O SUICIDA SERÁ SALVO?

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Existe muita controvérsia quanto à questão se um/a suicida poderá ser salvo/a, á luz do que diz a Bíblia. Tem gente que diz que sim, enquanto outros garantem que não.

O suicídio é um problema de grandes proporções em nosso país – cerca de 300 mil pessoas se matam a cada ano. E quando esse infortúnio acontece numa família cristã, o sofrimento costuma ser ainda maior, pois além da perda trágica, uma questão terrível fica “flutuando” no ar: ele/a poderá ser salvo/a?

Várias denominações cristãs, inclusive a Igreja Católica, defendem a tese de que o/a suicida está condenado/a, o que só aumenta o desespero da família enlutada.

Antes de prosseguir, acho que vale a pena fazer um parêntesis aqui: fico estarrecido com a facilidade com que líderes cristãos se arrogam o direito de passar julgamento sobre outras pessoas, atrevendo-se até a definir quem será (ou não) salvo/a. Pelo que eu conheço da Bíblia, o julgamento cabe somente a Deus e nunca a seres humanos.

Muitas pessoas argumentam que não há como o/a suicida ser salvo porque a pessoa que comete esse ato não terá como se arrepender do pecado que praticou. E eu responderia essa alegação fazendo uma pergunta: quem garante que qualquer um/a de nós, ao morrer, terá se arrependido previamente de cada pecado que cometeu? Acredito que quase ninguém. Esse tipo de objeção, portanto, não agrega muito à discussão.

Entendendo melhor o pecado do/a suicida
A Bíblia não trata diretamente da questão do suicídio – ela não fala como o suicídio é visto por Deus. Portanto, essa questão é analisada por analogia com outros temas similares.

O ato de tirar a própria vida, em princípio, é pecado porque a vida humana é sagrada. Há quem argumente que como o mal foi feito pela pessoa contra si mesma, não haveria pecado aí. Mas, a Bíblia é clara que qualquer atentado contra o dom da vida é pecado. A vida é dom de Deus e somente Ele pode tirá-la – é essa noção que está por trás do mandamento de não matar (veja mais).

Agora, não há como deixar de reconhecer que o suicídio tem enormes atenuantes. Normalmente, ele é fruto de uma grave doença mental, como a psicose maníaco-depressiva. É evidente que a pessoa se suicida num momento de terrível sofrimento que a leva à privação dos sentidos. Em outras palavras, o/a suicida não tem noção plena do que está por fazer – apenas quer acabar com o seu sofrimento. 

Ora, será possível imaginar que Deus vai punir uma pessoa que cometeu um ato quando não era totalmente dona dos seus sentidos? Não acredito nisso. Deus é profundamente misericordioso e saberá levar a doença mental em conta, não tenho dúvida disso. 

Outra causa frequente do suicídio é o desespero. Aí a questão é um pouco diferente. Quando a Bolsa de Nova Iorque quebrou em 1929, levando muitas pessoas à bancarrota, houve gente que se suicidou desesperada com sua situação. O mesmo aconteceu na crise financeira de 2008. 

Tirar a própria vida por perder completamente as esperanças é não confiar em Deus (na sua misericórdia, na sua capacidade de socorro, etc). O caso clássico é o de Judas Iscariotes, apóstolo que se matou, após trair Jesus: ele não confiou que poderia ser perdoado do seu terrível pecado.

Nesse caso, o maior problema não é o ato de suicídio em si, mas a falta de fé da pessoa. E como a salvação só é alcançada mediante a fé, existe um risco real de condenação eterna aí. Mas, repito, o suicídio é só uma manifestação da falta de fé e é essa última que condena.

Agora, é claro que, ao julgar qualquer pessoa que pratique um ato desses, Deus também levará em consideração atenuantes como as circunstâncias da vida do/a suicida (por exemplo, uma doença que gera fortes e constantes dores é um enorme atenuante para o ato de suicídio). Outros aspectos importantes são o acesso que a pessoa teve ou não aos ensinamentos de Jesus, a cultura onde está imersa (por exemplo, os japoneses usam muito o suicídio para evitar a vergonha social) e assim por diante.

Para mim é claro que não se trata de uma coisa automática: matou-se por desespero, logo está condenado/a. Há muitas coisas a considerar e Deus haverá de levá-las todas em conta.

Palavras finais
O suicídio é uma coisa terrível e causa grande sofrimento e, em princípio, trata-se de pecado. Mas, esse ato, por si só, não condena automaticamente o/a suicida, como algumas pessoas alegam. Há muito mais em jogo, conforme expliquei acima.

Portanto, se você infelizmente vier a viver essa experiência com alguém na sua família, não perca a esperança. Nunca fique sofrendo por causa da salvação de quem se suicidou – já basta a tristeza causada pela perda da pessoa querida.

Entregue essa questão na mãos de Deus, pois Ele é o juiz mais justo e misericordioso que existe. Confie nele. E essa é mais uma prova de fé que você poderá dar na sua vida.

Com carinho

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