O ERRO DA ANA PAULA VALADÃO

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A conhecida cantora evangélica Ana Paula Valadão deu uma declaração na semana passada que causou polêmica. Tudo começou quando a cadeia de lojas C&A lançou campanha de marketing baseada na chamada “ideologia do gênero”, assunto que anda muito popular. 

A ideologia do gênero pretende distinguir sexo (homem e mulher) de gênero (masculino e feminino). Vou me explicar melhor. 

Seres humanos nascem homens ou mulheres e a diferença entre os dois sexos pode ser percebida visualmente. Agora, a identidade de gênero – o comportamento masculino ou feminino – é construída pela vida em sociedade. Isso porque meninos são criados para serem do gênero masculino. Para gostarem de determinadas coisas (como futebol) e não de outras (brincar com bonecas) e assim por diante. E o mesmo acontece com as meninas.

Quem defende essa tese afirma que ninguém nasce do gênero masculino ou feminino. As pessoas são ensinadas a adquirirem uma ou outra identidade. E isso gera problemas desnecessários – por exemplo, quando um homem não se sente do gênero masculino e passa a viver um conflito que não deveria existir. 

Assim, essas mesmas pessoas defendem que a educação das crianças seja mudada, dando-lhes liberdade para assumirem o gênero – masculino ou feminino – que desejarem, quando e como entenderem ser melhor. 

A campanha da cadeia de lojas C&A, a que me referi no início deste post, vai exatamente nessa direção, enaltecendo a tese que as escolhas de roupas devem ser livres – rapazes escolhendo roupas desenhadas para moças e vice-versa, sem qualquer discriminação.

Agora, não há dúvida que a ideologia do gênero entra em choque com a visão bíblica e por causa disso tem havido muita controvérsia entre educadores(as), especialmente aqueles(as) ligados aos governos do PT, defendendo essas ideias e líderes evangélicos se opondo fortemente.

Foi no meio dessa disputa ideológica que a cantora Ana Paula “caiu de paraquedas”, quando criticou a campanha de marketing da C&A e propôs um boicote a essa cadeia de loja de roupas. Até aí, tudo bem. 

Mas ela sem querer, foi além do que devia: afirmou que meninas devem se vestir como meninas e rapazes como rapazes. Por falta de orientação ou mesmo de cultura histórica e sociológica, Ana Paula “mordeu a isca” que tinha sido lançada por quem concebeu a tal campanha e deu margem a críticas por quem rotula os(as) evangélicos(as) de retrógrados, intolerantes e ignorantes.

O erro da cantora está no fato que o tipo de roupa considerado adequado para cada gênero varia de local para local e de época para época. Por exemplo, os escoceses usam saias o que é inaceitável no Brasil. Ainda mais, quando eu era pequeno, as moças não usavam calças compridas e hoje isso é absolutamente natural. 

Nas críticas feitas à Ana Paula, houve até quem lembrasse que Jesus vestia roupas (por exemplo, túnica) mais apropriadas hoje em dia para o sexo feminino.

É uma pena que isso tenha acontecido. Mas o erro da Ana Paula é muito comum: falar daquilo que não se conhece bem. E quando se faz isso, é comum dizer aquilo que não se deve. Perder o foco da discussão.

A cantora, ao discutir o tipo de roupa adequado a rapazes ou moças, focou na coisa errada. E infelizmente vejo isso acontecer a toda hora, quando líderes religiosos tentam discutir temas controvertidos como o casamento entre homossexuais ou o aborto por escolha livre da mulher grávida.

Não estou dizendo que os(as) evangélicos(as) devem evitar defender seus pontos de vista. Muito pelo contrário. Devem sim se posicionar e mostrar o que a Bíblia fala sobre cada um desses temas. Mas precisam saber como fazer isso, nunca se esquecendo que estão se dirigindo a quem não acredita nas mesmas coisas.

No caso do combate à ideologia do gênero, por exemplo, há uma psicóloga – Marisa Lobo – que vem atuando de forma corajosa. Mas argumenta de forma correta e rigorosa, do ponto de vista científico, e não se deixa desviar daquilo que interessa de fato.

No debate de temas controversos, não basta boa vontade. Não basta boa intenção. Não basta estar apoiado(a) na Bíblia. É preciso saber o que e como dizer as verdades necessárias. É necessário se preparar antes.

Esse é o ensinamento que temos da Bíblia. Por exemplo, quando Paulo visitou a cidade grega de Atenas, o berço da filosofia, ele pregou usando termos e argumentos filosóficos. Quando pregou para judeus, usou termos e argumentos adequados a pessoas daquela origem cultural. Em ambos os casos falou as mesmas verdades, mas levou em conta o público ao qual se dirigia. Simples assim.

Com carinho

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