O DIVÓRCIO DEPOIS DE 115 ANOS

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A mídia divulgou amplamente a notícia que o casal de tartarugas acima “resolveu” se separar, depois de 115 anos de união. Para quem não sabe, a “iniciativa” foi dela, ao expulsar o macho – parece que ela considerou não haver mais diálogo e quer sua liberdade de volta…

Brincadeiras à parte, essa notícia me fez refletir sobre a transitoriedade da vida. O ditado popular “não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe” fala exatamente sobre essa questão.
 
Todos gostam da segunda parte do ditado e porisso ele é muito usado nos momentos ruins da vida. Afinal saber que nenhum mal vai durar para sempre é um grande consolo e um incentivo para perseverar ante as dificuldades.

Mas, meu tema hoje é a primeira parte do ditado: “não há bem que sempre dure”. E não gostamos nada de saber disso – eu pelo menos nunca ouvi esse ditado ser usado, por exemplo, num casamento ou num batizado.

Mas, gostemos ou não, viramos páginas boas das nossas vidas todos os dias: o último Natal na casa dos avós; o último dia daquelas férias de verão fantásticas; o último dia de aula no colégio onde tínhamos tantos amigos; o último dia da faculdade, quando a responsabilidade da vida começou a pesar; o último dia de vida de uma pessoa querida; e assim por diante.

Nada material fica para sempre. Impérios foram construídos e caíram, reduzidos a algumas ruínas sem qualquer sinal de vida humana. Fortunas foram ganhas e perdidas ao longo de gerações. Empresas se tornaram poderosas, para depois acabarem aos pedaços.

Olhando o sol…
Não gostamos de pensar muito no fim das coisas boas, pois isso nos faz mal. Como disse um escritor famoso: “pensar no fim é como olhar diretamente para o sol – não dá para fazer isso por muito tempo.”

De fato, poucos conseguem fazer isso de fato e meu pai foi uma dessas pessoas. Lembro-me que, cerca de dez anos atrás, encontrei-o lendo um livro intitulado “Como morremos”. Reagi de imediato, dizendo que ler aquilo era absurdo. E ele, sempre muito sábio, respondeu: “meu filho, se eu não ler isso agora, quando vou ler?”. E ele morreu dois anos depois. Não sei se o livro (que hoje está comigo) ajudou, mas certamente ele escolheu a hora certa para lê-lo.  

Como não conseguimos encarar vamos sempre nos auto enganando e ai prosperam as juras de amor eterno, as promessas de estar sempre presente na vida ds pessoas amadas, os planos de vida de longo prazo, etc. E temperamos um pouco esse otimismo excessivo, fazendo seguro de vida.

Jesus nos advertiu várias vezes para não esquecermos que as coisas boas também têm fim. Numa delas, contou uma parábola onde um senhor de terras construiu novos celeiros pois sua produção de grãos tinha aumentado muito. Ele imaginou que passaria a ter uma vida tranquila e farta, mas mal sabia que naquela mesma noite sua alma seria chamada por Deus (Lucas capítulo 12, versículos 16 a 20).

Há razão para esperança?
Mas há sim razão para ter esperança no futuro. Afinal, Deus nos prometeu uma segunda vida maravilhosa, depois da presente existência (Apocalipse capítulo 22, versículos 3 a 5):

Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro [Jesus]. Os seus servos [nós] o servirão, contemplarão sua face… Então já não haverá noite, nem precisarão eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. 

Essa segunda vida não vai se acabar – terá começo, mas não terá fim. Nela não haverá choro e nem sofrimento. E é para lá que vamos. Glórias a Deus poristo!

Assim, quando chegar minha vez de ler aquele livro que meu pai já leu, espero ter sempre presente essa esperança. E com base nela poder, com serenidade, finalmente “encarar o sol”. Foi isso que eu vi meu pai fazer.

Com carinho
Vinicius  

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