HÁ PROVAS HISTÓRICAS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS?

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A religião cristã está ancorada num fato histórico: A ressurreição de Jesus. Portanto, é necessário que esse fato seja verdadeiro para dar sentido ao cristianismo. O apóstolo Paulo reconheceu isso em 1 Coríntios capítulo 15, versículo 14, onde declarou: “… se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé.” 

Em outras palavras, se estudos históricos comprovarem que Jesus não ressuscitou dentre os mortos, o cristianismo não se sustenta
 
É exatamente por causa disso que historiadores/as contrários/as ao cristianismo tentam encontrar falhas nos relatos históricos do Novo Testamento. Estudam cada detalhe do texto para achar erros e provar que Jesus não existiu ou não foi quem a Bíblia afirma. E publicam livro sobre livro tentando desacreditar nossa fé.

Ora, cabe a nós, povo cristão, manter nossa fé – e há sólidos motivos para isso -, mas também dar respostas adequadas para quem questiona sua veracidade (2 Pedro capítulo 3, versículo 15).  E há muito que pode ser dito a esse respeito. 
 
A prova da existência de Jesus
A esmagadora maioria dos historiadores/as, mesmo aqueles/as contra o cristianismo, aceita que o homem Jesus existiu, ensinou, realizou curas e acabou crucificado pelos romanos.
E essa certeza decorre de provas históricas muito convincentes. Elas começam nos escritos da própria Bíblia, textos que têm peso como relatos históricos (mesmo para quem não os reconhece como a Palavra de Deus). 
Os/as historiadores identificaram na Bíblia três tradições diferentes relatando a história de Jesus: a que deu origem ao Evangelho de Marcos (e, depois dele, aos de Mateus e Lucas); a que está por trás do Evangelho de João; e as cartas do apóstolo Paulo. E todas essas tradições confirmam a mesma coisa: Jesus viveu neste mundo.
Há também diversas confirmações fora da Bíblia, como, por exemplo, os escritos de Flávio Josefo, historiador judeu que escreveu diversos livros cerca de 40 anos depois da morte de Jesus. Ele não era cristão, o que torna seu depoimento extremamente importante – Josefo citou Jesus e também Tiago, seu irmão, que foi figura importante em Jerusalém entre os anos 30 e 60 da nossa era.
Em relação a Tiago, há também uma descoberta arqueológica muito importante: Recentemente foi encontrado seu ossuário – escrevi sobre esse achado em postagem anterior.   
 
Outra fonte que atesta a existência de Jesus é o Talmude, coleção de escritos de rabinos judeus, onde Ele é citado, embora lhe sendo atribuída uma origem espúria (Jesus seria o fruto de um estupro sofrido por Maria). Não podemos escrever que  os rabinos autores do Talmude eram ferozmente contra o cristianismo e mesmo assim reconhecem que Jesus existiu e foi crucificado. 

Temos ainda o depoimento de diversos historiadores romanos, como Tácito, que também mencionam Jesus nos seus textos, corroborando historicamente sua vida e morte numa cruz romana. 

Resumindo, não há qualquer dúvida que Jesus existiu e viveu por cerca de trinta e poucos anos, tendo sido crucificado pelos romanos, a mando de Pôncio Pilatos. Também há certeza histórica que Jesus foi considerado mestre e profeta pelos judeus e curou diversas pessoas.
 
