O MEDO DA MORTE DA PESSOA QUERIDA

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O tema hoje é o medo da morte de uma pessoa querida, coisa também extremamente comum na nossa sociedade.

Quando peguei meu primeiro filho no colo, lembro de perceber como ele era frágil. Tanto assim, que só me senti seguro com ele depois de sentar numa cadeira. Tive medo de pegá-lo no colo estando em pé e deixá-lo cair. É claro que essa insegurança diminuiu com o tempo. Mas, meu sentimento de preocupação com o bem-estar dos meus filhos continua o mesmo. O medo que algo de ruim venha a acontecer com eles sempre me acompanhou. 

Por isso, costumo dizer que a preocupação dos pais com os filhos só muda de lugar ao longo do tempo. Quando os filhos são pequenos, a preocupação é cuidar deles, pois são totalmente dependentes para sobreviver. Quando se tornam adolescentes, eles ficam mais independentes, mas aparecem outras preocupações: violência na escola, drogas, acesso à pornografia e por aí vai. E a preocupação com os filhos vai mudando com o tempo, mas continua até o final da vida dos pais.

O medo da morte de uma pessoa querida, tema de hoje, é bastante centrado nos filhos, mas vai muito além disso. Tememos perder outras pessoas importantes para nós, como o/a companheiro/a da vida. Não queremos também perder nossos pais, coisa que é natural acontecer. E assim por diante. O medo de perder uma pessoa querida está sempre presente na vida. Ele é quase universal.

E, quando vemos uma pessoa querida correndo perigo, costumamos entra em pânico e queremos agir, para afastar o perigo. Mas, o que fazer, quando nossos recursos não dão conta da ameaça? Foi essa a situação em que estava Jairo, líder da sinagoga de Cafarnaum. Sua filha estava morrendo e ele não tinha nada para fazer. Até que se lembrou de um rabino, chamado Jesus, que andava por aquelas terras, curando as pessoas. E Jairo percebeu que Jesus era sua única esperança – veja o relato de Lucas 8:41-42 e 49-56:

Então um homem chamado Jairo, dirigente da sinagoga, veio e prostrou-se aos pés de Jesus, implorando-lhe que fosse à sua casa porque sua única filha, de cerca de doze anos, estava à morte…Enquanto Jesus ainda estava falando, chegou alguém da casa de Jairo, o dirigente da sinagoga, e disse: “Sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre”.

Ouvindo isso, Jesus disse a Jairo: “Não tenha medo; tão-somente creia, e ela será curada”. Quando chegou à casa de Jairo, não deixou ninguém entrar com ele, exceto Pedro, João, Tiago e o pai e a mãe da criança. Enquanto isso, todo o povo estava se lamentando e chorando por ela.

“Não chorem”, disse Jesus. “Ela não está morta, mas dorme”. Todos começaram a rir dele, pois sabiam que ela estava morta. Mas ele a tomou pela mão e disse: “Menina, levante-se!” O espírito dela voltou, e ela se levantou imediatamente. Então Jesus lhes ordenou que lhe dessem de comer. Os pais dela ficaram maravilhados, mas ele lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinha acontecido.

Jairo era um homem importante na sua cidade, mas não teve vergonha de se prostrar aos pés de Jesus, implorando por ajuda. E assim é conosco: fazemos qualquer coisa para ajudar a pessoa querida que esteja em risco de vida. Não olhamos para o incômodo, não poupamos despesas e apelamos para qualquer coisa.
O caso de Jairo não é o único descrito nos Evangelhos. Há vários outros exemplos, como o caso do pai de um menino possesso (Marcos 9:17-27):

Um homem, no meio da multidão, respondeu: “Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar. Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram”. Respondeu Jesus: “Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino”…

Jesus perguntou ao pai do menino: “Há quanto tempo ele está assim?” “Desde a infância”, respondeu ele…Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.” “Se podes? “, disse Jesus. “Tudo é possível àquele que crê.” Imediatamente o pai do menino exclamou: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!”.

Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele”. O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: “Ele morreu”. Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.

As irmãs de Lázaro também ficaram desesperadas com a doença do irmão. Para elas, as consequências da morte do irmão seriam drásticas. Além de perder a pessoa que amavam, elas teriam suas vidas transformadas, pois eram solteiras e passariam a ser tutoradas por outro parente. Sendo assim, mandaram chamar Jesus – veja o relato em João 11:1-5 e 17-44:

E aconteceu que Lázaro ficou doente. Então as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está doente”…Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro. No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava. Depois disse aos seus discípulos: “Vamos voltar para a Judeia”…

Ao chegar, Jesus verificou que Lázaro já estava no sepulcro havia quatro dias…E muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para confortá-las pela perda do irmão. Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi encontrá-lo, mas Maria ficou em casa. Disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, Deus te dará tudo o que pedires”…E, chamando à parte Maria, disse-lhe: “O Mestre está aqui e está chamando você”. Ao ouvir isso, Maria levantou-se depressa e foi ao encontro dele.

