O TEMPLO DE JERUSALÉM

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O templo de Jerusalém era o local mais sagrado para o povo de Israel. O centro da religião judaica. E somente nesse Templo podiam ser feitos sacrifícios e outras cerimônias demandadas pela Lei Mosaica (a Torah). 

Por causa disso, Jerusalém era o local de grandes romarias durante as festas religiosas, como a Páscoa e o dia do Perdão – vinham judeus de toda parte do mundo para congregar ali. 

Muitas passagens do ministério de Jesus se deram nesse Templo – milagres, pregações, discussões teológicas com sacerdotes e doutores da lei e a expulsão dos vendedores que faziam seu comércio do Templo de Jerusalém e exploravam a fé do povo. 

Não é possível entender bem os textos do Novo Testamento sem ter noção clara do papel fundamental que o Templo de Jerusalém tinha naquela época.

A origem do Templo
Quando o povo de Israel saiu do Egito, liderado por Moisés, Deus ordenou ao povo que fabricasse uma tenda, que passou a ser usada como um templo portátil (Êxodo capítulo 36).
Essa tenda, também chamada de Tabernáculo, foi montada em cada lugar onde Israel acampou durante suas andanças pelo deserto do Sinai. O Tabernáculo foi a primeira construção humana onde a glória do SENHOR se fez presente (Êxodo capítulo 40).
Quando Israel passou a habitar na Terra Prometida, o Tabernáculo foi instalada de forma permanente na cidade de Shiló e continuou a ser o centro da religião israelita. Mas, alguns séculos depois, quando Davi já tinha se tornado rei de Israel, a cidade de Jerusalém foi conquistada e elevada à condição de capital do reino. Aí Davi decidiu levar o Tabernáculo para Jerusalém, para marcar o status daquela cidade. 
O Templo de Salomão
Anos depois, Davi teve a ideia de construir um Templo para substituir o Tabernáculo, entendendo que Deus merecia uma “moradia” mais digna do que uma simples tenda. Essa tarefa, entretanto, somente foi levada adiante cerca de 30 anos depois, pelo filho de Davi, Salomão. O fruto desse esforço é chamado de “Primeiro Templo” ou “Templo de Salomão”. 
Ele foi construído num monte que ficava no centro de Jerusalém – a tradição diz ter sido esse o mesmo local onde Abraão foi sacrificar seu filho, Isaque, por ordem de Deus. Próximo ao Templo, Salomão construiu também um palácio para si e outro para sua principal esposa, filha do faraó do Egito.
O Templo de Salomão, seguindo a orientação de Deus, era formado por 5 partes: 
  • O pátio externo onde eram conduzidos sacrifícios de animais e a liderança religiosa se dirigia ao povo.
  • O átrio (hall de entrada), ainda externo à construção principal, demarcado por duas enorme colunas de sustentação.
  • O Santo Lugar, um primeiro cômodo, já dentro do edifício principal, onde ficavam o incensório (local para queimar incenso), uma mesa com doze pães (representando as doze tribos de Israel) e o famoso candelabro de sete braços.
  • O Santo dos Santos, que era um segundo cômodo, separado do primeiro por uma cortina decorada, onde ficava apenas a arca da Aliança.
  • Construções auxiliares para guardar alimentos, instrumentos de culto, riquezas, etc.

O povo podia acessar apenas o pátio externo do Templo, sendo que os homens ficavam na frente e as mulheres atrás. 

No Santo Lugar só entravam os sacerdotes, que se revezavam 24 horas por dia na queima de incenso e nos louvores. Somente o sumo-sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e uma única vez por ano, no dia do perdão (Yom Kippur). Essa determinação era tão séria que o sumo sacerdote era amarrado por uma corda, para ser puxado caso não conseguisse sair sozinho. A razão para tal restrição era simples: o Santo dos Santos estava cheio da glória de Deus.

A estrutura do Templo era de pedra e madeira, mas a face interna do edifício principal era forrada com placas de ouro. Também eram desse mesmo metal todos os utensílios usados no Santo Lugar e no Santo dos Santos. 

