O ENSINAMENTO DO ENXERTO NO LIVRO DE PROVÉRBIOS

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Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes no temor do SENHOR perseverarás todo dia.     Provérbios capítulo 24, versículo 17

O livro de Provérbios, de acordo com a tradição, foi escrito pelo rei Salomão, considerado por muitos o homem mais sábio da história – tal sabedoria lhe foi dada pelo próprio Deus (1 Reis capítulo 3).

Trata-se de texto escrito por Salomão para ensinar seu filho a viver uma vida correta e governar bem – infelizmente, isso não funcionou muito bem pois o rapaz teve um reinado desastroso e acabou perdendo a maior parte do reino para um rival.

Mas esse resultado não invalida a qualidade dos conselhos dados por Salomão e foi exatamente por isso que Provérbios foi incluído na Bíblia. Veja, por exemplo, o versículo acima, onde Salomão ensinou a não termos inveja da prosperidade dos pecadores, como os políticos corruptos que acabam ricos nos dias de hoje – pensamento muito importante e útil.

Agora, talvez seja uma grande surpresa para você saber que um pedaço do livro de Provérbios – do capítulo 22, versículo 17 ao capítulo 24, versículo 22 – não foi originalmente escrito por Salomão. Esse mesmo texto é encontrado em escritos atribuídos ao faraó Amenotep, que viveu muito antes de Salomão. Tais ensinamentos foram considerados relevantes por Salomão e, depois das necessárias adaptações (como fazer referencias a Deus), incluídos nos Provérbios.

Esse fato, comprovado por muitos estudiosos da Bíblia, gera consequências importantes. A primeira delas é nos ensinar a não rejeitar ideias somente por não estarem expressamente incluídas na Bíblia, posição defendida por muitos líderes cristãos. Para quem pensa assim, só é verdade o que foi incluído na Bíblia e nada mais.

Mas quando percebemos o que Salomão fez – aproveitar um texto que não era seu – e que sua ação foi sancionada pelo Espírito Santo, fica claro que essa posição exclusivista não é sustentável. Em outro post deste blog, mostrei que uma verdade contida na Bíblia não é mais verdadeira que uma verdade secular (veja mais).

Afinal, uma afirmação é ou não verdadeira, já que não há “meia verdade” (exceto, talvez, na cabeça dos políticos). A diferença entre as verdades “2+2=4” e “Jesus ressuscitou dentre os mortos” não é que a segunda é mais verdadeira do que a primeira e sim que ela é muito mais importante.

Salomão simplesmente colheu algumas verdades que julgou importantes, mesmo tendo sido formuladas por um rei pagão, e entendeu que elas deveriam ser incluídas na Bíblia. Fica claro, portanto, que o critério para incluir uma verdade na Bíblia não é sua origem e sim sua relevância para os propósitos de Deus.

Como a Bíblia tem espaço limitado, não caberiam nela todas as verdades existentes e, portanto, houve necessidade de fazer uma seleção do que seria incluído, tarefa que foi orientada pelo próprio Espírito Santo. Assim, tudo que está na Bíblia é verdadeiro, mas nem toda a verdade existente foi incluída ali.

Assim, há muitas verdades importantes que podem ser encontradas em livros seculares e usadas para orientar nossas vidas. Mas elas não podem ter contradições entre elas e o que a Bíblia estabelece.

Quando parece haver contradição entre um ensinamento extra-bíblico, que parece ser verdadeiro (por exemplo, algo sancionado pela ciência) e aquilo que está escrito na Bíblia, aí sim é preciso tomar cuidado.

Primeiro, é preciso verificar se existe mesmo tal contradição ou se é possível harmonizar as coisas. Por exemplo, a Bíblia afirma que Deus criou o universo a partir do nada e a Teoria do Big Bang fala de um “ovo cósmico” de energia que se expandiu para formar o universo. Parece ser que essas declarações são contraditórias, mas não é bem assim: basta entender que Deus foi o criador do tal “ovo cósmico” e o usou para promover a criação do universo. E tudo se encaixa. Perfeitamente.

Existe também a possibilidade que a contradição nasça de uma interpretação errada do texto bíblico. Afinal, nem sempre aquilo que as pessoas entendem estar escrito na Bíblia está correto. Por exemplo, durante muito tempo os principais teólogos entenderam que a Bíblia estabelecia ser a terra o centro do universo – foi por isso que Galileu teve problemas com a Igreja Católica, pois defendeu que a terra girava em torno do sol. Mas sabemos hoje que a Bíblia não afirma nada disso.

Agora, quando não é possível reconciliar a sabedoria humana (extra-bíblica) com o que a Bíblia diz, aí sim é preciso dar prioridade ao que está na Palavra de Deus. Simples assim.

Com carinho

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