Jesus ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no lugar onde Marta o encontrara…Chegando ao lugar onde Jesus estava e vendo-o, Maria prostrou-se aos seus pés e disse: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido”…Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se. “Onde o colocaram?”, perguntou ele. “Vem e vê, Senhor”, responderam eles. Jesus chorou. Então os judeus disseram: “Vejam como ele o amava!”

Jesus, outra vez profundamente comovido, foi até o sepulcro. Era uma gruta com uma pedra colocada à entrada. “Tirem a pedra”, disse ele. Disse Marta, irmã do morto: “Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias”. Disse-lhe Jesus: “Não lhe falei que, se você cresse, veria a glória de Deus?”..Depois de dizer isso, Jesus bradou em alta voz: “Lázaro, venha para fora! ” O morto saiu, com as mãos e os pés envolvidos em faixas de linho, e o rosto envolto num pano. Disse-lhes Jesus: “Tirem as faixas dele e deixem-no ir”.

Jairo, o pai do menino possesso, Marta e Maria são pessoas que passaram pelo desespero de ver uma pessoa querida doente e em risco de vida. E o que elas tiveram em comum, além do sofrimento? Todas estenderam sua mão para Jesus e pediram ajuda. Essas pessoas usaram o conselho dado pelo profeta Jeremias em Lamentações 2:19:

Levante-se, grite no meio da noite, quando começam as vigílias noturnas; derrame o seu coração como água na presença do Senhor. Levante para ele as mãos em favor da vida de seus filhos, que desmaiam de fome nas esquinas de todas as ruas.

Não adianta simplesmente ficar com medo dos perigos que rondam seus entes queridos e ficar sofrendo. É preciso agir: derrame seu coração diante de Deus e interceda por quem você ama. A melhor forma de você ajudar quem ama é interceder continuamente por ela.

Outro dia li o depoimento de uma mãe de família, que tem vários filhos – hoje todos já são adultos. Ela relatou como quase toda noite ia pela casa, de cômodo em cômodo, orando, pedindo pela vida e integridade física de cada uma daquelas pessoas. Esse é um exemplo magnífico.

Quando você ora, Cristo responde. Assim, como respondeu para Jairo, Marta e Maria. Ore pela pessoa querida. E também ore com ela. 

Você não pode, mesmo querendo, proteger filhos e demais pessoas queridas dos perigos da vida. Mas, pode levá-los diante daquele que é a fonte da vida. Pode entregá-los nas mãos de Cristo.

Jairo conseguiu atrair a atenção de Jesus e estava levando-o para sua casa, com a esperança de ver a filha curada. Aí chegou a notícia que a menina já estava morta. Certamente bateu o desespero no seu coração. Mas Jesus lhe disse simplesmente: “Não tenha medo. Apenas creia…”

Aquele pai enfrentou duas forças opostas na sua mente: medo e confiança. E precisou escolher uma delas. Exatamente como acontece com você. De um lado, você tem a realidade dos perigos que rodeiam a vida dos seus entes queridos e, de outro, a realidade da sua fé. Isto é, a possibilidade de depositar sua esperança e sua confiança naquele que é o autor e consumador da vida.
Conhecemos a escolha de Jairo. Mas ele não tinha qualquer garantia, naquele momento, de ter feito a escolha certa. Os amigos chegaram a dizer-lhe que não havia mais nada a ser feito. Mas, Jairo persistiu e recebeu a graça.

Jesus deixou apenas que três apóstolos – suas testemunhas –, além do pai e da mãe entrarem na casa da menina. E é interessante perceber que só aí a mãe aparece no relato. Mas, naquele momento crucial, Jesus uniu pai e mãe num mesmo propósito. Ele poderia ter entrado na casa somente com os apóstolos e deixado a mãe para trás, mas Jesus queria a família reunida. E Ele agiu de forma parecida com Marta e Maria, levando-as até o túmulo de Lázaro, antes de fazer o milagre.

E é nesse círculo de amor que Jesus operou os milagres. Foi nessas circunstâncias que Ele agiu. E isso comprova a importância que a família tem para Jesus.

Com carinho

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