A comprovação da ressurreição
A comprovação de um fato histórico, como a ressurreição, é feita da mesma forma que um detetive demonstra que um suspeito matou outra pessoa, quando esse crime não teve testemunhas.
O detetive coleta um conjunto de evidências – impressões digitais, álibis, informações sobre uma possível relação entre a vítima e o suspeito, etc – e monta uma teoria para os acontecimentos que procura explicar essas evidências.  É essa teoria que, eventualmente, aponta o suspeito como responsável pelo assassinato.
Durante o julgamento, a defesa tenta construir uma teoria alternativa, uma outra narrativa para as mesmas evidências, procurando mostrar que as coisas poderiam ter acontecido de forma diferente. Ao fazer isso, a defesa tenta colocar dúvidas na cabeça dos/as jurados/as e para conseguir a absolvição do suspeito. E ganha o julgamento, portanto, quem conseguir construir a teoria que melhor explique as evidências coletadas.
É exatamente assim que fatos históricos, como a ressurreição de Jesus, são comprovados. Assim, cabe a quem quiser comprovar a ressurreição coletar evidências históricas e construir uma teoria que as explique com solidez. E essa narrativa precisa ser superior às teorias alternativas, construídas por quem duvida da ressurreição, que também procuram explicar as mesmas evidências de outra forma. 
Vou mostrar abaixo que a teoria da ressurreição de Jesus é a que melhor explicas as evidências históricas, portanto, deve ser aceita. 
Mas, antes de discutir as teorias alternativas, preciso listar as evidências históricas com as quais vamos trabalhar. Essas evidências são aceitas pela esmagadora maioria dos historiadores/as e são elas que precisam ser levadas em conta por quem quiser explicar o que aconteceu: 
  1. Jesus foi enterrado logo após sua morte na cruz, ainda na sexta feira. 
  2. No domingo de manhã, o túmulo apareceu vazio (veja mais). Por isso nem os líderes religiosos judeus, nem os romanos, não puderam apresentar publicamente o cadáver de Jesus, para destruir o cristianismo no nascedouro.
  3. Os discípulos relataram inúmeras experiências nas quais viram Jesus ressuscitado. 
  4. Essas experiências mudaram suas vidas, a ponto de eles aceitarem morrer pela sua fé.

As diferentes teorias sobre a ressurreição
É evidente que a teoria da ressurreição explica perfeitamente todas essas evidências. Ela explica porque o túmulo apareceu vazio, porque os discípulos disseram ter encontrado com Jesus e também porque eles mudaram sua vida após esses encontros.

Agora, existem várias teorias alternativas à ressurreição e vou me concentrar aqui nas duas mais conhecidas:  

A primeira alternativa defende que tudo não passou de uma fraude. Na verdade, os discípulos teriam roubado e escondido o corpo de Jesus – essa teoria é inclusive citada na Bíblia (Mateus capítulo 28, versículos 11 a 15).

Ora, se tudo não passou de uma fraude comandada pelos discípulos, por que eles adquiriram uma fé tão grande a ponto de se deixar martirizar? Só um/a louco/a se deixaria martirizar por uma fé que sabe ser uma fraude e os discípulos eram pessoas normais e pragmáticas.

Alguém poderia alegar que os terroristas muçulmanos sacrificam suas vidas por uma fé que não é verdadeira. Isso é fato, mas o caso deles é diferente: Esses terroristas não têm nenhuma informação que sua fé se baseia numa fraude. Eles estão dispostos a morrer por estarem errados, mas trata-se de um erro no qual eles acreditam piamente. Se tivessem certeza que sua fé é fraudulenta, certamente agiriam de forma diferente, pois ninguém aceita morrer por uma mentira. 

Se os discípulos tivessem roubado o corpo, eles seriam parte de uma enorme fraude e saberiam disso, sendo assim, seu comportamento posterior não faz qualquer sentido.

Portanto, a teoria da fraude não consegue explicar a mudança ocorrida na vida dos discípulos. 
 
Outra teoria é que os discípulos experimentaram alucinações coletivas quando afirmaram ter visto Jesus ressuscitado. Essa teoria é a mais aceita hoje em dia por quem nega a ressurreição de Jesus, mas ela não explica duas evidências importantes.

A primeira delas é: onde foi parar o corpo? Ora, sabemos que o túmulo estava vazio, portanto, onde o cadáver de Jesus foi parar? Não há explicação para essa evidência.

