A MENINA QUE FAZ FILMES PORNOGRÁFICOS

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A imprensa internacional publicou nesses últimos dias uma história chocante. Uma menina de apenas 18 anos – seu apelido é Belle Knox – aluna da Universidade de Duke, uma das mais importantes dos Estados Unidos, viu-se em dificuldades financeiras para pagar os custos de seu curso, que entre mensalidade, moradia e outras despesas, somam cerca de R$ 12 mil por mês.

A solução que encontrou foi fazer filmes pornográficos, que hoje estão espalhados pela Internet e alcançaram enorme “sucesso” de público. Fatalmente ela acabou reconhecida por seus colegas de Universidade e o assunto ganhou as manchetes da mídia. Nos últimos dias ela foi entrevistada por diversas redes de televisão, como a CNN, onde apresentou as razões para sua escolha.

Naturalmente houve muita rejeição ao que ela fez por parte de diversas pessoas, tanto assim que ela sofreu ameaças físicas e teve que ser protegida ao andar pelo campus da Universidade.

Uma história dessas choca muito, tanto pela pouca idade da moça, quase uma menina, como também pelo seu significado. E, penso que nós, cristãos, não podemos simplesmente ficar na posição de “atirar pedras”, apontando para o pecado cometido.

É claro que a ação dessa moça é errada e merece crítica. A desculpa de que faltou dinheiro não justifica o que foi feito por ela e, inclusive, o impacto moral que causou na sua família. Seu pai é médico militar e ficou sabendo da história quando voltou de um período de serviço no Afganistão – coloco-me no lugar desse pai e acho que perderia o rumo se viesse a saber que uma filha minha fez isso. Não é fácil.

Mas é preciso ir além da crítica e da percepção do pecado. Há muito mais a ser analisado. E lembro que foi isso que Jesus fez, quando tratou de casos similares – na sua época Ele lidou com prostitutas. E sempre demonstrou compaixão. Nunca passou “a mão na cabeça” daqueles que pecavam, mas foi muito mais compreensivo do que os judeus que queriam perseguir e até matar essas mulheres. Precisamos fazer o mesmo, pois Jesus é nosso padrão de comportamento.

Quais os ensinamentos que podemos tirar de uma caso triste como esse? Em primeiro lugar, é preciso aprender com o depoimento dessa garota, quando ela explicou sua escolha. Ela declarou que consome pornografia desde os 12 anos de idade e pensou que seria muita hipocrisia consumir algo e achar que quem faz o “produto” consumido deve ser desprezado. Se consumia pornografia, pensou ela, não havia razão para não fazer o mesmo. Simples assim.

À sua maneira, essa menina de 18 anos apontou o dedo para a hipocrisia que existe na sociedade. Ora, um terço do tráfego na Internet é composto de pessoas em busca de pornografia e os sites que exploram esse tipo de “produto” ganham centenas de milhões de dólares. E se eles ganham esse dinheiro, é porque encontram “consumidores” para aquilo que vendem. Não há como negar esse fato. E é hipocrisia uma pessoa consumir esse tipo de “produto” e mostrar-se escandalizada com a história dessa moça.

A hipocrisia foi um dos pecados contra os quais Jesus foi mais rigoroso, pois Ele sabia o potencial de destruição aí contido. E eu fico preocupado por que não vejo a hipocrisia sendo discutida com frequencia nas igrejas – talvez seja por que incomoda muito.

O segundo ponto que chama minha atenção é como as pessoas não percebem as ramificações daquilo que fazem. Se elas conseguem consumir pornografia, é porque há uma verdadeira indústria por trás desse desejo, explorando pessoas, como essa moça, para permitir que o “produto” esteja disponível. Ao consumir pornografia, a pessoa está, de certa forma, participando dessa cadeia de ações malditas. E não há como fugir disso.

O terceiro ponto a ser comentado é a total ausência de valores dessa moça. Ela simplesmente não consegue ver mal naquilo que faz e não me pareceu estar mentindo ou representando um papel, ao assumir essa posição. Ela, por incrível que pareça, acredita naquilo que está fazendo.

E, como tem apenas 18 anos, acho que ela e seus pais são igualmente responsáveis por esse estado de coisas. Imagino que seus pais devem sentir uma culpa terrível por não terem conseguido dar à sua filha uma educação melhor. Por terem permitido, por exemplo, que ela consumisse pornografia desde os 12 anos e se acostumasse com esse tipo de “produto”. Por não incutido nela valores de vida melhores.

A Bíblia adverte os pais quanto a essa reponsabilidade, quando diz que é preciso ensinar as crianças, desde cedo, a andar no caminho certo, para que elas não venham a se desviar depois. Infelizmente esses pais não conseguiram fazer isso.

Agora, achei interessante que, quando ela foi questionada se queria essa vida para a filha que vier a ter, a moça titubeou – foi o único momento em que senti certa fraqueza. É claro que há algo dentro dela dizendo que o que anda fazendo não está certo – a voz da sua consciência certamente não fica calada, como não fica no caso de nenhum de nós. Esse é papel do Espírito Santo nas nossas vidas. Ele faz isso diariamente e procura nos convencer a deixar os caminhos errados. E devemos ser muito gratos a Deus por isso.

O último comentário que gostaria de fazer é quanto à questão da relação dessa moça com sua família, a partir de agora. Ela, mesmo sem entrar em detalhes, deixou claro que suas relações com os pais estão estremecidas ao longo dos últimos meses. Declarou ter errado em não avisar aos pais que ia fazer aquilo que fez. Não se arrepende de ter feito, mas de ter exposto os pais dessa maneira.

Disse também que sabe que os pais a amam e que, no fundo, tudo o que eles querem é vê-la segura. E, como ela vem tomando as precauções necessárias, ela acabará sendo aceita pelos pais.

Não há dúvida que pais que amam seus filhos devem procurar aceitá-los da maneira que são. Não me parece ser correto colocar como condição para amar um(a) filho(a) que ele(a) deixe o pecado. Até porque os pais também pecam.

Mas a moça não está certa ao imaginar que a preocupação dos pais se limita à garantia física dela. Há muito mais em jogo. Por exemplo, esses mesmos pais tem dois outros filhos(as) e precisam minimizar o impacto do que aconteceu sobre o restante da família.

Agora, a aceitação do(a) filho(a) que erra não deve significar conivência com o erro dele(a). Na parábola do filho pródigo, que é o padrão bíblico para esse tipo de situação, o Pai (Deus) aceitou o filho desviado (pessoa que peca) depois que esse filho se arrependeu. Enquanto o filho permaneceu no seu caminho errado, por orgulho ou outra questão qualquer, o perdão não veio.

Os pais dessa moça devem ajudá-la a reconstruir sua vida. Devem dar-lhe seu perdão pelo estrago que ela causou na vida deles e da família. Mas é preciso que essa moça entenda que errou e esteja disposta a mudar, atendendo àquilo que Jesus ensinou: “vai e não peques mais …“.

Com carinho

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