para avaliar os(as) outros(as), ela não pode se queixar por ser tratada da mesma forma por Deus.

Você pode pecar em pensamentos                                (Mateus capítulo 5, versículos 27 e 28)    

Jesus afirmou que podemos pecar até em pensamentos – por exemplo, se eu olhar para uma mulher com olhares cobiçosos e imaginar coisas impróprias a respeito dela, já cometi adultério.

É claro que isso faz sentido, pois os atos são consequência dos pensamentos: não vou matar alguém ou cometer um roubo, sem ter antes pensado nisso. Assim, quando evito pensar no que não devo, deixo de praticar o ato errado. E quando penso, aquele pecado já criou raízes dentro de mim. 

Agora, quem é aquele que pode afirmar que nunca teve um pensamento pecaminoso? Afinal, pensamentos vêm e vão com enorme facilidade e rapidez. Então, como evitar que um pensamento errado apareça na própria mente? 

Na verdade, o que Jesus disse não se refere a um pensamento que passa de forma fugaz pela cabeça da pessoa – é impossível controlar isso. Ele tratou daquele tipo de pensamento que surge e se instala na mente. Em outras palavras, Jesus me alertou para o fato que eu não posso impedir que um passarinho pouse na minha cabeça, mas posso evitar que ele faça ninho ali.

Com carinho

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of