O PODER DA MOTIVAÇÃO POSITIVA

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Parte importante do desafio de ser cristão, tema de fundo deste site, é vencer a luta contra a tentação. E nem Jesus ficou livre desse tipo de batalha diária – Ele foi tentado por Satanás, por três vezes (Mateus capítulo 4, versículos 1 a 11).

Minha experiência de vida – com base em meus muitos erros e alguns acertos – ensinou-me que as pessoas tornam tudo ainda mais difícil por lutarem da forma errada. Elas tentam enfrentar a tentação usando o que chamo de “motivação negativa”, que é a tentativa de evitar uma punição. Elas lutam para resistir porque temem a punição que Deus poderá lhes dar caso cedam à tentação. 

Mas, a motivação positiva – lutar para obter um prêmio – costuma ser uma alternativa muito melhor. Quando seguem essa abordagem, as pessoas lutam para resistir à tentação porque o pecado atrapalha seu relacionamento com Deus.

Vou dar um exemplo simples para que você entenda melhor o que acabei de falar. Imagine que o aniversário da minha mulher esteja próximo e preciso achar um bom presente para ela. E minha motivação para essa tarefa pode ter duas naturezas alternativas: negativa ou positiva.

A motivação negativa seria a de evitar um problema: Preciso encontrar um presente suficientemente bom para que minha mulher não fique chateada comigo. Faço então o esforço necessário e quando encontro um presente que preenche esse requisito mínimo, dou minha busca por terminada, com um suspiro de alívio.

A motivação positiva seria a de lutar por uma recompensa: Pensar na alegria que ela vai ter ao receber um presente que demonstre meu amor e carinho. Isso me fará procurar o melhor presente possível – e não me refiro aqui a valor e sim ao seu significado (demonstração que ela é importante para mim).

A primeira alternativa procura evitar uma “punição” (minha mulher ficar chateada comigo), enquanto a segunda se baseia na busca de um “prêmio” (dar uma alegria para ela). E acho que você não tem qualquer dúvida que a segunda abordagem trará resultados muito melhores: A busca pelo presente será muito mais prazerosa e as chances dele agradar serão muito maiores.

Voltando à questão da luta contra a tentação, a abordagem negativa pode ser resumida da seguinte forma: devo evitar o pecado para não ser punido/a por Deus.

O problema é que a motivação negativa somente funciona até determinado ponto: Enquanto o medo da punição for maior do que o prazer proporcionado pelo pecado. E toda vez que a “balança” se desequilibra – o “sacrifício” que é feito para evitar a tentação cresce e/ou o medo da punição diminui – as pessoas ficam mais sujeitas a pecar.

E é exatamente por isso que as pessoas pecam tanto – basta lembrar que a punição de Deus está distante (não costuma vir na mesma hora), enquanto o prazer gerado pelo pecado é imediato.

Um outro exemplo simples ajuda a explicar melhor tudo isso: é mais fácil resistir a uma oferta de suborno de dez mil reais do que uma de dez milhões de reais. O “sacrifício” que a pessoa fará para resistir ao suborno de valor mais alto será muito maior (afinal, dez milhões de reais poderão arrumar a vida dela para sempre). Já dez mil reais poderão não fazer tanta diferença assim na vida dela.

Nesse exemplo, fica claro que quando o “sacrifício” para evitar o pecado cresce, a “balança” se desequilibra a favor da tentação e fica muito mais difícil resistir a ela.

A diminuição da punição também “desequilibra” a balança em favor do pecado. Uma interpretação mais “favorável” da Bíblia pode transformar um pecado em algo aceitável. Um bom exemplo disso é a questão do aborto, que deixou de ser eaado para muitos(as) cristãos(ãs) com base em argumentos do tipo “a mulher tem direito sobre seu corpo” ou “não se deve colocar um filho indesejado no mundo“.

A alternativa, a abordagem positiva, na luta contra a tentação, pode ser resumida assim: “devo evitar o pecado porque ele atrapalha algo muito precioso, que é meu relacionamento com Deus.

Nessa abordagem, se o desejo de pecar aumentar e ainda assim a pessoa resistir,  o “prêmio” também aumenta, pois Deus vai valorizar ainda mais o que foi feito, pois sabe o tamanho da luta que a pessoa enfrentou. Como a “recompensa” cresce junto com o “sacrifício” em resistir à tentação, é muito mais difícil a “balança” se desequilibrar. 

Vou dar outro exemplo simples de como esse tipo de abordagem seria feito na prática, usando um tema muito importante: a luta para convencer os jovens, inclusive os(as) não cristãos(ãs), a evitar a prática do sexo irresponsável, coisa extremamente comum hoje em dia.  

A abordagem negativa seria falar para os(as) jovens que a promiscuidade pode causar doenças sexualmente transmissíveis (mostrar fotos das sequelas físicas seria ainda mais impactante), alertar para a gravidez indesejada e, em cima de tudo isso, falar da possível punição de Deus (lembrar das cidades de Sodoma e Gomorra, destruídas pelos seus inúmeros pecados sexuais), reforçaria ainda mais essa linha de argumentação.

Não seria difícil assustar os(as) jovens com esse discurso, mas o medo gerado iria prevalecer apenas até  que o desejo sexual se tornasse mais forte. Quanto mais o tempo passar, maior a chance do(a) jovem esquecer tudo que lhe foi dito. 

Infelizmente, essa é a abordagem mais usada nas igrejas e, não é por acaso, que os resultados são ruins – basta lembrar quantos(as) pessoas se afastam das suas igrejas ao chegar na juventude. E quanta hipocrisia há entre os(as) jovens que permanecem dentro das igrejas.  

A abordagem positiva começaria falando do amor de Deus e do seu desejo que todos(as) experimentem o melhor que Ele tem para dar. Poderia ser citado um versículo do Sermão do Monte, onde Jesus falou (Mateus capítulo 5, versículo 8): “Bem aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.”

O conceito de pureza de coração envolve muitas coisas, mas certamente também a conduta sexual correta. E a recompensa para a pureza do coração é ver a Deus: Ter um relacionamento estreito com Ele. Herdar suas bençãos e sentir sua presença nos momentos difíceis da vida. E isso não é pouco.

O discurso positivo poderia concluir desafiando os(as) jovens a experimentar a intimidade com Deus, ensinando-as a orar melhor, a louvar com mais sinceridade e assim por diante. E eu não tenho dúvidas que esse segundo caminho seria muito mais eficaz.

Pense nisso toda vez que estiver enfrentando uma tentação difícil de vencer ou estiver ensinando alguém a enfrentar tal tipo de dificuldade. Não se concentre na punição que você imagina que Deus poderá dar e sim na alegria que Ele terá, caso essa tentação seja vencida. 

Com carinho

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