O ESTUDO DA TEOLOGIA ESFRIA O CRENTE?

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Será que importa mais viver a fé, sem dar muita importância à doutrina que tenta explicá-la (teologia)? Ou será que primeiro é preciso entender bem a doutrina (teologia), para embasar a fé seja numa fundação sólida? O que vale mais: teoria ou prática?

Esse dilema costuma estar presente na vida espiritual das pessoas, mesmo quando elas não estão muito conscientes disso. Por exemplo, as igrejas mais avivadas privilegiam a experiência, como a vivência dos dons do Espírito Santo no dia-a-dia. E boa parte das lideranças acha que muito estudo de teologia esfria o/a crente. As igrejas mais tradicionais costumam se preocupar muito com a doutrina (teologia) e acham que a falta de conhecimento de teologia leva a heresiais de todo tipo. 
Qual das duas abordagens é a certa? O que deve ter mais importância na vida do crente: a teoria (teologia) ou a prática?
Entendo porque creio
Na maioria dos casos as pessoas começam a crer e não se preocupam muito em entender e muito menos encontrar razões para sua crença. Trata-se de um tipo de fé que, mesmo vibrante, é meio cega.

A pessoa começa por “sentir Jesus no seu coração” e depois, se houver condição e tempo, ela vai tentar entender de fato a doutrina que explica e justifica o que está acontecendo na sua. 

Cada vez mais, essa é a norma pela qual a experiência cristã vem sendo medida. Mas, crer sem entender bem naquilo que se acredita, gera um risco importante: a prática de excessos (como o abuso dos dons do Espírito Santo), mesmo quando as pessoas estão pensando fazer a coisa certa. A doutrina serve como padrão de referência para as ações e se seu conhecimento não é forte, a vivência espiritual pode sair do controle: as pessoas podem confundir desejos pessoais com revelações de Deus, ver a presença de Satanás onde isso não ocorre ou perceber milagres onde eles não aconteceram de fato. usam o jejum de forma errada e tornam dízimos e ofertas o padrão da fé. 

E, se a doutrina não fosse de fato necessária, não haveria tanta preocupação na Bíblia em falar sobre isso – o apóstolo Paulo, por exemplo, dedicou a maior parte dos seus textos para explicar a teologia cristã. 

E, nunca se pode esquecer, que a experiência vivida nunca pode servir para estabelecer doutrina, ou seja, para definir regras de vida para as pessoas. Não é porque Paulo ou Davi viveram de uma forma ou de outra, fizeram isso ou aquilo, que obrigatoriamente devemos agir da mesma forma. Vivemos numa outra época e experimentamos problemas que eles não vivenciaram. 

A experiencia vivida serve apenas para dar exemplos positivos e negativos do que pode ser feito e das consequências que decorrem das escolhas erradas ou certas. 

Regras de vida somente podem ser estabelecidas por Deus, conforme consta na Bíblia. Regras de vida são fruto da teologia, como também é a definição de como essas regras devem ser seguidas na prática. Tudo isso requer estudo da doutrina cristã – não há como escapar.

Creio porque entendo  
Algumas pessoas precisam primeiro entender a doutrina para depois conseguir crer. Querem ter certeza que estão acreditando na coisa certa. Primeiro, querem ser convencidas. Portanto, para elas, o conhecimento da teologia vem antes de viver o cristianismo. 

E só conseguem continuar acreditando se encontram respostas adequadas para suas dúvidas. Se não encontramo, vão em busca de outra fé, “mais racional”. A fé dessas pessoas acaba sendo meio instável, pois está sempre dependente da busca de explicações e das razões encontradas. 

Essas pessoas têm grande dificuldade em aceitar os “mistérios” da fé cristã, ou seja, aquelas verdades espirituais que não podem ser explicadas pela razão. E sempre desconfiam da experiência espiritual direta, como o uso dos dons do Espírito Santo ou a ocorrência de milagres. Por causa disso acabam vivendo uma fé meio fria, excessivamente racional. 

A Bíblia repudia essa posição, lembrando que a razão não pode orientar todos os aspectos da vida espiritual. Conforme Jesus alertou, o cristão precisa viver sua fé como as crianças, que confiam cegamente nos seus pais. 

Palavras finais
Escolher entre experiência vivida e doutrina é um falso dilema, semelhante a perguntar quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha.
É preciso entender a doutrina para poder verificar se as experiências vividas estão de acordo com que a Bíblia estabelece. O estudo da doutrina não esfria o/a crente. Por outro lado, o estudo da doutrina não pode se tornar um fim em si mesmo. É preciso sair da zona de conforto, levar a fé cristã para o mundo e viver essa verdade plenamente – precisamos ser sal da terra, conforme Jesus ensinou.
Doutrina e experiência vivida, as duas coisas precisam andar juntas e se completar. Nenhuma é mais importante do que a outra. Pode ser que, num determinado momento, a experiência vivida tenha mais peso – por exemplo, a pessoa passa por uma crise existencial e precisa sentir, de forma forte, a presença de Deus na vida dela. E em outra circunstância, pode acontecer exatamente o contrário, sendo preciso dar preferência ao estudo da doutrina – por exemplo, a pessoa tem dúvida por que Deus age de uma forma e não de outra.  
Uma vida espiritual saudável requer doutrina e prática, em medidas iguais.  
Com carinho 

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