O JOGO DO EMPURRA

1
770

Você já ouviu falar do jogo do empurra? Ele é muito comum. Trata-se de empurrar a própria culpa para outra pessoa, para evitar enfrentar as consequências do que se fez. Vejamos um exemplo na Bíblia:

“… [Deus perguntou ao homem]: Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse o homem: A mulher que me destes por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. … Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.”  Gênesis capítulo 3, versículos 11 a 13

Esse é um diálogo que está logo no começo do livro do Gênesis. Deus tinha dito para Adão e a Eva que poderiam fazer qualquer coisa, menos comer o fruto da “árvore do bem e do mal“. Aí veio a serpente (Satanás) e tentou a mulher. Ela comeu e deu para Adão também comer. E aí começou a queda do ser humano.

É interessante perceber que quando Deus questionou Adão sobre sua culpa, o homem não assumiu o que tinha feito e lançou a responsabilidade sobre a mulher. Essa, ao ser questionada por Deus, por sua vez, culpou a serpente. A serpente não foi questionada, mas se tivesse sido, talvez tivesse culpado o homem ou devolvesse a bola para a mulher. Nasceu aí o jogo do empurra.

Essa é uma situação clássica que acontece toda hora no âmbito da família, da empresa e até da igreja. Ninguém quer ficar com a culpa por algo que saiu errado. E os esforços se concentram em jogar a responsabilidade para cima de outra pessoa ou mesmo atribuir o problema a uma circunstância fora do controle de todos.

E assim as pessoas vão encontrando formas de viver com seus erros e acalmando suas próprias consciências. Chegam atrasadas não porque saíram depois do horário devido, mas porque o trânsito estava ruim. Deixam de cumprir suas tarefas na igreja não porque lhes falte compromisso com o Reino de Deus, mas porque acham não ter tempo. Falam mal do próximo não porque são maledicentes, mas porque precisavam falar a verdade. E assim por diante.

Agora, o pior mesmo acontece quando as pessoas culpam Satanás pelo seu próprio pecado, como Eva fez. Eu costumo dizer que Satanás tem “ombros largos” e é culpado até pelo que não faz, embora certamente faça muita coisa ruim.

É claro que Satanás usa as fraquezas das pessoas para fazê-las cair em pecado – isso é da sua natureza. Mas são as pessoas que escolhem pecar, pois elas não são forçadas a fazer nada. Por isso a responsabilidade é sempre delas, aos olhos de Deus.

Todos nós erramos e fazemos escolhas ruins. Agora, se ao pecarmos, não formos capazes de reconhecer nossos próprios erros, se jogarmos a culpa do que fizermos nas outras pessoas, nas circunstâncias ou em Satanás, as coisas só vão piorar. E digo isso por três razões.

Primeiro, porque a atitude de negar o erro e de se esconder do malfeito, é prova de arrogância, o que desagrada a Deus. Ter humildade para reconhecer o próprio erro e pedir perdão a Deus são os primeiros passos para a redenção, pois, sem isso, não haverá perdão de Deus.

Depois, culpar outras pessoas ou circunstâncias pelos próprios erros é nocivo porque quem faz isso certamente vai repetir o erro. É simples assim. Tomar consciência do erro cometido é um poderoso antídoto para não repeti-lo.

E, finalmente, a tentativa de esconder o pecado pode nos levar a cometer outros pecados, como mentir ou lançar falso testemunho contra o próximo. Ou seja, o pecado inicial vira uma bola de neve, que vai rolando ladeira abaixo e crescendo sempre. 

O jogo do empurra é uma coisa muito perigosa para a vida espiritual de qualquer pessoa. Portanto, fuja disso. Reconheça o que você vier a fazer de errado, o quanto antes, peça perdão e lute para melhorar. É isso que agrada a Deus.

Com carinho

1
Deixe um comentário

avatar
1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
0 Comment authors
Jorge Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
Jorge
Visitante
Jorge

Vamos alargar um bocado as responsabilidades no tema deste publicação? Pode ser?E claro que podemos! Porque o contexto neste espaço, como já sabemos, é de inspiração bíblica, sempre! E Deus que eu saiba é omnisciente, no seu firme contexto bíblico não há como refutar o óbvio. “Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?”. Ora bem, Deus que criou tudo – omnipotente – pôs aquela “árvore do bem e do mal” mesmo “à mão de semear” das ainda castas criações. Contou sobre a árvore a Adão e Eva e ordenou-lhes que não comesse dela. E agora o mais… Read more »