INFORMAÇÕES INTERESSANTES SOBRE A BÍBLIA

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Aí vão algumas informações interessantes sobre a Bíblia. E vale a pena conversar sobre isso porque os 66 livros que compõem o texto bíblico têm, no meio cristão, uma autoridade que nenhum outro texto já teve ou poderá vir a ter. Afinal, a Bíblia é considerada pelo povo cristão como a Palavra de Deus. 

Nosso entendimento é que o Espírito Santo inspirou os autores dos vários livros da Bíblia (cerca de quarenta pessoas), orientando-os sobre o que deveriam escrever. E mesmo inspiradas pelo Espírito Santo, os autores dos textos não perderam consciência do que faziam – a inspiração não é, como alguns pensam, semelhante à psicografia praticada pelos médiuns espíritas. É coisa bem diferente. 

A pessoa inspirada preservava sua consciência e mantinha total controle sobre sua vontade. Se o autor conhecia apenas uma língua, ele escrevia nessa língua. E seu estilo de escrita e vocabulário eram preservados – por isso as cartas de Paulo, um grande teólogo, são tão diferentes dos textos de Lucas, que era médico – leia Romanos, escrito pelo primeiro, e Atos dos Apóstolos, escrito pelo segundo, que você vai comprovar com facilidade o que acabei de dizer. 

Agora, ao ler a Bíblia, você precisa ter em mente algumas verdades muito importantes. Em primeiro lugar, tudo que a Bíblia contém é verdade mas nem todas as verdades estão contidas na Bíblia, pois ela tem escopo limitado, como não poderia deixar de ser.

Portanto, a Bíblia não pode ser lida, por exemplo, como um livro texto científico. Não se deve procurar nela esse tipo de “verdade”. E há muitos exemplos de verdades científicas sobre as quais a Bíblia nada fala, como as leis da Termodinâmica ou a Teoria da Relatividade. 

Em segundo lugar, é preciso lembrar que o texto bíblico foi escrito de forma a ser entendido pelos seus leitores/as daquela época, ou seja, gente que viveu milhares de anos atrás.  É claro que a Bíblia é completamente relevante hoje em dia, mas nunca podemos esquecer que as primeiras pessoas a ler esses textos não tinham os conhecimentos que temos atualmente. 

Por exemplo, nos tempos bíblicos considerava-se que a sede do intelecto estava no coração e, naturalmente, essa visão permeia o texto bíblico. E isso não é um erro e sim uma adequação do texto ao público ouvinte daquela época. De igual forma, nos tempos bíblicos, as pessoas pensavam que a terra era plana, coisa que sabemos não ser verdade e os textos refletem esse pensamento.

Terceiro, a Bíblia não descreve os fatos históricos como um livro texto de história faria hoje em dia, com enorme precisão cronológica, a indicação das fontes de referência usadas e a apresentação das provas que garantem a veracidade das conclusões tiradas. 

Na época em que a Bíblia foi escrita, esses princípios de historiografia – hoje amplamente aceitos – nem eram conhecidos e, portanto, as premissas usadas foram outras. Portanto, não seria razoável cobrar dos autores da Bíblia fidelidade aos princípios historiográficos atuais e muito menos considerar que eles erraram por não fazer isso. 

É exatamente por isso que nem tudo que gostaríamos de conhecer sobre Jesus foi registrado nos Evangelhos. Nada sabemos, por exemplo, sobre sua infância e adolescência de Jesus e muito menos os detalhes de como sua família viveu. Isso não é uma omissão, ou como pensam alguns críticos, uma tentativa de esconder algo. Simplesmente os autores dos Evangelhos tinham espaço limitado e acharam que essas informações não eram muito relevantes, preferindo se concentrar nos três anos de seu ministério.

Mas como a Bíblia foi inspirada por Deus, você pode ter certeza que foram fornecidas todas as informações históricas mínimas, necessárias para o bom entendimento dos diversos relatos. O Espírito Santo se encarregou de nos dar essa garantia.

Finalmente, é preciso levar em conta que a Bíblia está cheia de símbolos e metáforas. Isso pode ser visto, por exemplo, na simbologia por trás de muitos números citados no texto bíblico. Não podemos esquecer que, tanto no hebraico, como no grego, linguagens originais dos textos bíblicos, não havia símbolos especiais para escrever números, como temos no português. Assim, eram usadas letras do alfabeto normal para escrever os números – os chamados números romanos que conhecemos hoje em dia usam exatamente esse princípio.

