O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O DÍZIMO

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Trazei os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bençãos sem medidaMalaquias capítulo 3,versículo 10

A questão do dízimo é uma das mais controvertidas na vida cristã. Muitas pessoas acham que a exigência de dar o dízimo é absurda pois permite o enriquecimento de pastores(as) e líderes religiosos sem escrúpulos.

Não há dúvida que tais desvios de conduta existem sim mas isso não elimina a existência do mandamento nem a necessidade de obedecê-lo. É uma situação similar à questão dos impostos: sem dúvida existe corrupção endêmica nas várias instâncias governamentais brasileiras mas nem por isso podemos parar de pagar impostos. E se todo mundo parasse de pagar, escolas, hospitais públicos e outros serviços públicos absolutamente essenciais seriam interrompidos. Haveria caos social. 

Assim, não é porque algumas pessoas fazem mal uso do dinheiro arrecadado que ficamos liberados da nossa obrigação de fazer essa contribuição. Agora, nossa obrigação não se limita a pagar o dízimo: precisamos também tomar conta para que o dinheiro arrecadado seja usado da forma correta – se sua igreja não é transparente no uso do dinheiro arrecadado, ao invés de deixar de ar o dízimo, mude de igreja. Simples assim.

O dízimo é um mandamento dado por razão óbvia: é necessário ter recursos para sustentar pastores(as), missionários(as) e outras pessoas dedicadas tempo integral ao ministério, bem como para fazer frente a todas as demais despesas relacionadas com a realização da obra de Deus (aluguéis, materiais, alimentos, etc).

Entretanto, ninguém deve pensar que vai ficar rico por ser fiel no dízimo, conforme pastores(as) inescrupulosos(as) tentam fazer as pessoas crerem. A promessa ligada a esse mandamento, conforme o versículo acima, garante que o dinheiro da pessoa será abençoado e sempre será suficiente para sua necessidades. E isso já é bastante.

Dúvidas sobre o dízimo

Algumas dúvidas sempre surgem quando se discute sobre dízimo. E a mais comum delas é: para quem a pessoa deve dar seu dízimo?

O texto bíblico acima fala que o dízimo deve ser levado à “casa do tesouro”. Ora, isso é uma referencia ao Templo de Jerusalém, chamado por Deus no mesmo texto de “minha casa”. E o dízimo foi estabelecido por Deus como uma forma de sustento para quem se dedicava ao serviço do Senhor, como sacerdotes e levitas: 

Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao Senhor em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: no meio dos filhos de Israel nenhuma [outra] herança terão.                                                                Números capítulo 18, versículo 24

A dúvida que permanece é se isso se aplica às igrejas locais, pastores(as), missionários(as) e demais pessoas que se dedicam em tempo integral à obra de Deus. Penso que sim – veja o que Paulo disse :

Não sabeis vós que os que serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve o altar, do altar tira seu sustento? Assim, ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho, que vivam do Evangelho.                                            1 Coríntios capítulo 9, versículos 13 e 14

Isso faz sentido pois se trata da mesma questão: o sustento da Obra de Deus e de quem nela trabalha. A mesma necessidade que havia naquele tempo continua a haver hoje em dia.  

Outra dúvida comum é: o dízimo deve ser dado obrigatoriamente à congregação que a pessoa frequenta? Não necessariamente, pois não é somente o pastor(a) daquela congregação que serve a Deus. Porém, faz sentido que a preferência caia sobre sustentar o lugar onde a pessoa congrega, onde se alimenta espiritualmente.

Há um ponto que costuma ficar esquecido quando se discute sobre o dízimo: a questão do apoio aos necessitados. Veja o que diz o texto abaixo: 

Ao fim de cada três anos, tirarás todos os dízimos do terceiro ano, e os recolherás na tua cidade. Então virá o levita, o estrangeiro, o órfão, e a viúva, que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o Senhor teu Deus te abençoe em todas as obras que tuas mãos fizerem.                  Deuteronômio capítulo 14, versículos 28 e 29 

O significado desse texto é que um terço (um a cada três) do dízimo devido deve ser destinado para ajudar pessoas necessitadas. O texto especifica quem deve ser ajudado. Primeiro, o levita. Evidentemente não pode ser uma referencia a quem já recebia sustento por conta do seu trabalho no Templo de Jerusalém, pois esse caso já estava coberto. A única outra possibilidade é que trate-se de alguém que já fez isso mas não possa fazer mais – por exemplo, pastores(as) aposentados(as) ou doentes. 

Essas pessoas podem não ter mais acesso aos dízimos colhidos nas igrejas e assim não terem condição de se sustentar decentemente. Meu avô foi pastor por muitas décadas e ao final da vida não tinha como se manter – precisou contar com os filhos até o fim da vida. Mas existem pastores(as) que não têm a mesma sorte e aí se aplica a destinação de um terço do dízimo.  

O texto fala também de “forasteiros, viúvas e órfãos” que é uma expressão bíblica para pessoas carentes e necessitadas de forma geral. Elas também precisam ser ajudadas com esse terço do dízimo. 

Infelizmente, pastores(as) não costumam concordar com essa interpretação e continuam a defender com unhas e dentes que o dízimo venha todo para as igrejas, argumentando que o texto de Malaquias fala isso. Eles(as) se esquecem que todas as partes da Bíblia têm o mesmo peso e o texto do Deuteronômio, que manda separar um terço do dízimo para os necessitados, também precisa ser obedecido. 

A liderança da sua igreja também poderá alegar que ajuda necessitados(as) e isso até pode ser verdade, mas não conheço nenhuma delas que destine um terço do seu orçamento para essa atividade. 

Repare que o texto de Deuteronômio fala que a própria pessoa deve distribuir esse terço do dízimo. Ela não é obrigada a fazer isso mas precisa ter certeza que essa parte do dízimo tenha o destino estabelecido na Bíblia – o que pode ser feito através de obras sociais mantidas tanto por igrejas como por outras organizações cristãs idôneas. 

Resumindo, há dois mandamentos que se complementam e que, no seu todo, fazem sentido. A parte maior do dízimo – dois terços – deve ir para o sustento direto da obra de Deus, sendo dado a igrejas, de preferencia àquela que a pessoa frequenta. O restante deve ser destinado a ajudar pessoas necessitadas, através de alguma igreja, de uma organização cristã idônea ou mediante ajuda direta. 

Há ainda duas outras questões que também geram dúvida. A primeira é se o dízimo deve ser calculado sobre o valor bruto ou líquido dos rendimentos da pessoa. Ora, não há na Bíblia orientação que permita responder com precisão essa questão – afinal, não havia desconto para o imposto de renda ou INSS naquela época. Assim, penso que isso deve ser deixado à consciência de cada pessoa.

Finalmente, existe a questão se o dízimo pode ser pago apenas em dinheiro. Será que um profissional liberal – dentista, médico, terapeuta, etc – pode fazer sua contribuição em horas de trabalho? Entendo que isso é possível, desde que as horas fossem remuneradas caso não tivessem sido doadas. Afinal, nos tempos bíblicos, o dízimo podia ser dado na forma de produtos agrícolas, animais, etc. 

Acho que esses são os aspectos básicos necessários para orientar você nas suas decisões pessoais quanto ao dízimo.

Com carinho

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Valdir Gomes de Sá
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Valdir Gomes de Sá

Muito bom! Gostei porque em partes eu já tinha essa convicção. E agora estou mais convicto e creio que foi algo mais em meu aprendizado. Que o nosso Deus continue abençoando e fortalecendo a cada um de vocês, hoje e sempre.