OS CINCO AMIGOS DO MEDO

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O medo tem amigos. Vários amigos. E hoje vamos falar dos cinco mais importantes – os verdadeiros “amigos do peito” do medo. E lembre-se sempre que os amigos do medo não são seus amigos. Eles até tentam parecer que são, porque isso ajuda o trabalho deles, mas querem mesmo é ver você derrubado. Portanto, muito cuidado com eles.

Amigo do medo 1: Sentimento de culpa
Num estudo anterior, mostrei que o medo entrou na vida humana quando Adão e Eva pecaram, ao comer o fruto proibido. Ao tomarem consciência do pecado cometido, seu sentimento de culpa gerou medo da reação de Deus (veja mais).

É importante entender bem a ligação entre culpa e medo. A culpa faz com que a pessoa entre numa espiral descendente, onde ela foca no tamanho da própria culpa e no tipo de punição pode vir a receber de Deus, esquecendo-se da misericórdia dele. Um dos melhores exemplos desse tipo de situação é Judas, o apóstolo que traiu Jesus. Depois de cometer a traição e se dar conta da enormidade do seu pecado, Judas foi esmagado pelo sentimento de culpa e acabou se suicidando. Judas nem considerou a hipótese de pedir perdão e apelar para a misericórdia de Deus.

Não há como deixar de reconhecer o poder que o medo e a culpa têm quando andam juntos. Um famoso pregador norte-americano, cerca de 270 anos atrás, fez um sermão que ficou famoso na história: Pecadores nas mãos de um Deus irado. O sermão foi tão forte e perturbador, que vários ouvintes desmaiaram de emoção. Milhares de cópias desse sermão foram impressas e ele é conhecido até hoje. O sermão teve tanto efeito justamente porque apelou para a culpa e o medo da punição divina. O objetivo era fazer com que as pessoas abandonassem suas vidas cheias de pecado.

Apelar para o medo e a culpa sem dúvida é uma estratégia efetiva e por isso usada por muitos líderes religiosos. O problema é que esse caminho tolhe a liberdade humana e impede que as pessoas construam um relacionamento construtivo com Deus. Afinal, como seria possível amar de fato um ser tão temido, como Deus?

Aí a relação com Deus se torna disfuncional e gera respostas muito estranhas por parte dos seres humanos. Algumas pessoas agem como Judas – pensam que seu caso é mesmo perdido, pois não há como Deus vir a perdoá-las – e simplesmente desistem de Deus. Outras pessoas vão por caminho diferente: ganhar o favor de Deus, tentam merecer seu amor. Isso as leva a um frenesi de atividades religiosas, que as fazem se sentir melhores e mais dignas do amor de Deus. Mas, sabemos que o amor de Deus não se ganha assim.

É preciso que você enfrente o sentimento de culpa e não deixe que ele prospere no seu coração. A forma de fazer isso é acreditar de fato na misericórdia de Deus e no seu amor por você. Afinal, esse amor é tão grande que Deus mandou seu filho ao mundo para morrer na cruz, visando o perdão dos seus pecados.

Amigo do medo 2: Dúvida
Outro, dentre os amigos do medo, é a dúvida. Ela alimenta a hesitação e rouba a confiança da pessoa na tomada de decisão. E aí o medo fica com caminho livre para florescer. Alimentar a dúvida, ficar questionando o que já se decidiu fazer e ficar olhar continuamente para trás, gera instabilidade, conforme a Bíblia ensina em Tiago 1:5-8:

Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois, aquele que dúvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá coisa alguma do Senhor; é alguém que tem mente dividida e é instável em tudo o que faz.

O melhor exemplo desse tipo de situação é a mulher de Ló, que olhou para trás, por ter ficada apreensiva e curiosa para saber o que estava acontecendo em Sodoma, de onde sua família estava fugindo, por orientação de um anjo. E ela acabou transformada em estátua de sal (Gênesis 19:15-26).

Você precisa consultar Deus antes de tomar decisões importantes na sua vida. Ore muito e ouça o que Ele tem para falar. Depois, tome a decisão e seja resoluto. Não fique hesitando e nem deixe a dúvida tomar conta. Há muito poder no ato de tomar uma decisão, confiar no amor e na proteção de Deus, e ir em frente.

Amigo do medo 3: Sentimento de rejeição
Outro dentre os amigos do medo é o sentimento de rejeição. Ele faz com que a pessoa se sinta separada do amor das demais pessoas e também do amor de Deus. E isso faz com que ela perca a conexões com quem está no seu entorno. E quando a pessoa se sente sozinha, separada de todos, e especialmente de Deus, o medo é um intruso que entra automaticamente no seu coração.

