OS DOIS LIVROS DE DEUS

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Deus nos conta coisas sobre si mesmo – como Ele é, o quê já fez (criou) e aquilo que ainda vai fazer (seus planos). Essa revelação divina nos foi passada em dois grandes livros: o universo (a natureza, ou seja, mundo físico) e a Bíblia.

O universo é como um livro que pode ser “lido” e apreciado por todas as pessoas. Todo mundo tem acesso às informações fornecidas pela natureza e, por causa disso, esse livro é chamado de revelação geral.

Aqui vale um parêntesis: a metáfora de tratar a natureza como um “livro” revelado por Deus é muito antiga dentro do próprio cristianismo. Por exemplo, Santo Agostinho falou sobre isso no seu livro “Confissões”, escrito no século V. Muitos outros teólogos cristãos têm usado essa mesma metáfora.

O outro livro revelado por Deus é a Bíblia, cujo texto está dividido em duas partes. A primeira é o Antigo Testamento (também conhecido como Bíblia Hebraica), que conta como Deus criou o universo e fala sobre a história da Aliança que Ele fez com o povo de Israel, com o objetivo de tornar esse povo um exemplo para toda a humanidade.

É ali que aparecem as promessas de Deus de enviar seu “Ungido” (Messias) para promover a restauração da relação dos seres humanos com Deus, fortemente prejudicada pelos nossos pecados.

O Antigo Testamento contém ainda textos ditos de sabedoria – como Salmos, Provérbios e Eclesiastes – onde Deus ensinou uma série de coisas importantes relacionadas sobre como se deve viver.

A segunda parte da Bíblia é o Novo Testamento que relata como a profecia sobre o Messias foi cumprida na figura de Jesus. Conta também como o ministério de Jesus deu origem à igreja cristã e como foram os primeiros passos dela. O texto fala ainda sobre a doutrina cristã, especialmente através dos ensinamentos do próprio Jesus e de cartas escritas pelo apóstolo Paulo.

As informações que Deus forneceu nas duas partes da Bíblia são conhecidas como revelação especial. A razão desse nome é simples: o conteúdo dessa revelação somente se torna acessível para quem lê a Bíblia, isto é, essas revelação não está disponível para todos, diferentemente das informações transmitidas pela natureza (revelação geral).

Agora, as duas revelações têm suas limitações, pois nenhuma delas pode conter todas as verdades que emanam de Deus. Por exemplo, a Bíblia nada fala sobre as leis da matemática, da física e da química. Já a natureza (revelação geral) tem muito a falar sobre isso tudo, bastando que as pessoas estudem seu funcionamento regular (como fazem os cientistas).

A natureza comprova que a vida existe e foi organizada por uma mente maravilhosa, mas, por si só, nada explica sobre a razão para a existência da vida, não explica para onde o ser humano vai depois da morte física, não transmite princípios morais (o certo e o errado) e assim por diante. Mas a Bíblia fala muito sobre tudo isso.

Há conflito entre os dois livros?
As revelações geral e especial, os dois livros de Deus, se complementam, pois a revelação divina total é uma unidade coerente. E cada um desses dois livros, na sua área de atuação, tem um papel predominante. Por exemplo, quando se discute a forma de funcionamento da natureza, as leis descobertas pela ciência predominam. Já no campo espiritual, são os ensinamentos da Bíblia que prevalecem.

Como esses livros têm natureza diferente entre si, as ferramentas usadas pelas pessoas para sua leitura e interpretação também são distintas. Os métodos e as abordagens de estudo são necessariamente diferentes nos dois casos. E não seria razoável esperar que fosse diferente.

A ciência e outras disciplinas acadêmicas são as ferramentas que permitem aos seres humanos “lerem” o livro da natureza. Já a teologia (a doutrina cristã) é a ferramenta que permite ler e interpretar corretamente a Bíblia.

Portanto, se você quiser saber algo sobre o funcionamento da natureza, as respostas devem ser buscadas essencialmente na ciência – a Bíblia não terá muito a ajudar nesse aspecto. Já se você quiser saber algo sobre o que Deus espera do ser humano, as respostas só vão ser encontradas na Bíblia. 

Existem, é claro, algumas áreas de sobreposição, isto é, respostas dadas por ambos os livros dão respostas para determinadas questões. Por exemplo, quando se procura saber sobre como a mente do ser humano funciona, a Bíblia tem coisas a falar e as ciências sociais também.

E aí costumam surgir problemas, pois, às vezes, as conclusões tiradas a partir do estudo dos dois livros (a natureza e a Bíblia) parecem ser divergentes. São essas diferenças de interpretação que dão origem aos famosos conflitos entre religião e ciência, que já causaram tantos problemas ao longo da história da humanidade.

Na época em que a teologia dominava (até a chamada Idade Média), esse tipo de conflito levou alguns cientistas a serem acusados de heresia e até serem injustamente punidos. A partir do Iluminismo, com o crescente domínio da ciência e da tecnologia, a religião passou a ser cada vez mais vista como atrasada e até desnecessária. Hoje em dia, para muita gente, vale apenas o que a ciência consegue explicar e nada mais importa.

Como tratar as diferenças entre os dois livros
Antes de tudo, é preciso separar a verdade revelada por Deus nos seus dois livros e a interpretação dessas informações feita pelos seres humanos (teólogos, de um lado, e cientistas, de outro). A interpretação é sempre humana e frequentemente está errada. É comum, por exemplo, que as teorias científicas sejam corrigidas ao longo do tempo, assim como conceitos teológicos errados passam a ser melhor entendido e são alterados com o tempo.

A ciência não pode corrigir a Bíblia, mas pode alertar os teólogos que estão interpretando as coisas de forma errada. Por exemplo, existem teólogos que defendem a ideia de que a terra tem apenas cerca de 10 mil anos de idade. Ora, a geologia já comprovou que a idade da terra é de cerca de 4 bilhões de ano e isso é confirmado por inúmeros outros ramos da ciência. Portanto, a interpretação do relato do Gênesis sobre a criação do mundo não pode considerar os 7 “dias” de duração como tendo cada um deles 24 horas literais.

Da mesma maneira, a Bíblia precisa corrigir certas interpretações científicas. Por exemplo, quando cientistas ateus defendem que somente existe o mundo físico e não há nada no campo sobrenatural. A Bíblia mostra que isso não é verdade. Existe um campo sobrenatural – que chamamos espiritual – onde coisas muito importantes acontecem. E por isso as pessoas recebem informações de Deus, orações são respondidas e assim por diante.

Concluindo, quando esse trabalho de mútua iluminação é feito de forma bem intencionada e ordenada, os conflitos gerados pela “leitura” diferente dos dois livros tende a ser perfeitamente harmonizada. Afinal, como eu lembrei acima, não há contradições naquilo que Deus revelou para os seres humanos na natureza e na Bíblia.

Com carinho

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