EU TAMBÉM PREFERIRIA QUE O INFERNO NÃO EXISTISSE

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Certa vez, eu conversava com uma amiga e ela comentou que não gostava do conceito de Inferno. Para ela, a ideia que Deus vai distribuir punições que vão durar para sempre era meio infantil e parece meio injusta. Além disso, ameaçar com o Inferno é uma forma dos líderes religiosos exercerem controle excessivo sobre a vida das pessoas.

É claro que o conceito de Inferno – um local de punição permanente – não agrada a ninguém (nem a mim). E faz o cristianismo parecer excessivamente severo. E é por isso que existem visões teológicas “atenuadas” sobre o Inferno, por exemplo, o “universalismo”, para quem todo mundo acabará salvo, de uma forma ou de outra. Ou seja, a punição para os não salvos teria prazo para acabar.

Agora, se analisarmos essa questão de forma lógica vamos perceber que, gostemos ou não, o conceito de Inferno faz muito sentido. Parece ser uma necessidade. E começo por lembrar que Deus dá a cada pessoa o direito de fazer suas escolhas (isto é chamado “livre arbítrio”). Em contrapartida, a pessoa torna-se responsável por aquilo que escolhe fazer. Afinal, não pode haver direito (a liberdade de escolha) sem que seja acompanhado do consequente dever (a responsabilidade pelos atos praticados).

Ora, como Deus criou todas as coisas, também cabe a Ele fazer justiça, punindo o que estiver errado. E é aí que entra o conceito de Inferno. Trata-se do “mecanismo” através do qual Deus pune as escolhas erradas. É através do Inferno que as pessoas são responsabilizadas pelo mal que cometem.

Mas será que Deus precisaria ter esse tipo de “mecanismo”? Não haveria uma forma de abrir mão do Inferno? Acredito que não: a única forma de abrir mão do Inferno é eliminar o livre arbítrio, o direito de escolha. Sem a possibilidade de escolher, todas as pessoas acabariam por cumprir a vontade de Deus, isto é fariam apenas coisas boas. Aí não precisariam haver leis (mandamentos), julgamento e punições, e o inferno deixaria de ser necessário.

Mas, em compensação, as pessoas seriam como robôs, programadas para agir de determinada forma. Junto com o livre arbítrio, desapareceria, por exemplo, a possibilidade de haver amor sincero, isto é exercido livremente pelas pessoas. E é fácil entender o alcance dessa perda: basta que você se perguntar como prefere ser amado/a (livremente ou por obrigação). É óbvio que o amor dado de forma livre e espontânea é muito melhor.

E Deus também pensa assim. Ele também prefere o amor dado espontânea e por isso não pode prescindir do livre arbítrio. E, portanto, da possibilidade que as pessoas escolham pecar. Simples assim. 

Por outro lado, se há possibilidade das pessoas pecarem, seria injusto que elas não fossem punidas por isso. Daí a necessidade do Inferno. 

Claro que sempre é possível discutir o “funcionamento” do esquema de punição que Deus estabeleceu. Por exemplo, será que o tipo de julgamento que Ele faz (quem vai ou não para o Inferno) e o tipo de punição que pode ser dada são adequados e justos?

Muitos discordam frontalmente das escolhas que Deus fez – acham que Ele poderia ter feito de forma melhor. Mas não é possível negar que é necessário contar com alguma forma de julgamento e punição. Não há como fugir disso. Portanto, é injusto chamar Deus de controlador, intolerante ou algo assim.

Quanto à forma de julgamento, a lógica de Deus é simples e muito eficaz. Ele entende que todos os seres humanos pecam e, dessa forma, não conseguiriam ser aprovados (salvos) com base no seu mérito (boas ações). Assim, somente é possível a salvação com base na Graça de Deus, ou seja, a partir de uma dádiva d´Ele para nós.

E Deus escolheu fazer isso através do sacrifício de Seu Filho na cruz e a condição para que a Graça se torne efetiva na vida da pessoa é aceitação por ela de Jesus como Salvador. E como se trata de salvação pela Graça – uma dádiva -, Deus tem o direito de dá-la para quem quiser e da forma que definir e ninguém tem direito de questioná-lo.

Finalmente, a questão da punição ser permanente, enquanto os pecados foram cometidos pela pessoa ao longo de uma vida limitada no tempo, a explicação é simples. Quem se coloca no Inferno é a própria pessoa, com base nas escolhas que faz – ela rejeita Jesus e fica sem alternativa. Ou seja, é como se a porta do Inferno fosse trancada por dentro.

E se a pessoa recusou Jesus aqui na terra, mesmo contando com a ação do Espírito Santo para convencê-la, por que iria mudar sua posição no Inferno, onde o Espírito Santo não vai agir? Seria impossível. E como a pessoa não vai mudar de posição, ficará para sempre no Inferno. É uma escolha dela. É duro dizer isso, mas é a mais pura verdade.

Concluindo, eu não gosto da ideia de Inferno, tanto quanto você. Como também não gosto de tomar injeção ou passar por uma operação. Mas essas são coisas inevitáveis. Assim como é o Inferno.

Antes de criticar Deus, portanto, é importante procurar entender as razões pelas quais Ele fez as coisas do jeito que são. Precisamos ter um pouco mais de humildade intelectual para perceber que um Ser perfeito e que sabe tudo somente poderia ter feito as escolhas melhores. 

Com carinho

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Vinicius MouraArthur Roberto Blankenburg Recent comment authors

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Arthur Roberto Blankenburg
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Arthur Roberto Blankenburg

Amei este estudo que nosso Senhor Jesus Cristo vos abençoe.

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Anônimo

Ótimo texto!
E digo mais, os assassinos, pedófilos e outros loucos que habitam conosco aqui na terra merecem um lugar no céu?! Sem se arrependerem profundamente não, merecem um lugar certeiro no inferno!
Dazi