Como os números eram escritos com letras, eles também podiam ser lidos como palavras, ou sejam tinham duplo significado: o numeral em si e palavra resultante. E muitas vezes a palavra que representava determinado número tinha mais importância do que o numeral em si – o célebre número da Besta do Apocalipse (666) talvez seja o exemplo mais conhecido. 

Além disso, os números podem ter um significado relacionado específico. Por exemplo, Jacó teve 12 filhos, que deram origem às 12 tribos de Israel. A partir daí, o número 12 passou a representar Israel – por isso, Jesus chamou 12 apóstolos, para simbolizar que um novo povo de Deus estava se formando (a igreja cristã). Outro bom exemplo é o número que representa uma geração (40 anos). 

Ora, ninguém deveria tentar usar esses números para tirar conclusões matemáticas. Mas, infelizmente muita gente tenta fazem isso e acaba propondo doutrinas absurdas. Você pode ver isso facilmente buscando a interpretação do número da Besta do Apocalipse (666) na Internet.

Problemas semelhantes a esse ocorrem quando tentam aplicar na prática conceitos que deveriam ser tomados apenas como símbolos – por exemplo, os “olhos”, as “mãos” ou as “asas” de Deus são metáforas que não têm correspondência na prática, pois Deus é um espírito e não tem esses órgãos.  

Provas da autoridade bíblica
Quais são as provas que existem quanto à autoridade bíblica? Essas provas existem, mas seria um processo muito longo apontar todas aqui. Vou me concentrar, a título de exemplo, em apenas duas dentre elas. 

A primeira delas é a coerência interna da Bíblia que demonstra haver um “projeto” global para esse conjunto de textos, uma “mão” superior guiando tudo. Não podemos esquecer que os textos bíblicos foram escritos por dezenas de autores, que viveram ao longo de cerca de 1.500 anos, sendo originários de lugares distintos e tendo condições de vidas as mais diversas.

Assim, seria de se esperar que houvesse profundas divergências e contradições no conteúdo da Bíblia, o que não ocorre. Isso comprova a direção geral do Espírito Santo. 

A segunda evidencia concreta da autoridade da Bíblia é a importância que seus textos têm tido para os seres humanos ao longo de milhares de anos, inspirando, instruindo, consolando e guiando as pessoas ao longo das suas vidas. Somente textos muito especiais poderiam ter cumprido esse papel. E nenhum outro tipo de escrito se aproxima da influência que a Bíblia tem tido na história humana.

As traduções
Os textos da Bíblia foram escritos em outras línguas, portanto, só podemos lê-los em português através de traduções.

A primeira tradução para o português foi feita em meados do séc XVIII, por um missionário católico, que se tornou evangélico, chamado João Ferreira de Almeida. Ao longo do tempo essa tradução foi revista, corrigida e atualizada, dando origem às diversas variantes hoje disponíveis. “João Ferreira de Almeida” é a tradução da Bíblia mais popular e inúmeras gerações de evangélicos conheceram a Palavra de Deus através dela.

Outras excelentes traduções disponíveis são “Linguagem de Hoje”, “Nova Versão Internacional” e, mais recentemente, “Versão Transformadora”. A Bíblia de Jerusalém é uma excelente tradução para português feita pela Igreja Católica, que também pode ser usada, desde que a pessoa se lembre que há uma diferença no conteúdo do texto bíblico do Velho Testamento, em relação ao que os evangélicos aceitam. Não há diferenças no Novo Testamento.

As principais traduções que citei foram construídas de forma independente umas das outras, isto é todas elas partiram do texto básico nas línguas originais (hebraico e grego na variante koine). Essas traduções são o resultado de um enorme esforço desenvolvido por grandes equipes de estudiosos/as. E o resultado final passa por sucessivas correções (edições), onde os poucos erros existentes vão sendo eliminados aos poucos.  

Sendo assim, não podemos esquecer que a inspiração (o “selo de qualidade” dado por Deus) se refere apenas aos textos originais e não às traduções. Em outras palavras, qualquer tradução pode ter erros. E isso acontece na prática, embora esses erros sejam pequenos por causa dos controles que citei acima.

Por isso é sempre bom usar mais de uma tradução, comparando os textos finais em português – como as diferentes traduções foram desenvolvidas de forma independente, certamente elas não conterão erros da mesma natureza e exatamente no mesmo local. Isso seria impossível. E a comparação entre diferentes traduções é uma garantia muito poderosa que você tem de estar lidando com as informações certas.

 Com carinho

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