O PROBLEMA COM O PAPAI NOEL

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Hoje vou discutir um tema polêmico relacionado com o Natal: a figura do Papai Noel. Esse personagem acabou se tornando dominante nas comorações de Natal e deixa até a figura do menino Jesus, a razão de ser do Natal, meio de lado.

A origem do Papai Noel é uma mistura de lenda pagã, superposta a um santo católico, tudo isso transformado num grande sucesso de marketing pelos esforços comercias pela Coca Cola. É por isso que a roupa do personagem é vermelha (cor tradicional do logotipo da Coca Cola).

Essa origem duvidosa, faz com que muitos cristãos de boa fé acreditem sinceramente ser pecado e até um sacrilégio usar a figura do chamado “bom velhinho” nas comemorações de Natal. E aí que nasceu mais uma polêmica entre os evangélicos, que vou tentar esclarecer aqui.

A questão da origem pagã do Papai Noel
Eu tenho uma postagem aqui no site onde discuto outra polêmica comum sobre o Natal que é o uso de decorações típicas, como árvores enfeitadas com bolas, já que essas tradições têm origem pagã. Minha conclusão (veja mais) foi que não há como estabelecer uma doutrina proibindo tais “empréstimos” de tradições, já que o povo de Israel e também os apóstolos cristãos fizeram a mesma coisa.

Portanto, aceitar, ou não, esses símbolos festivos é decisão de ordem estritamente pessoal, não doutrinária. Há quem se sinta incomodada com eles e por causa disso deve evitá-los, já outras pessoas não têm qualquer problema com essas decorações e não há razão para impedi-las de usar essas tradições.

E penso que com o Papai Noel ocorre a mesma coisa: não há razão para estabelecer doutrina caracterizando esse personagem como algo bom ou ruim. Não há razão para fazer proibições.

O “bom velhinho” é uma figura de ficção (mitologia), que foi sendo transformada aos poucos, até que (em meados do século passado) chegou à forma atual. O Papai Noel, portanto, não difere em nada de tantos outros personagens que povoam o imaginário infantil, como a Branca de Neve ou a Cinderela.

Proibir a figura de Papai Noel por causa das suas raízes pagãs deveria levar, por coerência, à proibição da maioria dos personagens de contos de fadas, bem como dos super heróis (Homem Aranha, Capitão América, Super Homem   e outros). E levaria também à proibição de livros clássicos como a Ilíada e a Odisseia, ambas de Homero, que são relatos mitológicos passados na Grécia antiga e recheados de estórias de deuses pagãos. E assim por diante, até proibir boa parte da ficção usada no mundo ocidental.

Conhecer e apreciar obras artísticas de ficção, mesmo que sua origem não seja cristã, é muito diferente de cultuar outros deuses. Os personagem de contos de fadas e mitologias são imaginários e ninguém, em sã consciência, pensaria estar cultuando o Homem Aranha por apreciar os filmes com esse personagem, ou mesmo por vestir uma criança com uma fantasia da Cinderela.

Essas coisas que pertencem ao mundo da fantasia, da ficção e acredito que as pessoas sabem separar muito bem esses personagens de deuses pagãos.

O problema real com o Papai Noel
O perigo verdadeiro que a figura do Papai Noel gera é de outra natureza: o desvio do foco da comemoração do Natal de Jesus Cristo para esse personagem.

O “bom velhinho” representa tudo aquilo que as pessoas querem: prazer, alegria de dar/receber presentes e festa. Mas, o nascimento de Jesus passa mensagem diferente: esse fato aconteceu em condições extremamente precárias (numa estrebaria), o que aponta para a desigualdade social e a injustiça deste mundo. A vinda de Jesus ao mundo fala também da necessidade de salvar as pessoas dos seus pecados. E esses são temas não muito gradáveis para as pessoas. Em outras palavras, a mensagem passada pelo Papai Noel é muito mais agradável e fácil de aceitar.

Agora, ver o Natal como um evento apenas dedicado ao prazer e à alegria, filosofia simbolizada pela figura simpática do Papai Noel, e esquecer aquilo que o nascimento de Jesus representa, é fugir da verdade e se anestesiar. E isso é muito perigoso.

Existe um mito da cultura grega que explica bem os perigos de uma postura desse tipo. A feiticeira Circe era uma mulher linda e poderosa, mas maligna. Ela habitava uma ilha maravilhosa, um verdadeiro paraíso na terra. Essa ilha era um local exclusivamente destinado ao prazer humano, onde as festas nunca acabavam.

Os viajantes que chegavam na ilha ficavam tão maravilhados que iam adiando sua partida, até que se esqueciam totalmente de quem eram e das suas responsabilidades na vida. Transformavam-se em figuras patéticas, anestesiadas, sem qualquer propósito na vida.

As pessoas correm o risco de serem afetadas pelo “efeito Circe” – tornarem-se anestesiadas pela busca incessante do prazer e alegria a qualquer preço, esquecendo-se das realidades da vida. E isso fica bem claro quando o menino Jesus é substituído pelo Papi Noel nas comemorações de Natal. A meu ver, esse é o verdadeiro problema com a figura do “bom velhinho”.

Com carinho

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