E QUANDO 100 PESSOAS VALEM O MESMO QUE 4 BILHÕES

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Estamos vivendo uma situação de desequilíbrio no mundo. E os sintomas desse desequilíbrio vem gerando insatisfação visível entre as populações de vários países do mundo.

Por exemplo, vimos assistindo nas últimas semanas cenas de violência na França em protesto a aumentos nos combustíveis e a outras decisões do governo francês. Em maio deste ano, tivemos no Brasil uma greve de caminhoneiros, que paralisou o país e trouxe graves consequências econômicas. E essa greve contou com muito apoio da população. No Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Gales, etc), ocorreu no ano passado um plebiscito que levou o país a decidir sair da União Europeia. A razão para isso foi a insatisfação das pessoas com a imigração vinda de países do terceiro mundo. E a saída da União Europeia vai gerar gerar grandes custos para o país. E há vários outros exemplos a citar.

Há várias explicações apresentadas pelos analistas para esse “mal estar” das populações dos mais diferentes países. Violência, urbana, desemprego, queda do poder aquisitivo das pessoas e por aí vai. Em outras palavras, há muita coisa errada com o mundo atual.

Eu gostaria de me concentrar num problema específico, dentre todos esses que foram citados, que me parece vem se agravando nas últimas décadas.  Acredito que ele vá gerar mais e mais instabilidade social e política no mundo, se não for resolvido. Refiro-me à distribuição da riqueza em quase todos os países do mundo que vem ficando cada vez pior.

Cada vez menos pessoas concentram um volume cada vez maior da riqueza do mundo. Um punhado de bilionários/as pode se dar ao luxo de levar uma vida de sonho, enquanto milhões e milhões mal tem o que comer. 

Quando muito poucos valem tanto quanto muitos
Relatórios recentes preparados pela Organização Internacional do Trabalho indicam que apenas 100 bilionários/as têm patrimônio igual a cerca de 4 bilhões de pessoas no mundo. Isso é equivalente a dizer que cada uma dessas pessoas riquíssimas acumulou a mesma riqueza que cerca de 40 milhões de pessoas (o equivalente à população da Argentina ou do Canadá).

Não estou afirmando que esses/as bilionários/as sejam más pessoas e/ou tenham feito suas fortunas explorando os outros. Vários deles, como Bill Gates, fundador da Microsoft, ou Jeffrey Bezos, fundador da Amazon, são pessoas decentes. E até se mostram muito preocupados com os mais pobres. E demonstram isso doando centenas de milhões de dólares para a caridade.

Essas pessoas fizeram seus bilhões de maneira honesta, sendo criativas, competitivas e sabendo aproveitar as oportunidades. Ganharam dinheiro como fruto do seu trabalho e capacidade. Mas é claro que essas pessoas super bem sucedidas tiveram oportunidades na vida que a esmagadora maioria dos quase 8 bilhões de habitantes do mundo nunca sonharam ter. 

O problema com o mundo
A verdade é que a realidade deste mundo é profundamente injusta. O sistema (a forma como a sociedade moderna funciona) está errado, muito errado. Tal tipo de concentração de riqueza está errada, qualquer que seja o padrão de análise usada. Não pode uma única pessoa ter tanta riqueza quanto 40 milhões de outras.
A Bíblia já reconheceu isso quase dois mil anos atrás, tanto é assim que o João declarou: “o mundo jaz no Maligno” (1 João capítulo 5, versículo 19). Em outras palavras, o sistema deste mundo é controlado por uma lógica satânica, doentia e malvada, que perpetua as diferenças.

É escandaloso que num mundo com a riqueza e o avanço tecnológico que já foi alcançado, ainda existam pessoas morrendo de fome ou vivendo sem um mínimo de dignidade. E o pior é constatar que temos esses problemas aqui no Brasil – debaixo dos nossos narizes.

Ainda pior, é ver que os governos se desculpam, afirmando não ter recursos para acabar com a pobreza, quando gastam bilhões de dólares com sistemas de armas sofisticadas, com obras inúteis e ainda permitem haver largo desperdício com burocracia e corrupção. 

Para você ter uma ideia, se o mundo todo gastasse a metade do que gasta atualmente em armamentos e usasse o dinheiro economizado para fazer justiça social, a pobreza absoluta no mundo acabaria em apenas cerca de 5 anos. Não existiriam mais gente vivendo sem dignidade.

O que dizer de tudo isso?
Para mim, esse desequilíbrio no mundo comprova que a humanidade dá cada vez menos importância ao que deveria ser fundamental. Deus deixou de ser uma referência e passou a ser uma coisa sem qualquer sentido para muita gente. 
As pessoas infelizmente guardam cada vez menos espaço para Deus nos seus corações. Abrem cada vez menos lugar para a ação do Espírito Santo nas suas vidas. E o resultado é exatamente esse que eu descrevi.
Enquanto a humanidade não se der conta dos seus erros, não se arrepender e mudar seu rumos, os problemas vão crescer, mesmo havendo cada vez mais progresso material no mundo. É triste, mas essa é a realidade que vivemos.
Com carinho

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Vinicius MouraANTONIO BRANCO Recent comment authors
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ANTONIO BRANCO
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ANTONIO BRANCO

Gostei do artigo mas não não gosto da OIT. Embora pareça uma distância monstruosa, a divisão equitativa desse patrimônio não iria ajudar em nada os pobres. Imaginemos que os mais ricos tenham em média 41 bilhões de US$ cada, e que repartíssemos isso entre os 41 milhões de pobres que cabem a cada um. Cada pobre aumentaria seu patrimônio em mil US$. Sem mencionar que, talvez, a partir do 10º bilionário já estejamos abaixo dos tais 41 bilhões.E aí?