OS ATENTADOS TERRORISTAS

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Volta e meia o mundo assiste chocado a mais uma série de atentados terroristas. Os caos são incontáveis. Já aconteceram nas principais cidades do mundo como Nova Iorque, Paris, Londres, Barcelona, Tóquio e outras mais.

Na maior parte das vezes, os atentados são conduzidos por radicais islâmicos. Mas, não se limitam a eles embora não se limitem a eles. Lembro que, no começo de 2015, radicais islâmicos assassinaram vários jornalistas na sede da revista satírica francesa Charlie Hebdo. Elas ficaram incomodados com reportagens e caricaturas sobre o profeta Maomé publicadas ali. Essas referências foram consideradas heréticas e precisavam ser punidas, na visão desses radicais.
Esse terrível ato gerou uma onde de suporte internacional enorme. O número da revista que acabou foi publicado logo após o atentado vendeu cerca de 5 milhões de exemplares, enquanto o normal são cerca de 60 mil. Ocorreram ainda gigantescas manifestações em Paris, que recebeu a visita de muitos líderes mundiais. Todo os manifestantes buscaram mostrar suporte para a liberdade de expressão, valor muito prezado pela sociedade moderna.
Esse tipo de atentado sempre gera muitas discussões. E vale à pena comentar aqui pelo menos duas questões muito importantes. A primeira delas é o hábito de algumas pessoas, e mesmo órgãos de mídia, de atribuir a responsabilidade pelo ato também à religião dos extremistas. No exemplo que estou discutindo, a religião era o islamismo. 
Eu penso que tal tipo de avaliação é injusta. E não falo isso por conta de simpatia pelo islamismo, coisa que nem tenho, por conta da forma como essa religião trata as mulheres, sempre discriminadas, e também pela redução das liberdades individuais que costuma gerar. Os países de maioria islâmica não costumam ser democráticos, nem respeitar os direitos das minorias.
Mas sei bem separar a religião, como doutrina, daquilo que as pessoas, especialmente os radicais, fazem quando dizem seguir essa mesma doutrina. O próprio cristianismo já passou por esse tipo de problema, por exemplo, quando fanáticos religiosos promoveram as Cruzadas, a Santa Inquisição e diversas outras guerras religiosas. E todos sabem que a doutrina cristã defende o amor ao próximo, como um de seus valores fundamentais.
Pessoas nominalmente cristãs cometeram toda a sorte de barbaridades e as “justificaram” com base na sua religião. Foram buscar na Bíblia razões para agir como agiram. As Cruzadas, por exemplo, foram justificadas como uma iniciativa para “libertar” os lugares santos (relacionados com a vida de Jesus). A Santa Inquisição buscava combater heresias e converter pagãos ao cristianismo. E assim por diante.
Portanto, é preciso separar a religião, como doutrina, dos atos cometidos em seu nome. Não é justo atribuir ao cristianismo, enquanto religião, a responsabilidade pelas Cruzadas. E da mesma forma não é justo colocar na conta do islamismo os atentados terroristas praticados por fanáticos muçulmanos. É preciso separar uma coisa da outra.
A segunda questão que precisa ser analisada, quando se discute atentados terroristas, é a tendencia de muita gente de colocar parte da culpa nas próprias vítimas. Por exemplo, várias pessoas argumentaram que as heresias publicadas pela revista Charlie Hebdo foram, em parte, responsáveis pelo atentado terrorista. Ou seja, se a revista não tivesse provocado os fanáticos muçulmanos, ao publicar heresias sobre Maomé, não teria sofrido violência.
É sempre muito injusto jogar qualquer parte da culpa sobre as vítimas. Existe um raciocínio muito parecido no caso do estupro: alguns pensam que, se a mulher atacada não tivesse usado roupa provocante, não teria sofrido violência.
Ora, uma coisa nunca pode justificar a outra. O uso de roupa provocante nunca pode justificar um ataque de natureza sexual. Jamais. Aquele que ataca sexualmente uma mulher é uma pessoa doente e acabará por cometer esse tipo de crime por qualquer razão. A vítima não tem culpa de nada.
A mesma coisa se pode dizer dos atos terroristas. É possível até que os jornalistas da Charlie Hebdo tenham se excedido aqui ou ali, mas nada , nada mesmo, justifica o que foi feito. Radicais sempre vão encontrar “razões” para “punir” heresias reais ou inventadas pelas suas mentes doentias.
É claro que a prudência é sempre recomendável: por exemplo, uma moça sozinha deve saber onde pode ir e evitar lugares perigosos. Mas, mesmo se ela tiver sido imprudente, isso não justifica um eventual ataque feito a ela. A mesma coisa pode ser dita dos jornalistas da Charlie Hebdo – eles deviam ter tomado cuidado com os radicias soltos por aí. Mas, mesmo que tenham sido imprudentes, isso nunca poderia justificar o ataque terrorista sofrido.
Ataques terroristas são um câncer da sociedade moderna. E, infelizmente, eles vieram para ficar, porque se tornaram armas poderosas de propaganda para grupos radicais, que querem chamar a atenção. E, de certa forma, não há como negar que os terroristas têm tido sucesso em alcançar esse objetivo. Basta ver as inúmera precauções contra ataques terroristas que precisam ser tomadas hoje em dia, em relação aos passageiros de aviões. O que antes era simples e agradável de fazer, acabou virando, muitas vezes, num pesadelo, pela a necessidade de enfrentar enormes filas de segurança, deixar a bagagem ser revistada, tirar peças de roupas e até sapatos.
Agora, não podemos tornar as coisas ainda piores, colocando a culpa dos atentados terroristas onde ela não deve estar. A culpa nunca está nas próprias vítimas  ou em determinada religião.
Com carinho

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