O medo, junto com o sentimento de rejeição, costuma levar a pessoa a usar medidas que parecem garantir sua sobrevivência, mas no fundo só trazem prejuízo. Por exemplo, ela pode construir muros emocionais, para não mais poder ser ferida pelos outros, esquecendo que acabou ficando prisioneira dentro desses mesmos muros. Ou ela pode afivelar uma máscara, para parecer mais adequada aos olhos do mundo, mas impedindo que seu “eu” verdadeiro seja visto e correndo o risco de investir tudo no pecado da hipocrisia. Ou também a pessoa pode canalizar todos os seus esforços para obter fama e riqueza, imaginando que assim será aceita por todos e por Deus, esquecendo-se que as coisas importantes da vida são espirituais e não materiais.

A solução para o sentimento de rejeição é a certeza de ter sido adotado por Deus como filho ou filha. Veja o que Paulo disse em Romanos 8:15:

Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: “Abba, Pai”.

Rejeição é o contrário de adoção. E Deus oferece adoção a todo aquele que aceitar Jesus como seu Salvador. E essa adoção é gratuita, pois não depende de quem a pessoa é (qualidades ou defeitos), seu status, seu saldo bancário ou outra coisa qualquer. A adoção por Deus é automática para quem aceitou Jesus, portanto, não há mais qualquer risco de rejeição. Portanto, só é preciso que você entenda e aceite essa poderosa verdade no seu coração e passe a se sentir aceita.  

Amigo do medo 4: Sentimento de condenação 
Outro dentre os amigos do medo, é o sentimento de condenação. Ele é primo-irmão do sentimento de rejeição, pois ambos são pensamentos que jogam a pessoa para baixo. Embora Jesus não tenha vindo ao mundo para nos condenar, muitos crentes ficam continuamente se condenando, lamentando suas fraquezas e imperfeições.

Ora, o sentimento de condenação é uma das formas que Satanás encontra para acusar e desqualificar o crente. É como uma “fake News”: espalha a ideia mentirosa da desaprovação e rejeição de Deus, especialmente por conta de coisas acontecidas no passado. E é impressionante como muita gente fica preso a esse tipo de coisa.

A condenação contínua impede a pessoa de aceitar a si mesma. Aí ela luta desesperadamente para fazer tudo com perfeição, coisa impossível para o ser humano, e se abate muito com seus erros ou fraquezas. E o antídoto contra essa doença é você abraçar o poder da graça de Deus e aprender a descansar nele. É permitir que o Espírito Santo reconstrua uma fundação de amor na sua vida e deixe que a graça de Deus entre nela e tome conta. E essa é uma das experiências mais libertadoras que existem.

Amigo do medo 5: Sentimento de autopiedade
Uma reação comum ao medo é a desesperança. E quando a pessoa segue por esse caminho, a autopiedade acaba por tomar conta. E a autopiedade funciona como areia movediça, pois não deixa a pessoa seguir adiante. Os próprios esforços que vier a fazer para se libertar, acabam fazendo com que afunde ainda mais no poço onde já se encontra. E aí se seguem tristeza e até depressão.

A autopiedade amarra a pessoa pois faz com que ela não mais encontre qualquer motivo para sentir esperança e conseguir se libertar da escravidão em que vive. A autopiedade traz um sentimento de derrota que parece definitivo. E aí o medo chega com toda a força.

Certa vez Jesus encontrou um paralítico tomado pela autopiedade – vejam João 5:5-9:

Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e oito anos. Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: “Você quer ser curado?” Disse o paralítico: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim”. Então Jesus lhe disse: “Levante-se! Pegue a sua maca e ande”. Imediatamente o homem ficou curado, pegou a maca e começou a andar…

Quando Jesus perguntou ao paralítico se ele queria mesmo ser curado, a resposta que recebeu do paralítico foi surpreendente: uma queixa sobre a sua condição limitada. O paralítico não respondeu à pergunta e focou nas suas dificuldades, sem perceber que a solução para seus problemas estava diante dele!

O combate efetivo à autopiedade começa quando você reconhece a presença dela na sua vida. Alguns sintomas são típicos dessa condição, como, por exemplo, a dificuldade de aceitar palavras de encorajamento, mesmo quando elas vêm da Bíblia.

E aí cabe uma pergunta que você precisa fazer a si mesmo: Você quer mesmo ser curado ou prefere ficar sentindo pena de si mesmo e com medo? É claro que o caminho é resolver se levantar e mudar a vida de rumo. E com a ajuda do Espírito Santo, a vitória contra a autopiedade e o medo pode estar ao seu alcance. Pode estar bem diante de você!

Palavras finais
Enfrentar o medo é muito mais do que somente exercer a própria fé em Deus. É claro que a fé é fundamental nessa luta, mas ela não é tudo, como mostrei na discussão acima.

Você precisa aprender a identificar e neutralizar os cinco amigos do medo. Esses cinco tipos de sentimento dão poder ao medo, fazendo com que ele crie raízes na sua vida. Portanto, não deixe que sentimento de culpa, autopiedade e outras coisas assim criem raízes na sua vida. Lute diariamente contra isso, com apoio dos ensinamentos da Bíblia, da oração e da ajuda dos seus irmãos e irmãs na fé. Amém.

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