O PECADO SEM POSSIBILIDADE DE PERDÃO

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Várias pessoas que escrevem para este site fazem uma pergunta comum: será que podem não ter sido perdoadas por algum dos seus pecados cometidos antes da conversão a Jesus? E a maioria delas se mostra apavorada com essa possibilidade. 

Será que existe razão para tal tipo de medo?  À primeira vista parece que não, pois mediante o sangue derramado por Jesus na cruz, nossos pecados são perdoados (1 João capítulo 2, versículos 1 e 2 e Colossenses capítulo 2, versículos 13 e 14).

Mas, a Bíblia fala sim de um pecado para o qual não há perdão. E quem alertou para esse tipo de situação foi o próprio Jesus. Veja o que Ele falou (Marcos capítulo 3, versículos 28 e 29):

…tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.  

O fato é que Deus pode perdoar todo e qualquer pecado, independentemente da sua natureza, duração e alcance, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não pode ser perdoada e, confesso, isso não deixa de ser assustador.
Portanto, parece existir alguma razão para muitas pessoas ficarem aflitas. Mas que pecado é esse, para o qual não há possibilidade de perdão?

Explicando o “pecado sem perdão”
Blasfemar significa “falar de forma injuriosa sobre alguém”. Portanto, será que o pecado sem perdão seria injuriar o Espírito Santo?
É importante lembrar que a Bíblia relata vários casos de pessoas que falaram injuriosamente contra Deus Pai ou Deus Filho e foram perdoadas (por exemplo, Mateus capítulo 12, versículos 24 a 29). Não teria sentido, portanto, a injúria contra Deus Pai ou Deus Filho ser perdoada e somente a injúria contra o Espírito Santo não. O tal pecado sem perdão deve ser diferente disso. Deve ter outra natureza.
Ao longo da história, muito teólogos tentaram esclarecer essa dúvida, e deram diferentes interpretações à natureza do pecado sem perdão. Uma dessas interpretações afirma que esse pecado se refere à rejeição do povo judeu a Jesus, como o Messias.  Tratar-se-ia, portanto, de um pecado coletivo.
Mas, é importante observar que, no alerta dado pelo próprio Jesus, Ele usou as palavras “aquele/a que blasfemar”, ou seja, falou claramente de um pecado de cunho individual, cometido tanto no passado, como no presente, quanto no futuro. A explicação de relacionar o pecado sem perdão ao povo judeu, portanto, não é correta. Eu diria até que tem um sabor de anti-semitismo.

Uma segunda possibilidade é que o pecado sem perdão ocorra quando alguém atribuir a Satanás uma ação que a pessoa saiba ter sido inspirada pelo Espírito Santo.
Acontece que a própria Bíblia ensina que devemos testar o que está por trás de cada manifestação espiritual (1 João capítulo 4, versículo 1). E parece absurdo pensar que, se a pessoa se confundir quanto a determinada ação ser devida ao Espírito Santo ou a Satanás, ela acabe condenada para sempre. 
A simples falta de discernimento espiritual poderia levar a pessoa à perdição eterna e isso não faz qualquer sentido, porque Deus sabe que nossa caminhada espiritual é um processo evolutivo, com avanços e recuos e o discernimento espiritual é uma das coisas mais difíceis de conseguir. 
Outra possível explicação é que esse pecado se refira à falta de fé em Jesus, como Salvador. E a menção ao Espírito Santo, nesse caso, deve-se ao fato que cabe a Ele convencer o ser humano do pecado e da justiça divina (João capítulo 16, versículos 7 a 11). Portanto, quando alguém rejeita Jesus é porque rejeitou também a ação do Espírito na sua vida.
Agora, parece um exagero chamar esse tipo de descrença de “blasfêmia”. E a simples resistência à ação do Espírito Santo, mesmo por muito tempo, não parece fazer com que a pessoa perca a possibilidade de ser perdoada A Bíblia tem exemplos de pessoas que aceitaram Jesus só no final da sua vida e foram salvas, como o ladrão crucificado ao lado de Jesus, que inclusive reconheceu ter tido uma vida pecaminosa. Portanto, essa explicação também não faz sentido.

Finalmente, existe a possibilidade da pessoa não apenas resistir à ação do Espírito Santo, como na alternativa anterior, mas, com total consciência, se referir ao trabalho dele de forma maliciosa e caluniosa, inclusive exigindo ser “deixada em paz”. Isso é feito com ódio e revolta, pois os esforços do Espírito Santo incomodam e muito. Eu já vi isso acontecer e a pessoa à qual me refiro chegou a desafiar Deus a fulminá-la naquele instante, afastando-se com um sorriso vitorioso nos lábios. 
O resultado desse tipo de escolha é que o Espírito Santo pode desistindo de tentar convencer a mudar e a deixa à sua própria sorte. E sem a ação do Espírito Santo, nunca essa pessoa vai ter consciência dos seus pecados e irá se converter, aceitando Jesus. E nunca será perdoada por Deus, pois a aceitação de Jesus é a chave para o perdão d´Ele.
E faz todo sentido que, nesse caso, não haja perdão e a condenação seja eterna. Afinal, quem se volta contra o Espírito Santo e o expulsa da sua vida, fica sem possibilidade de perdão.
E quem se converteu? 
A conclusão lógica disso é que quem aceitou Jesus no seu coração não cometeu e nem poderá cometer o tal pecado sem perdão. E a razão para isso é simples: se houve conversão e desenvolvimento espiritual, é porque há atuação do Espírito Santo na vida da pessoa. 
Assim, as pessoas que me escrevem preocupadas não precisam ter medo, apesar do passado bem complicado de algumas delas. Se alguém se converte, o Espírito Santo está agindo na vida dessa pessoa. Simples assim.
E há um paradoxo interessante aí: quem fica preocupado em ter cometido o pecado sem perdão com certeza não o cometeu. A simples preocupação comprova que o Espírito Santo continua atuando na vida da pessoa. 
Quem comete o pecado sem perdão nunca tem consciência da sua situação. Nunca se preocupa com isso. 

Com carinho
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