O PAPA QUE RENUNCIOU

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A notícia da semana, sem dúvida, é a renuncia do Papa Bento 16, que vai deixar o cargo no dia 28 próximo. Ele anunciou que está saindo por que não se sente mais em condições físicas de liderar a igreja Católica devido à idade e aos problemas de saúde que acumula.

Essa é primeira renuncia de um papa em quase 600 anos, demonstrando como é difícil para os seres humanos se desprenderem das posições de poder que venham a ocupar. O normal tem sido o lento declínio do homem que ocupa a posição de papa, acompanhado por toda a opinião pública, como aconteceu com João Paulo II, quem, nos últimos dois anos de vida, foi uma frágil figura sentada no trono de S. Pedro, sem ter mais qualquer voz ativa nos acontecimentos.

Bento 16 percebeu que precisava sair, para dar espaço para que viesse um sucessor em melhores condições para realizar a tarefa a cargo do papa. Abriu mão de um posição de enormes privilégios e vai passar a
viver enclausurado, sem poder se manifestar publicamente, para não
atrapalhar o novo papa.

Ter
essa capacidade de entender que o próprio momento passou e que vai passar a caber a
outro a posição de destaque, não é fácil – é preciso
grande humildade, desprendimento e amor à causa que se defende.

Há na Bíblia um caso semelhante, que foi João Batista. Ele veio ao mundo para preparar o caminho para o ministério de Jesus e, em dado momento, declarou: “É necessário que ele [Jesus] cresça e que eu [João] diminua” (Evangelho de João capítulo 3, versículo 30.

O lado escuro da renúncia
Mas há um outro lado na história dessa renúncia, que me leva a ter ainda mais admiração por Bento 16. As informações que trouxeram um pouco de luz para o que vinha ocorrendo  começaram a ser divulgadas na imprensa, a partir do anuncio da renuncia e foram, de certa forma, validadas pelo pronunciamento do próprio Bento 16 feito ontem.

Um grupo político tomou de assalto a administração da igreja católica e vinha mantendo o papa praticamente isolado dentro dos muros do Vaticano. Bento 16 dava ordens e não era obedecido. E assim foi no caso da punição de abusos sexuais e no escândalo financeiro ocorrido no Banco do Vaticano.

Cansado dessa situação e impotente para introduzir as mudanças necessárias, Bento 16 fez a única coisa que lhe restava: sacrificou-se. O homem que exercia a função “matou” o papa Bento 16, ao renunciar, e assim expôs ao mundo o que estava acontecendo, na esperança que o novo papa possa fazer aquilo que ele não conseguiu. Um golpe de mestre.

Espero que a igreja católica consiga finalmente encontrar um bom caminho, livre desse tipo de politicagem e desvio de conduta, para poder atender melhor a cerca de 1 bilhão de pessoas que olham para o Vaticano em busca de orientação e de uma palavra profética.

Com carinho     

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