O QUE DIZER PARA QUEM RESISTE À MENSAGEM DO EVANGELHO

4
81990

É possível que uma pessoa de quem você goste muito – membro da família, esposo(a) ou amigo(a) – resista a aceitar Jesus como Salvador, mesmo depois de já ter ouvido a mensagem do Evangelho. E isso pode deixar você ansioso(a), pois gosta de fato dessa pessoa e quer vê-la salva.

Mas, como você não tem experiência em evangelizar, não sabe bem o que dizer para ela. Como enfrentar os argumentos que ela apresenta, ou mesmo sua falta de interesse em Jesus.

Minha intenção hoje aqui é justamente ajudar você nessa tarefa. Mostrar o que deve dizer e quando. E vou começar pela parte mais fácil: explicando o que você não deve dizer, pois só atrapalha.

Certa vez, assisti à palestra de um evangelista e fui surpreendido com a resposta dele, quando lhe perguntaram o que costuma dizer se alguém resiste à pregação do Evangelho. A resposta foi: “ordeno ao espírito de incredulidade que saia daquela pessoa”.

Para aquele homem, qualquer resistência em aceitar Jesus é obra de espíritos malignos. Ora, não é isso que a Bíblia ensina. Por exemplo, quando o apóstolo Paulo visitou a cidade de Atenas, berço da filosofia grega, pregou para pessoas altamente intelectualizadas e conseguiu converter poucas dentre elas. E o relato bíblico não fala que Paulo saiu tentando expulsar demônios dos incrédulos (Atos dos Apóstolos capítulo 17, versículos 16 a 34). 

Quando há incredulidade e/ou resistência à mensagem do Evangelho é preciso agir com sabedoria. Antes de tudo, é preciso respeitar a pessoa com que você está conversando, lembrando que ela tem livre arbítrio, podendo inclusive escolher no que quer acreditar. E isso nada tem a ver com a ação de Satanás.

Depois, é preciso usar os argumentos certos. Não adianta atribuir a incredulidade a espíritos malignos ou ameaçar a pessoa com o inferno – afinal, não sendo convertida, ela nem acredita mesmo nessas coisas e pode até se sentir ofendida. Esse tipo de argumento só atrapalha.

Por que as pessoas resistem ao Evangelho?
Para saber o que falar, é importante inicialmente entender porque a pessoa resiste a aceitar a mensagem do Evangelho.

Há várias razões para isso e vou tratar aqui, por causa das limitações de espaço, apenas das duas mais comuns. A primeira razão é que a pessoa não quer mudar sua vida. Não quer deixar alguns hábitos arraigados de lado.

Nesse tipo de situação, a pessoa até sabe que sua vida não vai pelo caminho certo, mas sente prazer e/ou conforto em hábitos de vida errados que mantém. Sabe que, caso venha a se converter, vai precisar mudar sua vida e não quer fazer isso. Simples assim.

A segunda razão mais comum para uma pessoa resistir ao Evangelho é pensar que não precisa de Jesus. Acha que já é suficientemente boa. A fala típica, em casos como esse, é:  “Por que preciso aceitar Jesus e mudar minha vida? Não roubo, não mato e não adultero. Já vivo uma vida correta”.

 É preciso convencer essa pessoa que ela não é tão boa assim. Que ela, como qualquer ser humano, peca e comete falhas graves aos olhos de Deus. E será punida por causa disso.

O desafio no primeiro caso é fazer a pessoa abandonar sua zona de conforto. Já no segundo caso, o desafio é convencer a pessoa que ela não é tão boa quanto pensa ser.

O que fazer quando a pessoa não quer mudar?
Nesse caso é preciso ter paciência. Falar para a pessoa que ela não está indo pelo caminho certo, mas nunca ficar enchendo a paciência dela, ameaçando com inferno e coisas assim. Fale o mínimo necessário.

Ore muito por ela e aguarde o momento certo. E esse momento, normalmente, chega quando a pessoa começar a sofrer: Cedo ou tarde, os seus hábitos de vida nocivos vão gerar uma “”conta” a ser paga, na forma de depressão, relacionamentos destruídos, doença, etc. E somente aí, em meio à dor, a pessoa “acorda” e fica aberta a mudar. Quase sempre é o sofrimento que tira a pessoa da sua zona de conforto.

Assim, cabe a você ficar perto e esperar o momento certo para agir vai. E ele vai chegar. Nesse caso, a paciência é a chave do sucesso.

