O CRISTÃO E AS ELEIÇÕES

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Estamos próximos das eleições gerais e tenho recebido algumas perguntas sobre como os cristãos devem se comportar frente a esse evento. Aí vão algumas reflexões minhas, que espero sejam úteis para você: 

Participar sempre  
Há desencanto e cansaço natural quanto ao processo eleitoral: afinal, os/as candidatos/as prometem e não cumprem, a corrupção dos/as políticos/as é enorme e assim por diante. Por causa disso ouço com frequência pessoas dizerem que não vão votar ou anularão seus votos. 

Eu não concordo com essa posição e por várias razões. Primeiro, porque o ato de votar, para mim, sempre terá muita importância. Fui impedido, até os 38 anos de idade, de votar para Presidente, por causa das regras eleitorais impostas pelo regime militar ao nosso país, e sinto que fui roubado por muito tempo de um direito que era meu. Depois que recebi de volta esse direito, acho muito importante exercê-lo, sempre. 

Depois, porque as consequências de se omitir numa eleição podem ser trágicas. Por exemplo, na Venezuela, cerca de 15 anos atrás, a oposição decidiu boicotar as eleições parlamentares, em protesto contra o governo de Hugo Chávez. E acabaram sendo eleitos/as somente parlamentares favoráveis ao governo dele e, com base nisso, Chávez mudou a Constituição do país, pintou e bordou. E a sociedade venezuelana vem pagando até hoje um preço trágico por causa desse enorme erro político.

Não se iluda: alguém será eleito/a para Presidente, vote você ou não. Se você votar, poderá influir no resultado final. Se não votar, vai ter que aceitar aquilo que tiver sido decidido em seu nome.

Além disso, Jesus disse para sermos a “luz do mundo” e a luz só pode iluminar quando se faz presente no ambiente escuro. Se nos omitirmos, como poderemos “iluminar” as eleições gerais? 

Avalie sempre as idéias e os atos dos candidatos 
Procure conhecer as idéias (plano de governo) dos/as candidatos/as – se isso não existir, já é um sinal muito ruim.  Por exemplo, onde cada candidato/a pretende colocar a ênfase nas suas futuras ações governamentais? O que está sendo proposto para promover o desenvolvimento do país e diminuir as injustiças sociais existentes? 
E verifique se as ideias estão dentro dos princípios que a Bíblia ensina a respeito de como uma sociedade precisa funcionar. Se não estiverem em linha com esses ensinamentos, aí está uma razão muito forte para não votar no/a candidato/a que propõe essas ideias estranhas.

Mas não basta olhar para o que o/a candidato/a diz e promete, olhe também para como ele/a se comportou no passado, na vida política. Todos/as eles/as já ocuparam cargos públicos antes e o que fizeram precisa influenciar sua escolha. Se ele/a praticou corrupção, por que imaginar que fará diferente no futuro? Se não cumpriu as promessas feitas na eleição anterior, por que vai se comportar de outra forma no futuro mandato? O passado das pessoas ajuda muito a prever o que farão no futuro. 

Evangélico sempre vota em evangélico?
A resposta correta para essa pergunta é não. O eventual voto num/a candidato/a evangélico/a depende da pessoa que está pedindo seu voto. Afinal, dizer-se evangélico/a não pode ser passaporte para ganhar seu voto – trata-se simplesmente de uma declaração da fé do/a candidato/a e não um atestado de que irá fazer as coisas certas. 

E temos visto, infelizmente, com frequência, exemplos deprimentes dados pela chamada “bancada evangélica”, cujos/as integrantes se envolveram em negócios escusos, barganharam cargos e assim por diante, cobrindo de vergonha o povo evangélico.

Ser evangélico/a é uma informação importante, assim como deve ser a história da pessoa, as idéias que defende e também com quem está aliada. Esse último fator é fundamental porque, não se iluda, as alianças eleitorais têm “preço”, pago dando aos/às aliados/as fatias do poder. Se os/as aliados/as não são dignos/as, parte do poder será exercido de forma indigna. Simples assim.      

A igreja cristã deve ficar longe do poder político
Não aceite que as lideranças da sua igreja tentem usar a membresia como “curral eleitoral”, empurrando todo mundo para votar neste/a ou naquele/a candidato/a. Trata-se de coisa totalmente contrária à  prática bíblica.   

O papel da igreja cristã é ser um canal para levar os homens a Jesus e para implantar o Reino de Deus aqui na terra. Já o papel dos/as candidatos/as é lutar para conseguir obter e manter o poder civil, visando o bem da população (pelo menos é assim que deveria ser). São objetivos muito diferentes e quase nunca compatíveis entre si. 

Partidos políticos e a igreja cristã não podem se misturar, pois são como água e óleo. 

Com carinho

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