A restauração do Templo
Cerca de 400 anos depois da construção do Templo, a cidade de Jerusalém foi invadida e saqueada pelos babilônios e toda a liderança judaica foi levada para o exílio. 
Cerca de 50 anos depois, após a Babilônia ter sido conquistada pelos persas, um grupo de judeus foi autorizado a voltar para Jerusalém, sob a liderança de Neemias. Esse grupo reparou as muralhas da cidade e restaurou, da melhor forma que pode, o Templo original, para permitir que a vida religiosa do povo fosse normalizada.
O Segundo Templo
Cerca de 500 anos depois dessa restauração, já nos tempos do rei Herodes – o mesmo que tentou matar Jesus quando bebê -, esse rei resolveu construir um Templo maior e mais luxuoso. 
Herodes não tinha 100% de sangue judeu e era muito rejeitado pela população e imaginou que a construção do novo Templo lhe traria legitimidade junto ao povo. O resultado dos seus esforços é chamado de “Segundo Templo” ou “Templo de Herodes”. Foi essa versão do Templo que Jesus conheceu.
O rei começou o projeto alargando a esplanada onde o Templo de Salomão tinha sido construído. Para isso foi preciso construir muros muito altos e fazer um enorme aterro – são essas as muralhas que podem ser vistas hoje. A muralha que fica no lado ocidental é o local hoje conhecido como “Muro das Lamentações”, onde os judeus vão orar.
O Templo de Herodes era magnífico, revestido de mármore branco por fora e de ouro nas paredes internas. A construção brilhava à luz do sol. 
A nova versão do Templo conservou a mesma organização básica da construção original (pátio, átrio, Santo Lugar, Santo dos Santos) e os edifícios auxiliares foram muito ampliados.
Herodes levou algumas décadas para concluir o novo Templo e morreu sem ver a obra pronta. Ainda havia trabalhos ocorrendo ali no tempo de Jesus (Marcos capítulo 13, versículos 1 e 2)

A situação hoje  
Cerca de 40 anos depois da morte e ressurreição de Jesus, o povo judeu se revoltou contra os romanos e foi reprimido – a revolta durou 4 anos. No ano 70 da nossa era, o Templo foi destruído pelas tropas do general Tito, que saquearam todas as riquezas ali acumuladas. O saque foi tão rico que custeou a construção do Coliseu em Roma.

O chamado Monte do Templo – a tal esplanada onde o Templo ficava – ficou longo tempo abandonado e muito material foi retirado dali para ser usado em outras construções. Somente quando os muçulmanos, chefiados por Saladino, conquistaram Jerusalém, já na Idade Média, é que o lugar voltou a ter status especial, pois a tradição islâmica estabelece que Maomé subiu aos céus a partir da rocha que estava na base do Templo. 

Por causa disso, nessa mesma esplanada foram construídas duas mesquitas muito importantes – “Aksa” e “Domo da Rocha”, sendo que essa última está situada exatamente onde o Templo ficava.

O Monte do Templo (ou Esplanada das Mesquitas, como os muçulmanos preferem chamar) está hoje sob controle de Israel, mas a administração do local é muçulmana. E não podem ser feitas escavações arqueológicas ali, pois elas iriam danificar as mesquitas. Certamente tais pesquisas iriam encontrar coisas extraordinárias, mas a situação política impede tal tipo de trabalho. Os estudos arqueológicas atuais, portanto, se concentram na região externa, fora dos muros que demarcam a esplanada. 

Os judeus e certos cristãos mais radicais desejam construir o Terceiro Templo, mas os muçulmanos se opõem, porque isso significaria a destruição das suas mesquitas sagradas. E o impasse permanece até hoje, sendo uma fonte de tensão constante. Alguns chegam a afirmar que por causa disso irá acontecer a terceira guerra mundial. Esperemos que não.

Com carinho  

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Mari Prins

Super! Parabéns, me trouxe varios entendimentos.
Deus abencoe grandiosamente.

Anônimo

Muito boa a postagem, fez um ótimo resumo da história do templo. Me fez viajar pela bíblia. Parabéns pelo trabalho que vem fazendo, pois suas opiniões são bem embasadas!

Thábita Dias Nazareno

Vinicius Moura

Obrigado pelas suas palavras.