O que fazer quando a pessoa se acha suficientemente boa?
Nesse caso, é preciso desfazer esse auto-engano e convencê-la que ela não é tão boa como pensa. Que, assim como todas as demais pessoas, erra e muito aos olhos de Deus e é passível de punição por causa disso.

Eu sugiro um pequeno “roteiro” composto de quatro perguntas sucessivas. Escolha um dia e hora em que possa conversar com calma e sem estresse.

Comece perguntando se a pessoa acredita que quem comete erros sérios deve ser punido(a). Normalmente, ela vai responder que sim. 

Depois, pergunte se ela já cometeu erros sérios. Se ela disser que não, exatamente por se considerar boa pessoa, você precisar argumentar que todo mundo comete erro sérios, mesmo quando não percebe bem o que está fazendo. Afinal, todo mundo sente raiva, inveja, ódio, orgulho e ciúme e esses sentimentos nos influenciam a praticar o mal, mesmo quando não é essa a nossa intenção.

Explique para ela que as intenções até podem ser boas, mas a prática é bem outra: as pessoas acabam por fazer o mal que não queriam. E qualquer pessoa bem-intencionada vai aceitar isso.

Não se esqueça de aliviar o clima da conversa, lembrando que acontece o mesmo com você. Estamos todos no mesmo “barco”. A única diferença é que você sabe disso e a pessoa com quem você está falando ainda não.

Aí você pode dar o terceiro passo: Pergunte o que a pessoa pretende fazer para escapar da punição que merece. E não adianta que a pessoa dizer que vai melhorar pois isso não apaga os erros que já cometeu no passado e muito menos garante que vai deixar de errar no futuro. 

Nesse ponto a pessoa costuma ficar confusa, pois não sabe bem como responder. É aí que você deve falar sobre Jesus. Essa é a hora certa. Explique que Ele é a solução para esse problema tão importante.

E funciona assim: Jesus veio ao mundo e se sacrificou por nós. E é seu sangue que abre as portas para o perdão de Deus e a reconciliação das pessoas pecadoras com Ele. Ninguém fez nada para merecer o sacrifício de Jesus e, nesse sentido, a salvação é gratuita. Mas, há condições para o sacrifício se fazer efetivo para qualquer pessoa.

Ela precisa reconhecer que pecou, arrepender-se e aceitar Jesus. Não há outra forma. Foi assim que Deus estabeleceu as coisas.

Aí você pode dar o quarto e último passo: Pergunte se a pessoa prefere aceitar o perdão de Deus ou enfrentar por conta própria a punição que merece. Se os passos anteriores tiverem sido bem conduzidos, a pessoa vai se interessar por saber mais sobre Jesus. Vai querer entender melhor o que você está falando. E vai deixar de resistir.

Cuidado, ao longo desse processo, para não perder o foco. É comum que pessoa a quem você está tentando convencer faça perguntas paralelas porque fica com dúvidas. Por exemplo, o que vai acontecer com quem nunca ouviu falar sobre Jesus?

Essas e outras questões devem ser tratadas, mas no momento certo, que não é naquela conversa. Ali o foco está na pessoa com quem você está conversando. Haverá tempo para esclarecer essas dúvidas depois.

Muitas vezes a pessoa não se deixa convencer numa única conversa. É preciso repetir os argumentos para que ela realmente passe a aceita-los, mudando sua posição inicial. Portanto, não desanime se encontrar alguma dificuldade. E confie sempre na ação do Espírito Santo.

Com carinho

4
Deixe um comentário

avatar
2 Comment threads
2 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
2 Comment authors
Vinicius Mouraluiz robervalVinicius Mouracarlosan878 Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
luiz roberval
Visitante
luiz roberval

Eu sofro de depreção desde pequeno é por causa disso eu não posso trabalhar, eu tenho 20 anos. Voce pode me ajudar ?

carlosan878
Visitante

Olá Vinícius, me chamo Carlos Henrique, gostaria de lhe parabenizar pela boa intensão com a qual criou esse blog, mas sua apresentação me causou uma dúvida, pelo que pude entender, e espero que tenha entendido errado, você efetua estudos bíblicos de forma auto-didata, é isso mesmo?

Vinicius Moura
Visitante

Não tenho curso formal em teologia, se essa foi a sua pergunta. Estudo a Bíblia de forma mais sistemática desde 1988. Já participei de inúmeros grupos de estudo, tanto em igrejas, quanto na Internet. E realmente estudo muito na forma auto-didata.

Abs
Vinicius