JESUS VEIO NOS LIBERTAR DO QUE?

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Jesus contou qual era o conteúdo da sua missão na terra quando foi pregar na sinagoga de Nazaré (vilarejo onde tinha sido criado), logo no começo do seu ministério. Ali Ele disse que tinha vindo libertar os cativos (veja mais).

Mas que tipo de cativeiro é esse? Para responder, vou me concentrar nos dois aspectos que me parecem ser os mais importantes. O primeiro deles é a prisão do pecado. Para aqueles que não se deram conta disso ainda, o pecado continuado aprisiona o ser humano – basta pensar como uma dependência química domina a vida da pessoa viciada. 

E há outros exemplos interessantes: pense na escravidão gerada pela ânsia de consumir cada vez mais, na prisão causada pela inveja ao próximo, nas correntes que prendem quem luta para conservar o poder e assim por diante.

O pecado aprisiona e Jesus sabia disso. E durante sua missão, Ele nos apresentou um caminho para nossa libertação que é arrepender-se, segui-lo, ser perdoado por Deus e mudar de vida.

Agora, Jesus também nos liberta de outra coisa: uma religião legalista e dominadoraO judaísmo, na época de Jesus, tinha se tornado uma religião muito legalista, especialmente pela ação dos fariseus. Eram tantas as leis e as minúcias de como cumpri-las, que coisas simples – como aproveitar o sábado (o dia de descanso) – tornaram-se complicadas.

E o legalismo colocava um enorme poder nas mãos dos líderes religiosos, que estabeleciam as leis, interpretavam o que elas diziam e, mais importante ainda, comunicavam às pessoas se estavam ou não violando a “vontade” de Deus. As pessoas tinham se tornado escravas desse poder sem nem perceber.

Infelizmente, esse tipo de poder opressor continua a existir na vida de muita gente. Certa vez, eu conversava com um amigo, que é católico e tentava me convencer que sua Igreja não é tão rígida assim no controle da vida dos fiéis. E citou um exemplo ocorrido na sua família, onde uma esposa teve dúvidas a respeito dos métodos anti-concepcionais que poderia adotar e foi conversar com um padre e recebeu dele uma resposta bem liberal. O que meu amigo não tinha percebido é que o jugo já está imposto no próprio fato daquela mulher precisar conversar com um padre a respeito dos métodos anticoncepcionais que iria adotar – nenhuma religião deveria se imiscuir nesse tipo de assunto. Simples assim. 

Mas isso não acontece apenas no seio da Igreja Católica. Algumas denominações evangélicas se caracterizam por dominar e controlar inteiramente a vida dos seus fiéis. Por exemplo, conheço uma denominação, evangélica, voltada para os jovens, que tem até um regulamento de como eles podem namorar. 

Jesus sabia que uma religião legalista e dominadora escraviza e lutou muito contra esse estado de coisas. O papel dos líderes cristãos é difundir informações, explicar o que o Evangelho requer de cada um de nós e mostrar os caminhos para fazermos aquilo que agrada a Deus. Mas não impor posturas e comportamentos, especialmente quando o objetivo oculto é controlar a vida das pessoas. 

É preciso tomar muito cuidado ao impor regras e juízos de valor às pessoas, pois o impacto espiritual sobre elas pode ser enorme. Imagine que fosse tornado público que certo líder cristão, de grande prestígio, forneceu cerca de 200 litros de bebida alcoólica para uma festa à qual esteve presente. Eu não tenho dúvidas que haveria uma grande onda de críticas a esse líder – correria até o risco de ser expulso da igreja que frequentasse.

Mas foi exatamente isso que Jesus fez, quando transformou água em vinho na festa de casamento em Caná, na Galileia. E aí, o que devemos pensar? Portanto, é preciso muito cuidado com essas atitudes.

Já perdi a conta das vezes em que fui procurado – tanto aqui neste site, como pessoalmente – por gente angustiada, sentindo-se culpados/as por conta desse ou daquele pecado que lhes foi atribuído. O cristianismo precisa ser uma religião que promova a libertação do ser humano de tudo aquilo que o escraviza. Essa é a missão que foi dada a Jesus e Ele a deixou como legado para quem deseja segui-lo. E Que Deus nos ajude a cumprir essa tarefa.

Com carinho

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