OS INVISÍVEIS

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Hoje vamos falar sobre os invisíveis, ou seja, as pessoas que não notadas pela sociedade. E nada melhor para falar desse tipo de pessoa que a letra de uma famosa música de Chico Buarque, chamada “Construção”, que trata da morte de um operário da construção civil:

Subiu a construção como se fosse máquina. Ergueu no patamar quatro paredes sólidas. Tijolo com tijolo num desenho mágico. Seus olhos embotados de cimento e lágrima. Sentou pra descansar como se fosse sábado …E tropeçou no céu como se fosse um bêbado.  flutuou no ar como se fosse um pássaro.  E se acabou no chão feito um pacote flácido. Agonizou no meio do passeio público.  Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Não temos uma casta de “intocáveis”, como a Índia teve durante séculos, mas temos uma coisa quase tão ruim: uma enorme massa de “invisíveis”. Gente humilde que quase não é notada no dia a dia.

Parece que elas não existem, são invisíveis aos olhos da sociedade. Refiro-me a garis, porteiros/as, faxineiros/as, operários/as da construção civil, pedintes nos sinais de tráfego, etc. 

O sofrimento de ser invisível
Tempos atrás vi um programa de televisão no qual o repórter se vestiu de gari e passou alguns dias circulando pela cidade. No seu relato, ele falou da angústia que sentiu ao não ser “visto” pelas demais pessoas. Ficou deprimido.

Imagina, então, o que acontece com quem vive esse tipo de experiência todos os dias, muitas vezes sem qualquer perspectiva de mudança. A auto-estima dessa pessoa fica reduzida a nada.

Ninguém gosta de ser invisível e a propaganda trabalha exatamente esse desejo, chamando atenção para as coisas que parecem nos tornar mais notados. Queremos nos tornar bem visíveis para a sociedade.

Os invisíveis, no Brasil, morrem nas filas dos hospitais públicos, por não serem atendidos em tempo. Habitam lugares de risco, pois não tem condições de morar em áreas melhores. Sofrem com as brutalidades dos policiais. E passam necessidade, enquanto outras pessoas se fartam e até desperdiçam os recursos.

Essas pessoas não contam, não opinam, não influem, enfim não valem quase nada para a sociedade. No máximo, são estatísticas nos relatórios do governo.

Elas só costumam se tornar “visíveis” quando acontece uma grande tragédia, como uma inundação, uma pandemia (como a crise do coronavírus), um incêndio, ou um grande desastre.   E também quando, de alguma forma, sua desgraça pessoal interfira no cotidiano da cidade em que moram. É exatamente disso que a letra da música “Construção” trata: o operário “morreu na contra mão”, atrapalhando o tráfego” do sábado. 

O ensinamento de Jesus
Os leprosos, na época de Jesus, eram considerados/as impuros e por isso viviam afastados do convívio social, dependendo da caridade pública para sobreviver.
Os leprosos tornavam-se invisíveis para quase toda a sociedade. E, o pior, é que havia a percepção de que essas pessoas tinham feito por merecer sua sorte, pois teriam pecado diretamente ou sofriam as consequências dos pecados de seus pais.

Hoje não é muito diferente. Já cansei de ouvir, a respeito dos nossos invisíveis, comentários do tipo: “são assim por que não se esforçam para serem melhores” ou ainda “no fundo, eles gostam de viver esse tipo de vida“. 

Jesus interagiu muitas vezes com os leprosos e curou vários deles. E somente pelo fato de falar com essa pessoas, Ele foi muitas vezes criticado pelas autoridades religiosas, por estar se “contaminando” ao ter contacto com quem seria pecador.

Jesus via invisíveis e nos ensinou a fazer o mesmo, inclusive com seu exemplo pessoas. E Ele nos ensinou que nenhum gesto de bondade, que venhamos a fazer para com essas pessoas, deixará de ser recompensado por Deus (Mateus capítulo 10, versículo 42). Disse ainda mais: ao vermos os invisíveis, estaríamos vendo a Ele  mesmo (Mateus capítulo 25, versículos 35 a 45). 

Palavras finais
Quantas vezes você leva em conta essas palavras de Jesus? Você já tentou se colocar no lugar de qualquer desses invisíveis para tentar entender como eles se sentem? O que você sabe da vida e dos problemas deles? Quando eles recorrem a você para pedir ajuda, o que você faz? 

Se você ainda não vê invisíveis que Deus colocou no seu caminho, lembre-se que Jesus espera que você mude seu comportamento. E passe a se relacione de forma carinhosa e misericordiosa com essas pessoas. Quase sempre, elas precisam de muito pouco: um sorriso, uma palavra amorosa e alguma atenção.

PS Veja mais sobre este tema aqui.

Com carinho

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Marcos Antonio de Sousa

Neste mundo cheio de invisìveis, não são poucos que morrem na fila dos hospitais públicos. Certo jornalista comentou que se aquele senador ou mesmo aquele vereador precisassem dos hospitais públicos, a saúde não estava um caos. Quando será que os políticos desse país vão precisar dos hospitais públicos?