O QUE ACONTECEU NO DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

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Existem quatro relatos dos acontecimentos no dia da ressurreição de Jesus, devidos a Mateus, Marcos, Lucas/Atos dos Apóstolos e João.

Como era de se esperar cada um deles contém detalhes que faltam aos demais. Por causa disso, às vezes fica difícil ter uma ideia clara da ordem cronológica dos acontecimentos pois não existe um relato global que junte todas as peças do quebra-cabeça.

E é isso que tentei fazer neste post, com base nos textos de Mateus capítulo 28, Marcos capítulo 16, Lucas capítulo 24, Atos dos Apóstolos capítulo 1 e João capítulos 21 e 22.

Jesus foi crucificado numa sexta feira e enterrado numa gruta, às pressas, quase ao cair do sol, ainda antes do início do sábado judaico. E o corpo lá ficou até domingo bem cedo. E aí os fatos que discuto aqui tiveram início.

Ao raiar do dia, Maria Madalena e algumas outras mulheres (Maria, mãe de João e Tiago, Salomé e outras), todas discípulas de Jesus, foram até o tumulo onde Ele estava enterrado, por que entendiam que o corpo não tinha sido adequadamente preparado, conforme as tradições judaicas em vigor, por causa da pressa em enterrá-lo.

Chegando ao local do sepulcro, viram com espanto que a pedra que selava a entrada da gruta tinha sido removida e os guardas romanos não estavam no local. Maria Madalena foi a primeira a reagir e, apesar do medo que sentiu, aproximou-se e foi olhar dentro do túmulo – era preciso se abaixar para fazer isso -, enquanto as outras ficaram à distância.

Olhou e viu que o corpo não estava mesmo ali. Viu ainda dois homens, que pareciam anjos, sentados no local onde o corpo estivera. Ora, na cultura judaica, o corpo é extremamente importante – tanto assim que os judeus não cremam cadáveres – e o desaparecimento do corpo de Jesus deve ter dado um nó na cabeça de Maria Madalena, mulher simples, sem muita sofisticação mental.

Confusa, Madalena gritou para suas companheiras que viessem ver por elas mesmas – sem dúvida, naquela situação era mesmo preciso ver para crer. E ela se afastou do local, sem saber bem o que fazer. Ficou andando pelo jardim onde o túmulo ficava, tentando colocar os pensamentos em ordem e decidir o que fazer.

Foi aí que Jesus lhe apareceu pessoalmente e se fez conhecido por ela – Madalena teve assim a enorme honra de ser a primeira pessoa a ver e falar com o Cristo ressurreto. Inicialmente ela ficou confusa – a ressurreição era uma possibilidade impensável – e imaginou que o homem que se aproximou para lhe falar era o jardineiro. Isso demonstra bem que havia diferenças do Cristo ressurreto em relação ao homem Jesus que ela tinha conhecido tão bem.

Depois de falar com Jesus e se emocionar profundamente, Madalena saiu correndo, deixando as outras mulheres para trás, pois queria contar tudo para os apóstolos – todos estavam em Jerusalém, aterrorizados quanto às possíveis consequências do que tinha acontecido com seu Mestre para a segurança deles próprios.

Enquanto isso, ainda no local do sepulcro, as outras mulheres finalmente juntaram coragem para se aproximar da tumba e ver o que tinha acontecido. E testemunharam que o túmulo estava mesmo vazio e certamente também ficaram desorientadas.

Foi quando os dois anjos se aproximaram delas e lhes anunciaram que Jesus tinha ressurgido dentre os mortos e que iria encontrar os apóstolos na Galileia.

As mulheres resolveram nada contar do que tinham visto e ouvido –  é importante perceber que o testemunho das mulheres, naquela época, não tinha credibilidade. Assim, elas tinham medo de serem ridicularizadas ao relatar fatos tão surpreendentes.

Foi aí que Jesus também falou com elas e reforçou o recado que os anjos tinham dado – Ele iria ver os apóstolos, com mais calma, na Galileia, longe da pressão política de Jerusalém. Afinal, a Galileia era a terra natal da maioria dos apóstolos e eles ali encontrariam apoio e cobertura.

