O PROBLEMA DAQUELES QUE NÃO TÊM DEUS

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Muitas pessoas acham que não há problema em não ter Deus nas suas vidas. Pensam que podem viver bem, fazer boas coisas e não sentir qualquer falta d´Ele. Mas a experiência mostra que não é bem assim.

No começo de 2015 o conhecido cientista Oliver Sacks, que era ateu convicto, descobriu que tinha um câncer mortal no fígado – ele veio a morrer cerca de 6 meses depois. Quando ficou sabendo da sua doença, Sacks  escreveu um artigo publicado em vários jornais do mundo (inclusive no Brasil), no qual fez uma reflexão sobre o momento triste que estava passando. Veja um trecho abaixo:

“…Semanas atrás, descobri que tinha metástase múltipla no fígado…esse tipo particular de câncer não pode ser contido. Cabe a mim agora escolher como viver os meses que me restam…Isso não significa que desisti da vida…e quero…no tempo que me resta aprofundar minhas amizades, dizer adeus para as pessoas que amo, escrever mais, viajar se tiver forças, atingir novos níveis de entendimento e compreensão. Isso vai envolver audácia, clareza e simplicidade no discurso; tentar acertar minhas contas com o mundo…”  Oliver Sacks (Publicado no O Estado de São Paulo em 20/02/2015)

As pesquisas de Sacks, que o tornaram mundialmente famoso, eram na sua maior parte relacionadas com a evolução do cérebro humano e um dos seus objetivos era demonstrar que Deus não foi necessário para que a humanidade chegasse onde chegou. Sacks pensava que era possível explicar a realidade que vivemos sem precisar recorrer a Deus e, nesse sentido, ele foi um forte crítico do cristianismo. 

Não se pode deixar de reconhecer que Sacks pareceu encarar a morte de forma admirável, mas é possível também notar no seu artigo final um travo amargo. Chamo atenção para uma pequena frase no final do texto, onde Sacks falou em “tentar acertar minhas contas com o mundo“.

Com essa frase, Sacks revelou que sabia ser preciso prestar contas do que fez durante sua vida. Mas para quem essas contas deveriam ser prestadas? A resposta de Sacks foi: “o mundo”.

A prestação de contas ao final da vida
O fato é que todas as pessoas têm dentro de si mesmas a percepção que precisam prestar contas a um poder maior – isso está, de alguma forma, “gravado” nas suas mentes. Para Sacks, um ateu, não fazia sentido falar em Deus naquela altura da sua vida, por isso ele tentou resolver o dilema dizendo que devia contas para o “mundo”. E acredito que Sacks se referiu à opinião pública da sociedade onde vivia.

Mas há um erro nesse raciocínio: a “opinião pública” não é uma entidade superior à qual se possa prestar contas. Ela nada mais é do que um rótulo que procura descrever conjuntos de pessoas se relacionando de forma complexa.

A “opinião pública” tanto é formada por pessoas mais velhas, que assistem os jornais da televisão todos os dias e são influenciadas pelas notícias e comentários que ouvem ali, como também pelos/as jovens que trocam ideias via Twitter, Facebook ou Instagram. E esses dois grupos pensam, agem e valorizam coisas bem diferentes – o que pode ser bom para algumas pessoas, pode parecer péssimo para outras. 

Além de ser fragmentada, a opinião pública não é estável. Pessoas que foram aprovadas no seu tempo podem ser execradas mais tarde, à medida que as ideias mudam. Por exemplo, políticos como Hugo Chavez (ex-presidente da Venezuela) e Juan Domingo Péron (ex-presidente da Argentina) já foram adorados pelos públicos dos seus respectivos países e hoje são altamente criticados e considerados responsáveis por muita coisa de ruim que aconteceu nesses lugares.  

Portanto, Sacks pode até ser elogiado hoje, mas nada impede que seja extremamente criticado mais tarde e seus estudos serem até considerados um completo desperdício de tempo e recursos. 

Em outras palavras, não há qualquer garantia quando o ponto de apoio é a opinião pública, pois ela é fragmentada (o que é bom para uns é ruim para outros) e instável (muda com as ideias e costumes da época). Essa base nunca é sólida. Entidades humanas, não importa quais sejam, nunca podem servir como bons “juízes”.

Algumas pessoas que estão distantes ou negam Deus, quando se dão conta desse dilema, o que costuma acontecer no fim das suas vidas, tentam mudar seu rumo, em busca de maior segurança, e se aproximam de Deus. Conheço vários casos de ateus convictos que reconheceram a existência de Deus quando estavam próximos da morte. Um exemplo famoso é o filósofo Anthony Flew, que passou anos escrevendo artigos que procuravam provar que Deus não existe e mudou de opinião no fim da vida.

Conclusão
Não há como fugir da prestação de contas ao final da vida – todos/as vamos passar por isso. E essa certeza está dentro de cada um/a. Quem já está próximo de Deus, nada tem a temer, mas que não está precisa abrir o olho, pois o risco é real.
Não adianta se consolar, como Oliver Sacks, achando que não vão mesmo precisar de Deus – basta apelar para coisas como a opinião pública. Mas, como já vimos, isso não passa de auto-engano. Outras vão em frente, não querendo dar o braço a torcer, e acabam pagando o preço, porque a conta chega, mais cedo ou mais tarde. E há quem acorde para essa realidade e mude em tempo – têm humildade para reconhecer seu erro e se arrepender, acabando acolhidas por Deus. 
Qual é sua situação? Lembre-se que viver como se Deus não existisse é muito perigoso. Quanto mais cedo você reconhecer isso, melhor.
Com carinho

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