Outro problema com essa teoria é a que a ideia de alucinações coletivas não consegue explicar as experiências dos discípulos, que, segundo os relatos, abrangeram pessoas diferentes (Pedro, Tiago, os doze apóstolos em conjunto, um grupo de 500 pessoas e assim por diante), em locais e circunstâncias distintos.

Ora, alucinação é um processo essencialmente individual, conforme os estudos científicos comprovam. Se duas pessoas alucinarem ao mesmo tempo – por exemplo, porque ambas estão morrendo de sede -, elas verão coisas diferentes, nunca a mesma coisa. 

Portanto, a teoria de alucinações coletivas não explica as múltiplas experiências dos discípulos. Além disso, alucinações, que são experiências de natureza mental, não explicam porque algumas pessoas – como Maria Madalena ou Tomé – conseguiram tocar em Jesus.  

Portanto, a teoria de alucinações coletivas não consegue explicar nem o túmulo vazio e nem as experiências dos discípulos. 
 
É fácil perceber que a  tese da ressurreição explica muito melhor o conjunto de evidências históricas do que as alternativas a ela. Portanto, é teoria mais provável e a que tem mais suporte histórico. E, nesse sentido, podemos dizer que a teoria da ressurreição está comprovada historicamente.

É claro que muitos/as historiadores/as não concordam com essa conclusão e se aferram a uma das teorias alternativas, especialmente a da alucinação coletiva, porque não acreditam na possibilidade de Jesus Cristo ter sido quem a Bíblia afirma. E vão morrer negando a ressurreição e tentando encontrar outras explicações para as evidências das quais dispomos.

Palavras finais
A existência de Jesus, seu ministério neste mundo, sua morte na cruz e sua ressurreição são fatos que gozam de grande solidez do ponto de vista histórico.

Portanto, fique tranquilo/a e seguro/a que sua fé está embasada numa realidade concreta. Agora, quem não quiser acreditar nessa realidade, faz isso por sua conta e risco.
 
Com carinho

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Ananias Santos
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As fontes bíblicas como elemento histórico sobre Jesus, nascimento, vida, morte e ressurreição são gravemente questionáveis pelo fato de seus autores serem suspeitos (membros de comunidades cristãs), com o agravante de terem sido escritos 35 a 40 anos depois dos supostos eventos. Por outro lado, as fontes extra-bíblicas são praticamente inexistentes, o que torna ainda mais difícil o conhecimento do fato histórico em si.

Anônimo
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Anônimo

O que você afirmou não é verdade. E vou mostrar por quê.Primeiro, há muitas fontes extra-bíblicas que relatam a existência e o suplício de Jesus na cruz. Veja, por exemplo, os escritos do historiador judeu Flavius Josephus, altamente respeitado – a ele se deve quase tudo que sabemos sobre a revolta judaica ocorrida entre os anos 66 e 70 da nossa era. Se quiser conhecer em detalhe todas essas fontes, leia o primeiro volume do livro “Um judeu marginal” de Paul Meier.Depois, porque estudos feitos com centenas de historiadores especializados naquela época indicam que são aceitos pela esmagadora maioria deles… Read more »

DANIEL NEVES
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DANIEL NEVES

Após 04 anos estou eu aqui realizando essa leitura, quem diria… mas enfim, em primeiro plano devemos organizar o estudo para assim estabelecer os fatos. Tanto o novo testamento, como os escritos de Homero, Sófocles, Sócrates, Platão etc… são autenticados através da mesma metodologia de análise textual… “acho interessante muitos acreditarem nas tetralogias dos diálogos platônicos , tendo sido encontrados apenas 07 cópias do seu manuscrito original, e com tanta veemência questionam os escritos do novo testamento que por sua vez foram encontrados 5.843 cópias”. Disparadamente o manuscrito antigo mais autêntico, não sendo baseado em fé, mas em evidências históricas.… Read more »