O SATISFATÓRIO NÃO SATISFAZ

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Temos o vício de aceitar apenas o satisfatório no lugar do que seria o ótimo. E o satisfatório pode não satisfazer. Eu me explico

Décadas atrás, o professor Herbert Simon,  ganhador do Prêmio Nobel de Economia, explicou que as empresas não procuram maximizar seus lucros, conforme estabelece a teoria econômica, pois isso é muito difícil de fazer. Há muitas variáveis a serem controladas para se chegar ao lucro máximo.

As organizações, na prática, procuram apenas obter um  lucro suficiente para atender as expectativas de acionistas, analistas de mercado e outros, coisa que é muito mais simples de conseguir. Herbert Simon chamou esse comportamento de satisfazer em lugar de otimizar

A postura de apenas satisfazer, em lugar de maximizar, também é aplicada em vários outros campos da vida humana, além da economia. Por exemplo, um estudo publicado anos atrás,  no livro “Marriage confidential” (a tradução seria “Casamento confidencial”), de Pamela Haag, indicou que a esmagadora maioria dos casamentos nos Estados Unidos se equilibra na faixa do satisfatório ou até menos do que isso.

Esse estudo mostrou que desde o início da relação, as pessoas vão se acostumando em aceitar resultados mais modestos, porém mais fáceis de conseguir, e por causa disso frequentemente acabam presas em relacionamentos empobrecidos.

Aceitar o que parece possível, por ser mais fácil de conseguir, ao invés de procurar obter o melhor, também ocorre na vida espiritual das pessoas. A maioria dos cristãos, logo depois de se converter, costuma dar passos para aperfeiçoar suas práticas de vida, mas depois acaba se acomoda, após algum progresso, numa zona de conforto. 

Pensando já ter a salvação garantida e livres dos pecados considerados socialmente mais graves, como roubo, embriaguez, adultério, etc, as pessoas imaginam ter feito o suficiente. Seu comportamento já se tornou satisfatório.

Elas imaginam que não é necessário fazer as mudanças mais difíceis, como colocar Deus em primeiro lugar nas suas vidas ou dedicar-se mais profundamente ao bem-estar do próximo. Pensam ainda que não é necessário livrar-se dos pecados de “estimação” – aqueles que parecem causar pouco mal e mas geram muito prazer, como o consumo excessivo, falar mal da vida alheia, o vício do uso da Internet e outros mais. É mais fácil se acomodar.

Também é frequente encontrar acomodação entre aqueles que ficam com medo de não estar à altura das tarefas que Deus lhes pede para fazer e acabam se encolhendo. E nunca desafiam a própria fé. Há até quem tente se esconder de Deus, como fez o profeta Jonas (aquele que foi engolido pelo peixe).

A maioria dos cristãos satisfatórios e acomodados deixa de viver experiências espirituais fantásticas, como conversões que parecem impossíveis, curas, o resgate de necessitados e assim por diante. Eles nunca experimentam do melhor que Deus tem para lhes dar.

Posso garantir para você que Deus não concorda com essa postura “morna”, nem “quente” e nem “frio”. Deus  espera muito mais de nós. Ele deseja que cada um dê o melhor de si na sua vida espiritual. Que cada um busque preencher todo o seu potencial espiritual. 

E é fácil provar isso. Repare que o primeiro dentre os dois grandes mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas, de toda a alma e entendimento (Mateus capítulo 22, versículo 37). Ora, isso é buscar o melhor possível e nunca apenas o satisfatório.

A mesma exigência pode ser percebida no segundo grande mandamento (aquele relacionado com o amor ao próximo), onde Deus também pede de nós o melhor, ao estabelecer que o amor ao próximo deve ser igual ao amor que a pessoa tem por si mesma. 

No livro do Apocalipse, Cristo mandou um recado para as sete igrejas localizadas na Ásia Menor. Ao se dirigir à igreja de Laodiceia, Jesus a acusou de ser “morna” e disse que iria vomitá-la da sua boca (Apocalipse capítulo 4, versículos 14 a 16). Isto é, Jesus não se conforma com uma postura acomodada, apenas satisfatória.

Os “mornos” são aquelas pessoas que se comportam meio como “zumbis” espirituais – parecem vivas, mas, na verdade, estão mortas por dentro. Esperam pouco e se contentam com menos ainda. Entram e saem das igrejas, mas nunca deixam sua marca na obra de Deus.

Deus deseja ter uma relação especial com você. Uma relação onde você consiga preencher todo o seu potencial espiritual. Onde você faça o melhor e não apenas o satisfatório. 

Pode ter certeza que Ele quer fazer coisas extraordinárias por você e através de você. A Bíblia explica isso muitas vezes. Só depende que você deixe sua zona de conforto e se abra para o Espírito Santo entrar e atuar de fato na sua vida. 

Com carinho

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