Enquanto isso, Pedro e João, já alertados dos fatos por Maria Madalena, já vinham correndo em direção ao túmulo, para verificar tudo pessoalmente. Quando chegaram lá, confirmaram tudo mas não viram Jesus pessoalmente.

Ao mesmo tempo, o grupo de mulheres chegou até os apóstolos e repetiram o relato de Maria Madalena. Os apóstolos responderam que Pedro e João tinham ido até lá pessoalmente e não se mostraram muito dispostos a acreditar no que tinham ouvido, como era de se esperar.

Aí Pedro e João voltaram e confirmaram o relato que o túmulo estava vazio. E o clima entre os apóstolos mudou totalmente, de tristeza e preocupação com seu futuro, para a euforia, pois finalmente eles se deram conta de que estavam testemunhando algo extraordinário.

A notícia correu como um rastilho de pólvora pela cidade de Jerusalém e, naturalmente, chegou aos ouvidos das autoridades religiosas judaicas, sempre preocupadas em manter a situação política sob controle. Tendo confirmação que o corpo desaparecera mesmo, os sacerdotes subornaram os guardas que tinham estado tomando conta da tumba, para que dissessem que tinham dormido e os discípulos aproveitaram esse descuido para roubar o corpo. Prometeram também proteger os guardas caso seus superiores viessem lhes cobrar a responsabilidade por aquela infração – a pena num caso como esse era a morte.

No meio da tarde, dois discípulos de Jesus, um deles chamado Cleópas, foram até Emaús, vilarejo que ficava a cerca de 12 km de Jerusalém. Provavelmente pretendiam espalhar naquele vilarejo as boas novas da ressurreição. Os dois foram pela estrada debatendo o significado dos acontecimentos tão extraordinários.

Então apareceu outro homem, que se juntou à conversa. O interessante é que o homem desconhecido contou para eles que aqueles acontecimentos estavam previstos na Bíblia dos judeus (o nosso Velho Testamento).

Chegando a Emaús, Cleópas e seu companheiro pediram ao desconhecido para pernoitar com eles, pois tinham gostado muito da conversa anterior. E durante a refeição comum, o desconhecido tomou o pão, o partiu e deu graças, assim como Jesus fizera tantas vezes. E somente aí, Ele foi reconhecido pelos discípulos, em meio a grande alegria. Mas Jesus não permaneceu com eles.

Os dois discípulos voltaram correndo para relatar o que viram – eles foram os primeiros homens a ver Jesus ressurreto. Enquanto faziam seu relato, o próprio Jesus apareceu no meio deles e chegou a ceiar ali – foi nessa oportunidade que Tomé duvidou da ressurreição e Jesus lhe permitiu que colocasse os dedos nas sua feridas, conservadas mesmo no seu novo corpo.

Aí termina o relato dos acontecimentos do domingo da ressurreição. Jesus voltou a aparecer para os discípulos na Galileia, conforme tinha prometido e chegou a comer com eles – foi nessa oportunidade que Pedro foi perdoado de ter negado a Jesus, depois de confessar, por três vezes, que amava seu Salvador.

Ao longo de 40 dias, Jesus fez outras aparições: para Tiago, seu irmão, para um grupo de cerca de 500 pessoas, para Pedro individualmente e outras mais, embora as datas em que esses fatos aconteceram não sejam referenciadas
no relato bíblico.

Durante essas aparições, além de provar que tinha ressuscitado, Jesus encorajou os discípulos e lhes explicou qual tinha sido sua missão no mundo. E antes de subir aos céus, Jesus lhes deu instrução para voltar para Jerusalém e aguardar ali a chegada do Espírito Santo, o que se deu no dia do Pentecostes (nascimento da igreja cristã).

Finalmente, Jesus subiu ao céus, de Betânia, local onde moravam Marta, Maria e Lázaro – essa aldeia fica ao lado do monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém. Jesus desapareceu entre as nuvens e dois anjos vieram para os discípulos avisar que Ele não estava mais nesse mundo e voltaria (da mesma forma como viram-no desaparecer), no final dos tempos.

Com carinho

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